Dia do Orgulho LGBTQIA+ | 10 filmes, séries e documentários para maratonar

Dia do Orgulho LGBTQIA+ | 10 filmes, séries e documentários para maratonar

Por Laísa Trojaike | Editado por Jones Oliveira | 28 de Junho de 2021 às 09h35
Wanda Visión S.A./Netflix/WoW/Netflix

Pelo direito de amar sem sofrer preconceitos, o Dia do Orgulho LGBTQIA+ é comemorado com muitas cores e as paradas às vezes ganham um clima carnavalesco, mas esse é apenas um jeito leve de lidar com um assunto muito sério e necessário. As comemorações realizadas no dia 28 de junho remontam aos eventos ocorridos no mesmo dia do ano de 1969, em um evento que ficou conhecido como Rebelião de Stonewall.

O evento leva o nome do bar Stonewall Inn, localizado em Manhattan, nos Estados Unidos. A manifestação reuniu diversos membros da comunidade LGBTQIA+, que reagiram às inúmeras investidas da polícia, cujas batidas e revistas eram no mínimo humilhantes. Como acontece até hoje, eram diversos os casos de agressões contra a comunidade, que viu na manifestação uma forma de lutar contra essa realidade.

A data entrou para a história e, hoje, serve para comemorar as conquistas e comemorar o orgulho, mas sem esquecer que a realidade ainda está longe do ideal e que há muita luta pela frente. Para a nossa sorte, a arte tem muito conteúdo LGBTQIA+ de qualidade, ainda que as representatividades não sejam tão diversificadas quanto poderiam ser.

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Entre as produções mais populares, ainda há pouca representatividade pansexual, assexual, bigênero, não-binária, intersexo, queer etc., mas esperamos poder ampliar esta lista com títulos muito mais diversos em um futuro que não seja muito distante.

Separamos alguns títulos, entre séries, filmes e documentários, que estão entre o que há de melhor do conteúdo LGBTQIA+ que pode ser encontrado online. Assim, seu trabalho consiste apenas em escolher uma indicação, clicar na plataforma de sua preferência (quando houver) e apertar o play!

10. XXY

(Imagem: Distribuição/Imovision)

Como o próprio título indica, a temática LGBTQIA+ desse filme é a intersexualidade. O filme hispano-franco-argentino é dirigido por Lucía Puenzo, que foi quatro vezes premiada em Cannes com XXY. No elenco, o nome do aclamado Ricardo Darín chama a atenção ao lado de Inés Efron, que interpreta a personagem central da história que também é intersexual.

De 2007, XXY é um dos raros casos em que um filme com essa temática ganhou visibilidade. Além de Cannes, a produção passou por diversos festivais de peso, colecionando inúmeras indicações e troféus. Baseado em uma história de Sergio Bizzio, a trama acompanha a história de um casal que faz o possível para proteger a filha de 15 anos do preconceito enquanto esperam que ela mesma faça a opção sobre as suas características sexuais. Um romance, no entanto, traz uma pressão inesperada para a família.

XXY pode ser assistido na Netflix.

9. Orange is the New Black

O hype já baixou e, sim, às vezes há um quê de hipersexualização das relações lésbicas; mesmo assim, Orange is the New Black funciona muito bem para desmistificar estereótipos. A série criada por Jenji Kohan conseguiu trazer uma história cativante, leve e com personagens muito carismáticas para falar sobre assuntos muito complexos e demasiado humanos.

Com a premissa de uma história que acontece quase que exclusivamente dentro limites da penitenciária, conhecemos diversas mulheres que representam histórias muitas vezes inspiradas em figuras reais, o que deixa tudo ainda mais sensível. Em algumas personagens, podemos encontrar muitas lições sobre gêneros e sexualidades que, no final das contas, dizem muito sobre ser quem você é e poder ser feliz dessa forma. Entre os destaques, a atriz trans Laverne Cox, que ganhou muito mais visibilidade após passar pela série.

Orange is the New Black já foi finalizada e todas as suas sete temporadas podem ser maratonadas na Netflix.

8. Tatuagem

Este é um dos títulos mais conhecidos da filmografia de Hilton Lacerda, que também dirigiu o documentário Cartola - Música Para os Olhos e o (mais ou menos) recente Fim de Festa, além de ser roteirista de Febre do Rato. Tatuagem surge aqui na lista como uma indicação especial, já que é uma das únicas indicações (por enquanto) que gera mais indentificação para nós, brasileiros (porque sabemos que ser LGBTQIA+ não é o mesmo em todos os lugares).

A trama também é bastante interessante ao acompanhar um romance entre um soldado e um líder de um grupo de teatro. Embora o filme pareça trazer apenas mais um romance gay para as telas, o diferencial aqui é a ambientação da história, que se desenrola na Recife dos anos 1970, em plena ditadura militar.

Tatuagem está no catálogo da Netflix, além de poder ser alugado na Play Store e comprado no iTunes.

7. Sex Education

Sex Education surgiu com uma premissa interessante ao trabalhar diversas questões muito pertinentes para adolescentes de uma forma nada brega e enviesada, sem parecer que algum adulto chato e meio morto escreveu o roteiro. Ao longo dos episódios a série nos conquista com seus diversos núcleos e, entre eles, o desenvolvimento do universo gay de um dos personagens principais.

A série criada por Laurie Nunn só tem duas temporadas até agora e já é um grande fenômeno, com o último episódio da segunda temporada tendo se tornado um símbolo de sororidade feminina. Para além do conteúdo gay, a série ainda é uma comédia fofa e um drama bastante sério, com muitas situações para nos deixar refletindo profundamente sobre a vida.

Sex Education tem suas duas temporadas disponíveis para streaming na Netflix.

6. Transamérica

Sabemos que, historicamente, demorou muito para que surgisse a exigência de que personagens LGBTQIA+ fossem interpretados por artistas que se identificassem com o gênero ou sexualidade em questão. Até hoje, inclusive, esse é um assunto polêmico. Mesmo assim, é inegável que muitos atores e atrizes héteros e cis ajudaram a quebrar barreiras do preconceito, como quando os ícones hétero Patrick Swayze e Wesley Snipes interpretaram drags em Para Wong Foo, Obrigado por Tudo! Julie Newmar.

Em Transamérica, Felicity Huffman fez um trabalho incrível no papel uma mulher trans que precisa encarar uma jornada inesperada após a descoberta de que tem um filho, um adolescente fugitivo que anda pelas ruas de Nova York. O roadmovie rendeu uma indicação à categoria de Melhor Atriz para Felicity Huffman e à categoria de Melhor Canção Original para Dolly Parton, além de receber outros muitos prêmios em diversos festivais de peso, tornando-se não apenas um clássico LGBTQIA+, mas um filme cult adorado por muitos cinéfilos.

Transamérica está disponível para streaming no Looke.

5. Meninos Não Choram

A atriz Hilary Swank só concorreu ao Oscar duas vezes, e em ambas as oportunidades levou a estatueta para casa interpretando pessoas que fogem dos estereótipos padrões. Antes de ser premiada pela Academia por sua performance em Menina de Ouro, Swank interpretou o joven trans Brandon em Meninos Não Choram.

Kimberly Peirce, que depois acabou dirigindo o remake Carrie, a Estranha, de 2013, assina o roteiro ao lado de Andy Bienen (Rosa Amarela) para contar a história de um adolescente que tenta se descobrir e encontrar um amor, mas acaba tendo que enfrentar os problemas que surgem na zona rural do Nebraska.

Meninos Não Choram está no catálogo do Claro Video.

4. Laerte-se

(Imagem: Divulgação/Netflix)

Laerte-se é um documentário especial não apenas por nos revelar uma biografia de Laerte, mas porque, assim como Tatuagem, esta também é uma história que se aproxima bastante do público brasileiro, sobretudo para quem conhece o trabalho da quadrinista há muito tempo e pode acompanhar seus processos através da sua arte. Para quem não conhece Laerte, a sinopse do filme a introduz como uma das cartunistas mais brilhantes do Brasil e que se apresenta como mulher em Laerte-se após viver 60 anos como um homem.

Na direção desse belíssimo documentário estão a documentarista Lygia Barbosa e a jornalista Eliane Brum, essenciais ao dar o tom certo para um assunto tão delicado (sobretudo por ser especialmente pessoal e sensível para a própria Laerte). O documentário não só é um filme ótimo em si, como também aproveita para explorar as reflexões trazidas pela artista — e não são poucas.

Laerte-se pode ser assistido pelos streamers da Netflix.

3. A Morte e a Vida de Marsha P. Johnson

Lembra da revolta de Stonewall sobre a qual falamos lá no início? Marsha P. Johnson foi um dos nomes mais importantes da época, tendo se tornado uma das ativistas LGBTQIA+ mais famosas da história. Infelizmente, ela morreu misteriosamente e o caso nunca foi devidamente esclarecido, o que tenta ser corrigido por A Morte e a Vida de Marsha P. Johnson.

David France dirige o documentário e assina o roteiro ao lado de Mark Blane para contar essa história investigativa que reúne materiais de arquivo com imagens de Johnson e novas entrevistas que trouxeram para o filme depoimentos de familiares, amigos e outros ativistas.

A Morte e a Vida de Marsha P. Johnson pode ser assistido na Netflix.

2. RuPaul's Drag Race

RuPaul's Drag Race chegou à sua 13ª temporada entre 2020 e 2021. Quem acompanha a série, sabe que o reality show evoluiu muito desde a sua estreia em 2009 e que essa mais de uma década de programa tem muito (muito) conteúdo LGBTQIA+. Cada temporada tem suas próprias histórias e revelações, com questões de sexualidade e gênero brotando no Werk Room. Não a toa, RuPaul’s Drag Race se tornou uma escola em si mesma, com muitas novas drags tendo RuPaul como sua mama à distância.

Para além das questões pessoais que transbordam entre um desafio e outro, o reality é também uma introdução ao mundo drag, que inclui toda sorte de representatividades LGBTQI+, além de servir como uma sumária para descobrir outros ícones arco-íris, como os filmes de John Waters ou o doc essencial Paris Is Burning (“Because reading is what? Fundamental!”).

RuPaul's Drag Race estreou sua 13ª temporada na Netflix e na WOW Presents Plus (plataforma especializada em conteúdo LGBTQIA+).

1. Pose

O título de Pose diz logo de cara que este seriado pode ter a ver com as raízes da cultura LGBTQIA+. E tem, com direito a uma amostra do surgimento de toda a subcultura do whacking, do voguing, da moda drag, enfim… Todas essas artes que vimos como muito bem sedimentadas em RuPaul’s Drag Race. Criada por Steven Canals, Brad Falchuk (roteirista de Glee) e Ryan Murphy (produtor de Glee), Pose é ambientada entre o fim dos anos 1980 e início dos anos 1990, quando a cultura ball crescia entre as comunidades gay e trans, que precisavam lidar com os problemas do capitalismo e do “surgimento” da AIDS.

Pose é uma das séries mais queridas do momento, tendo recebido diversas indicações ao Emmy em 2019 e 2020. O elenco também merece destaque justamente por trazer novas representatividades drag que não são rostos conhecidos de quem acompanha RuPaul's Drag Race, o que é um excelente sintoma da disseminação da cultura.

As duas primeiras temporadas de Pose podem ser assistidas na Netflix.

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