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Crítica O Exorcista: O Devoto | Terror mediano não agrada como o original

Por| Editado por Durval Ramos | 11 de Outubro de 2023 às 19h33

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Universal Pictures
Universal Pictures

Quem gosta de filmes de terror certamente já assistiu ou pelo menos ouviu falar em O Exorcista, filme de 1973, de William Friedkin, e que se tornou um marco do gênero. Agora, 50 anos depois, o ousado diretor David Gordon Green se arrisca em lançar O Exorcista: O Devoto, uma espécie de reboot do longa que inicia uma nova trilogia. Ele já havia feito isso com a saga Halloween, mas dessa vez falhou ao entregar uma obra morna que em nada lembra o impactante filme da década de 1970.

Para começar, é preciso dizer que O Exorcista foi — e sempre será — uma referência do cinema de horror, justamente por ser inovador, destemido e arrojado, e também por entregar uma trama interessante com excelentes cenas como aquela em que a protagonista gira o pescoço em 360 graus e vomita uma gosma nojenta. No longa de 2023, no entanto, não há nada de novo. É uma sucessão de cenas “mais do mesmo” que não chamam atenção de quem já é fã de filmes de possessão.

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Não é que o longa seja ruim, ele só não tem forças para continuar a franquia e prova que o que é bom nem sempre precisa ser revisitado. Se não tivesse “O Exorcista” no nome, O Devoto até seria uma obra agradável, mas de tão pretensioso, acabou sendo esquecível.

Indo para a trama, acompanhamos Victor Fielding, um homem simples que perdeu a esposa em um terremoto na África e, por isso, teve que cuidar sozinho da filha Angela. Um dia, ela e sua amiga Katherine decidem se embrenhar na floresta para brincar de conversar com espíritos. Quem já assistiu Fale Comigo sabe que isso não vai dar certo.

Como já era esperado, elas desaparecem e são encontradas três dias depois, sem memória do ocorrido. Acontece que o que era para ser motivo de alívio se transforma em um tormento quando seus pais percebem que elas estão muito estranhas — ou melhor dizendo, possuídas.

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A partir daí, inicia-se uma luta para tentar livrar as duas adolescentes do demônio. Aqui, o filme acerta em usar o sincretismo religioso, adicionando à trama um padre, um pastor, uma representante de alguma religião de matriz africana, uma beata e um ateu.

Fugindo do lugar comum do sacerdote com terço na mão, O Devoto mostra que qualquer fé pode ser capaz de destruir (ou não) o demônio, mas derrapa nas cenas seguintes quando mostra o grupo preparando o local para o duplo exorcismo de Katherine e Angela. Nesse ponto, o texto fica banal e cai no ridículo, entregando apenas um clímax despretensioso quando coloca Victor e os pais de Katherine para escolher quem morre e quem vive.

Boas atuações e boa maquiagem marcam O Exorcista: O Devoto

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Se, no enredo, o longa dá algumas derrapadas, na maquiagem — parte fundamental de um filme do gênero — ele até que se sai bem. As duas endemoniadas aparecem mais brancas, pálidas e fracas a cada cena, e seus machucados realmente soam reais. O mesmo acontece com Chris MacNeill (Ellen Burstyn) quando tem os olhos furados.

Por falar na personagem, sua presença no filme é um abraço nos nostálgicos, já que ela aparece no original como a mãe de Regan, a icônica menina que foi possuída. Além dela, a própria Linda Blair surge ao final para reprisar o papel de Regan, mas mesmo sendo um presente para os fãs, ambas participações são simplórias e quase irrelevantes.

O restante do elenco é consistente e não há atuações que se sobreponham às outras. Fica o destaque, então, para Lidya Jewett e Olivia O'Neill, os dois jovens talentos da produção.

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O Exorcista: O Devoto não ressuscita nada

Por fim, o que vale falar de O Devoto é que o filme não ressuscita a franquia, porque simplesmente ela nunca esteve morta. É pretensão pensar que um reboot seria necessário, mas assim o fez Green. Ele, de fato, acerta nos takes de possessão e na pitada de nostalgia, mas a verdade é que entrega um terror mediano mais do mesmo. Some isso ao filme ter sido lançado em 2023, ano em que ganhamos Fale Comigo e Jogos Mortais X, e o resultado é uma obra esquecível.

Mesmo com o dobro de possessões, ficamos apenas com metade da diversão, e sem muita vontade de assistir ao O Exorcista: Deceiver, sequência prevista para 2025. Mas vale lembrar, no entanto, que quem quiser dar uma chance à O Devoto pode assisti-lo nos cinemas a partir do dia 12 de outubro.