"Nossa maior rival agora é a Netflix", dizem operadoras de TV por assinatura

Por Redação | 02 de Dezembro de 2015 às 09h42

Os serviços de video on demand (VOD), também conhecidos como OTTs (over-the-top), caíram no gosto dos brasileiros. A Netflix, por exemplo, é uma das plataformas mais usadas pelos usuários nacionais, tornando-se o quarto maior mercado da companhia no mundo - atrás apenas de Estados Unidos, Canadá e Grã-Bretanha. Mas o maior impacto desse sucesso refletiu fora da internet: hoje, as operadoras de TV a cabo já consideram a empresa uma ameaça real aos seus negócios.

Esta foi a constatação de executivos do mercado de televisão por assinatura durante um debate realizado nesta terça-feira (1º), no 29º Seminário Internacional da ABDTIC, em São Paulo.

Para Fernando Magalhães, diretor de Programação da América Móvil (que controla a Claro e a NET), os investimentos atuais não são para competir com outras operadoras, como a Sky, mas sim diretamente com serviços como a Netflix. "Queremos conquistar o consumidor jovem que quer ver o filme na hora que quer. É para atender a esse telespectador que as empresas estão investindo em canais próprios de VOD", disse.

Já para Rafael Crescente, gerente jurídico da Fox Brasil, o VOD tem que ser tratado e visto pelo assinante como um programa complementar e não como um substituto. Isso porque outros rivais de peso estão a caminho desse setor, incluindo Apple e Google. "A visão do apocalipse que o OTT vai matar a TV por assinatura não é factível. Este é o trabalho que estamos fazendo agora", destacou. "Não somos inocentes. O assinante não vai querer pagar por tantos. Caminhamos para uma programação de VODs como temos nos canais tradicionais".

Durante o Seminário da ABDTIC, o superintendente de Competição da Anatel, Carlos Baigorri, revelou que a agência reguladora de Telecom e a Ancine preparam um relatório sobre a situação concorrencial na operação e programação na TV por assinatura. Segundo Baigorri, está se vendo a questão de concentração e oferta dentro do modelo real do setor no Brasil. A expectativa do executivo é de que até o final deste ano o levantamento possa vir a ser publicado ao mercado. "Estamos, neste momento, avaliando os resultados no âmbito das agências", completou.

Domínio das TVs ameaçado?

Se a Netflix e seus similares vão tomar o lugar das tradicionais TVs por assinatura, isso ainda é uma incógnita. Contudo, essas companhias estão conquistando cada vez mais espaço no dia a dia do usuário, que procura por conteúdo personalizado para assistir a hora que quiser e como quiser.

Para efeito de comparação, a Netflix já é considerada a segunda maior vilã da TV paga, perdendo apenas para a pirataria. No que diz respeito à TV aberta, esse abismo é ainda maior: até o final deste ano, estima-se que a empresa norte-americana deve superar as receitas da Band e da RedeTV!, respectivamente quarta e quinta maiores redes abertas nacionais. Além disso, executivos de canais pagos e operadoras calculam que a entidade, atualmente com 4 milhões de assinantes brasileiros, possa ter um faturamento próximo de R$ 1 bilhão no Brasil, o mesmo que o SBT.

De acordo com Jonathan Friedland, chefe de comunicações da Netflix, os usuários locais estão em busca dessa personalização e flexibilidade, sem deixar de lado a qualidade e o preço competitivo. "Oferecer bom conteúdo a preços baixos e rapidamente – lançando séries ao mesmo tempo no Brasil e Estados Unidos – faz a pirataria menos atraente", disse o executivo à BBC. E segundo a Netflix, a atual crise econômica brasileira não está prejudicando os negócios: o produto oferecido é visto pelos consumidores como uma alternativa mais barata a sair de casa.

"No Brasil, eles apreciam um produto de alto valor que é muito barato. Mesmo que atualmente esteja difícil para a economia, isso não desacelerou nosso crescimento", afirmou Reed Hastings, presidente da empresa.

Fontes: Convergência Digital, BBC

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