Conheça as várias facetas de Loki, o mais charmoso vilão da Marvel

Por Claudio Yuge | 21 de Fevereiro de 2020 às 09h58
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Desde que surgiu pela primeira vez, em outubro de 1965, em Journey into Mistery #85, Loki se tornou um dos vilões mais recorrentes na Marvel Comics. O personagem mudou bastante ao longo das décadas e entre suas importantes transformações está a que aconteceu com o seu desenvolvimento no Universo Cinematográfico Marvel (MCU, na sigla em inglês). Desde então ele se tornou um anti-herói e até fez a vezes de mocinho.

Sua popularidade cresceu tanto que ele passou a figurar com uma frequência inesperada graças ao charme e ao carisma de Tom Hiddleston. Isso o levou à sua própria série solo, que deve estrear ainda este ano na nova plataforma de streaming Disney+. A influência do ator foi tão grande que o próprio status quo e as histórias de Loki também mudaram na Marvel Comics.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

E como o seriado vem aí, o Canaltech revisita o passado do meio-irmão de Thor para você conhecer melhor essa figura.

No começo, só vilanias

Bem, todo o panteão asgardiano da Marvel Comics foi baseado na clássica mitologia nórdica, então as raízes de Thor, Loki, Odin, entre outros deuses e semideuses inicialmente são bem parecidas, mas com a mão de Stan Lee e Jack Kirby: na Casa das Ideias, Loki é filho do rei dos Gigantes do Gelo, Laufey, por isso ele leva o sobrenome de Laufeyson. Após uma batalha entre o Gigantes do Gelo e os asgardianos, Odin encontra o bebê e o adota, tornando-o meio-irmão de Thor.

Só que o menino cresce sempre se sentido inferior a Odinson, embora tenha tido o carinho de sua mãe adotiva, Freya. Parte desse “ciúme” se dá porque Thor é naturalmente inclinado às batalhas e possui uma constituição física invejável, enquanto Loki é esguio e possui habilidades mágicas e furtivas. Como Odin é um guerreiro, mostrava mais orgulho de ver Thor liderando lutas intensas.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Assim, ainda criança, Loki percebeu que mentir e manipular as pessoas poderia colocá-lo à altura do poder físico do meio-irmão. Quando ele tinha 8 anos, viu Odin presenteando Thor com o fabuloso Mjolnir, o que deixou claro a preferência do Pai-de-Todos por Odinson. Então, ele passou a tentar roubar o martelo, passar para trás e até matar Thor em diversas ocasiões — o que o levou a realizar vilania atrás de vilania.

Loki em sua primeira aparição, na revista Venus (Imagem: Reprodução/Timely Comics)

Uma curiosidade: Loki apareceu mesmo pela primeira vez em 1949, na revista Venus #6, quando a Marvel Comics ainda se chamava Timely Comics. Ele tinha os cabelos ruivos e sua representação lembrava muito mais a de Lúcifer — para você ver como ele era pintado como o “mal puro”.

A origem dos Vingadores

Assim como aconteceu no cinema, Loki foi o grande responsável por reunir os Maiores Heróis da Terra. Em Avengers #1, de 1963, o então vilão foi banido por Odin para viver em uma ilha — um castigo para o jovem. Isso não o impediu de espalhar sua maldade por aí, mais precisamente em Midgard, lar dos nossos super-heróis. Ao observar Hulk, ele percebeu que o Gigante Esmeralda não era muito esperto e fez com que ele destruísse uma linha de trem. No final, a contraparte de Banner conseguiu evitar uma tragédia, mas isso chamou a atenção do Homem de Ferro e Thor.

Mais tarde, o próprio Thor identificou a presença de seu meio-irmão e, ao lado de Tony Stark, Homem-Formiga, Vespa e do próprio Hulk, conseguiu afastar o perigo. A partir daí, o grupo prometeu se juntar sempre que houvesse uma ameaça que não pudessem vencer sozinhos.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Depois disso, Loki passou os anos 70 e sempre esteve atrelado a manipulação e criação de vilões: ele foi, por exemplo, quem deu origem ao Homem-Absorvente (que nome!) e à Gangue da Demolição; e colocou vários personagens contra os heróis da Terra, como Encantor, Executor, entre outros. Ou seja, nesse período ele sempre foi tratado como aquele vilão clássico dos quadrinhos antigos, que nem sempre tinha motivações muito coerentes — era mesmo apenas uma razão para os heróis agirem.

A fase de Walt Simonson e sua escalada ao poder

Como dá para notar, Loki dependia muito de boas histórias dos heróis, especialmente do Thor, para poder brilhar. Walter Simonson foi um dos melhores escritores e desenhistas do Deus do Trovão e tornou sua revista um dos melhores títulos nos anos 80. Ele conseguia misturar mitologia e contos épicos com o toque de heroísmo da Marvel e explorou muito mais Asgard do que Midgard.

Foi nessa época que Loki passou a brilhar mais também. Um dos episódios mais marcantes do período foi quando o vilão usou uma espada mágica do demônio Surtur para vencer Thor e transformá-lo em um sapo. Isso mesmo, o Deus do Trovão saía por aí saltitando na forma de um anfíbio, até mesmo com o uniforme. Embora seja um plot bobo, tudo o que aconteceu ao redor disso foi muito divertido e é lembrado até hoje.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Como Simonson valorizou cada um dos personagens asgardianos, Loki passou a ser visto como um antagonista mais complexo e interessante para os escritores. Ele apareceu nas histórias dos X-Men tentando seduzir Tempestade como a nova Deusa do Trovão, em um dos arcos mais queridos pelos leitores, desenhado pelo prestigiado artista Arthur Adams (um dos responsáveis por introduzir um estilo oriental às ilustrações no mercado norte-americano); e até mesmo trouxe ameaças como o Super Skrull e o Tri-Sentinela.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Um de seus maiores feitos, já no final dos anos 80, foi reunir diversos vilões de peso da Marvel na trama Atos de Vingança. A ideia era simples: trocar os arqui-inimigos de cada herói ou grupo para pegá-los desprevenidos com ameaças que não estavam acostumadas a combater. Loki oferecia informações sobre os pontos fracos e os vilões “trocados” aproveitavam isso para atacar de surpresa. Entre os participantes estavam Rei do Crime, Caveira Vermelha, Duende Macabro, Magneto, entre outros.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

No final, as coisas não deram muito certo porque, bem, os próprios vilões não se acertaram. Vale destacar que, em um dos episódios à parte, Magneto prendeu e castigou o Caveira Vermelha. Isso porque o Mestre do Magnetismo cresceu em campos de concentração do Holocausto e, bem, o Caveira Vermelha, como todos sabemos, era ligado ao nazismo.

Loki se torna mais importante para Marvel nos anos 2000

Em meados dos anos 2000, os asgardianos sofrem com o Ragnarok, mas de uma maneira bem diferente do que vimos nos filmes. No final, após mais vilanias de Loki, Asgard é destruída pelo demônio Surtur (isso é semelhante ao longa) e Thor, como punição, arranca a cabeça do seu meio-irmão e somente o deixa vivo graças a magia.

Contudo, no final das contas, Loki, assim como todos os outros deuses, é destruído. E como são imortais, era uma questão de tempo até que todos reaparecessem. Assim nasceu a versão feminina de Loki, que era tão manipuladora quanto sua versão masculina — mas mais lasciva. Esse foi um período em que os asgardianos começaram a se reerguer na Terra, em uma pequena Asgard suspensa sob os céus de Oklahoma.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Então, já no final dessa década, na trama conhecida como O Cerco, Loki, de volta à forma masculina, consegue convencer Norman Osborn a banir os asgardianos da Terra. Só que, no processo, sua terra natal é destruída. Para evitar que isso acontecesse, Loki faz um sacrifício final e até se redime um pouco diante do Deus do Trovão.

O anti-herói/herói dos anos 2010

Depois disso, Loki volta como uma criança e passa por uma reformulação, em um período em que o público já vinha se apaixonando pela versão de Tom Hiddleston. A Marvel Comics aproveitou que o personagem sofreu um reboot após todos esses eventos para torná-lo mais parecido com sua contraparte dos cinemas.

Como voltou sem o passado de vilanias, o Loki “infanto-juvenil” ficou mais próximo de seu meio-irmão — até mesmo bondoso. A partir daí, ele virou “Agente de Asgard”, em aventuras em que se aproveita do charme e de seu poder de manipulação para ser um “espião dos deuses”. Os escritores aproveitaram para torná-lo bem mais interessante, com diálogos mais espertos e motivações verossímeis.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Nos últimos anos, ele revelou ser pansexual e esteve presente na última saga envolvendo as Joias do Infinito, Guerras Infinitas. Foi com ele que soubemos mais do passado da Marvel Comics e o porquê da Terra ter tanto superseres: graças a um Celestial que morreu e seus restos mortais foram absorvidos pelo planeta.

Ou seja, Loki é um personagem com passado repleto de histórias e aventuras e sua atual fase não poderia estar mais rica. Laufeyson está em seu auge e certamente veremos muito do que foi contado aqui sendo reproduzido no seriado do Disney+. Agora é contar os dias e aguardar pela estreia!

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