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Orange Is The New Black deixa de herança conscientização social e empoderamento

Por| Editado por Jones Oliveira | 03 de Agosto de 2019 às 10h20

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Tudo sobre Netflix

Um dos primeiros filhos da Netflix teve o seu ciclo encerrado no fim do mês de julho. Depois de sete temporadas, Orange Is The New Black chegou aos seus últimos episódios fazendo o que sempre fez de melhor: conscientizar e informar.

Para entender melhor, é preciso levar em conta que a série se passa nos Estados Unidos, um país que, mesmo com toda a sua potência e influência mundial, ainda conta com presídios de qualidade de terceiro mundo, segundo dados do Human Rights Watch.

Orange Is The New Black se passa em um presídio feminino. Segundo a organização, o número de mulheres encarceradas vem crescendo em um ritmo bastante acelerado, trazendo danos a quem está nestas prisões e não consegue sair.

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Com base nisso, a série foi de extrema importância para conscientizar os espectadores sobre a questão do sistema prisional dos Estados Unidos, além de divertir, com foco nas mulheres e seus direitos.

Representação feminina de todas as formas

A protagonista da série é Piper Chapman, uma mulher com a vida boa e privilegiada que, por um crime do passado, acaba sendo condenada à prisão. Lá, ela conhece diversos grupos de mulheres, cada uma com a sua história, mas com cenários de vidas similares. As classes que mais sofrem opressão se dividem dentro do presídio de acordo com suas culturas e etnias, como negras, latinas e asiáticas, por exemplo.

A série reconhece bem os papéis de cada um desses grupos na sociedade e quais são os seus obstáculos, usando essas realidades dentro do roteiro da trama, provocando a conscientização e causando impacto, tudo isso em meio a personagens cativantes e divertidos.

Com toda essa diversidade, o racismo é um ponto de bastante destaque na trama, mostrando a realidade da situação para quem não entende da gravidade. Os Estados Unidos também é um país muito racista e intolerante, visto as diversas manifestações que já vimos acontecer pelo mundo, como o Black Lives Matter, contra a ação violenta da polícia contra a classe.

Além do preconceito por parte da administração da prisão e do governo, vemos extremismo lá dentro, entre as próprias detentas. Um grupo de mulheres, por exemplo, é reconhecido como "nazis", com suásticas e discursos de ódio construídos durante a vida ou nascidos depois da prisão.

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Nas primeiras temporadas, vimos ainda a questão da transsexualidade com a personagem Sophia Burset (Laverne Cox), que é uma mulher trans, uma das representações da classe LGBTQ+. Conferimos a situação da imigração com as personagens latinas e os desafios enfrentados para se manterem no país, mesmo que isso tenha que ser feito da prisão. Asiáticas, muçulmanas, entre outras etnias, também são bem representadas.

Mas não é somente a representação feminina cultural presente em Orange Is The New Black. Assistimos mulheres de todos os tipos: carecas, lésbicas, bissexuais, gordas, magras, tatuadas, pequenas, grandes, entre uma infinidade de características. Identificação não faltou em nenhuma das sete temporadas, com as mulheres sendo mostradas da forma mais humana possível e não apenas como uma presidiária e suas culpas, trazendo também ao debate o problema do machismo e estupro.

Revolução na Netflix

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Orange Is The New Black estreou em 2013, ano em que a Netflix não contava com muitas produções originais e ainda estava se estabelecendo como plataforma de streaming.

Não havia certeza de que a atração encomendada pelo estúdio fosse chamar a atenção, nem de que as pessoas topariam assistir a 13 horas de episódios sem parar, visto que as séries costumam contar com apenas um episódio por semana.

Mas, deu tudo certo. O termo "maratonar", que antes era usado apenas em alguns canais de televisão pagos que fossem passar vários episódios seguidos, se tornou algo comum. A Netflix passou a adotar a liberação de temporadas inteiras como uma tradição, sendo possível terminar uma série inédita em apenas um fim de semana, dependendo da dedicação do espectador.

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Hoje, são incontáveis os números de lançamentos originais da Netflix em sua plataforma, uma realidade que Orange Is The New Black ajudou a moldar.

Poussey Washington Fund

Esta era da Netflix chegou ao fim, mas deixou bons frutos, além da conscientização, empoderamento e revolução no streaming. No último episódio, vemos a criação do Poussey Washington Fund, um fundo financeiro criado em homenagem à personagem Poussey, que foi assassinada por um guarda na quinta temporada.

O objetivo do projeto é fornecer ajuda financeira para recém-liberadas da prisão, para que elas consigam se restabelecer na sociedade. O dinheiro seria fornecido como empréstimo, sendo devolvido assim que concluíssem o objetivo. A quantia devolvida, então, seria passada para uma próxima detenta.

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A iniciativa agora está saindo do papel pelos criadores da série e já está está disponível em um site de crowdfunding. Segundo a produção, a quantia arrecadada vai para oito organizações sem fins lucrativos, como a Women's Prison Association.

Todas as sete temporadas de Orange Is The New Black estão disponíveis no catálogo da Netflix.