Crítica │ Loki traz o Deus da Trapaça em sua melhor forma

Por Durval Ramos | Editado por Jones Oliveira | 09 de Junho de 2021 às 11h15
Divulgação/Disney+

Desde muito antes da estreia das séries do Marvel Studios no Disney+, todas as atenções estavam voltadas para Loki. Afinal, estamos falando de um dos mais queridos personagens do universo cinematográfico e um dos vilões mais carismáticos dos últimos anos. Assim, por mais que Wandavision tenha deixado todo mundo empolgado e Falcão e o Soldado Invernal tenha sido uma grata surpresa, todos queriam saber o que Deus da Trapaça ainda tinha a oferecer. E a estreia já mostrou um pouco do que podemos esperar para a temporada.

Sem mais delongas, Loki é tudo aquilo que os fãs do MCU esperavam — e até um pouco mais. O episódio de estreia começa exatamente de onde Vingadores: Ultimato terminou, ou seja, com o personagem de Tom Hiddleston fugindo com o Tesseract após a viagem no tempo do Capitão América e companhia.

Loki começa com uma trama kafkaniana e com um inimigo que nem mesmo sua astúcia é capaz de vencer: a burocracia (Imagem: Divulgação/Marvel Studios)

É a partir desse desvio da linha temporal que o Deus da Trapaça entra na mira da Autoridade de Variância Temporal (ou TVA, na sigla em inglês), uma espécie de grande escritório fora do tempo e espaço que existe justamente para manter a existência dentro de seu rumo predeterminado, impedindo que pessoas alterem a linha do tempo, como é o caso do próprio Loki.

Atenção! Daqui em diante este texto pode conter spoilers.

Quando a Marvel encontra Kafka

E o primeiro episódio, Glorioso Propósito, se dedica quase que inteiramente a apresentar ao personagem e ao público o que é a TVA e suas atribuições — tudo isso da forma mais kafkaniana possível. De repente, Loki se vê diante de uma estrutura tão burocrática que não se importa em explicar para ele o que está acontecendo ou como ele foi parar ali.

Os novos personagens exploram bem o que Loki tem de melhor: os diálogos (Imagem: Divulgação/Marvel Studios)

A gente já tinha visto nos trailers parte dessa dinâmica de repartição pública, mas o escopo aqui é muito maior e o resultado é ainda mais positivo. Temos o todo arrogante Deus da Trapaça diante de algo tão mundano e, ao mesmo tempo, complexo que nem mesmo sua astúcia é capaz de vencer. E essa situação, que por muitas vezes beira o surreal, se torna ainda mais interessante graças aos excelentes diálogos do personagem.

O roteiro aqui é muito bem construído para valorizar esse Loki ainda muito cru. É preciso lembrar que estamos falando da versão do personagem de 2012, ou seja, na época do primeiro Vingadores. Isso significa que ele ainda é aquela criatura prepotente e até mesmo vilanesca que a gente viu no início do MCU, sem a suavização que Thor: O Mundo Sombrio e Thor: Ragnarok trouxeram.

Assim, quando ele se vê diante dessa estrutura mastodôntica da TVA, o resultado são diálogos excelentes, do jeito que fizeram o personagem ser tão adorado. Adicione a isso a entrada de novos rostos, como o Agente Mobius, vivido aqui pelo quase irreconhecível Owen Wilson, e temos uma dupla que certamente vai ser ótima de acompanhar pelos próximos episódios.

Um deus no divã

Ao mesmo tempo em que resgata esse Loki mais babaca, a série repete a fórmula que deu tão certo em Wandavision e Falcão e o Soldado Invernal. Ela se aproveita desse retorno do personagem ao seu estado mais arrogante para explorar suas motivações e expandir um pouco mais seu lado psicológico.

Primeiro episódio já aproveita para fazer uma sessão de terapia com o protagonista (Imagem: Divulgação/Marvel Studios)

Há uma longa sequência na qual o Deus da Trapaça praticamente revê todos os filmes do MCU e questiona o porquê de suas ações, quase como em uma profunda sessão de terapia. Pode até parecer um pouco piegas à primeira vista, mas é interessante ver que a série se preocupa em ir além daquilo que a gente já conhece do personagem e mostrar as diferentes camadas que ele tem a oferecer. É algo que certamente vai ganhar mais peso nos próximos episódios, mas cujo gostinho já é muito positivo.

E tudo isso, é claro, é feito sem perder o bom humor típico da Marvel. Como disse anteriormente, o roteiro é muito bem construído e favorece os diálogos ácidos de Loki e, por ser um episódio introdutório que precisa apresentar uma série de novos conceitos, há pouca ação e muito mais conversa. Só que isso está longe de ser um problema — afinal, como o próprio Mobius aponta, não há nada que Loki goste mais do que falar.

Com o pé direito

Não que alguém duvidasse que Loki seria uma das séries mais interessantes do MCU, mas o primeiro episódio confirmou isso e ainda mostrou que a trama que se desdobra a seguir tem tudo para ser muito interessante. Logo de início, ela apresenta um mistério que deve se desenrolar de forma imprevisível e é nisso que está a grande graça. Afinal, nem todo demônio que aparece é o Mephisto, certo?

É claro que ainda é muito cedo para cravar o sucesso, mas a primeira impressão foi muito positiva e tudo leva a crer que o nível vai ser mantido ao longo dos seis episódios da temporada. Mesmo sem apostar na ação de Falcão e o Soldado Invernal ou mesmo nos mistérios de Wandavision, Loki se sustenta inteiramente nas qualidades que fizeram seu protagonista ser tão querido e vencer a morte tantas vezes nos cinemas — o que é ótimo. Mais uma vez, um tiro certeiro da Marvel.

O primeiro episódio de Loki já está disponível no catálogo do Disney+.

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