007 | Spectre? Goldfinger? Quais os melhores filmes de James Bond?

Por Sihan Felix | 13 de Maio de 2020 às 19h00
Metro-Goldwyn-Mayer
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James Bond

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Na franquia oficial para cinema, James Bond já foi interpretado por seis atores. O primeiro deles, Sean Connery, ainda era relativamente desconhecido quando assumiu o papel em O Satânico Dr. No (de Terence Young, 1962). Mas não demorou para Connery se tornar um ícone dos anos 1960 e ver a popularidade que, na época, dominava a música com a Beatlemania chegar ao cinema com a Bondmania.

Desde então, foram 24 filmes oficiais e três não-oficiais. Entre os oficiais, seis atores deram vida ao personagem criado por Ian Fleming: Sean Connery (de 1962 a 1967 e depois 1971), George Lazenby (em 1969), Roger Moore (de 1973 a 1985), Timothy Dalton (de 1987 a 1989), Pierce Brosnan (de 1995 a 2002) e, atualmente, Daniel Craig (a partir de 2006).

Existe tanta paixão entre os bondmaníacos que qualquer lista pode vir a se tornar uma afronta, mas, como sempre, é bom ressaltar que nenhuma lista é exata. Certeiro, aqui, somente Bond (e, às vezes, nem tanto – dada a humanização que o personagem foi recebendo com o passar dos anos). De todo modo, vamos ao ranking do Canaltech com os melhores filmes da franquia 007, do pior ao melhor.

24. Com 007 Viva e Deixe Morrer

Particularmente, eu gosto de Roger Moore como James Bond. Cresci me divertindo com o seu Bond debochado, irônico, de charme até pedante. Mas seu primeiro filme dentro da franquia é das coisas mais desconexas do universo criado por Fleming. Na história, 007 é enviado para parar um magnata da heroína diabolicamente brilhante e vê, dentro do esquema, uma taróloga com dons psíquicos (salva pela interpretação de Jane Seymour).

23. 007 – Um Novo Dia Para Morrer

Aqui, as expectativas ajudam na desconstrução do filme. Isso porque 007 – Um Novo Dia Para Morrer foi criado como uma celebração da franquia. Esperava-se, então, que muito do melhor de Bond fosse resgatado. É verdade que há pelo menos um ponto que coincide com cada filme da série, mas acaba que o resultado é tanto um filme de James Bond quanto de Austin Powers. Assim como Jane Seymour salva o que seria desastroso em Com 007 Viva e Deixe Morrer, aqui é a vez de Halle Berry defender de algum modo suas cenas – e ela consegue. Por outro lado, continua sendo difícil ver Madonna como uma instrutora de esgrima e isso não ser, nem de longe, o ponto mais baixo do filme. Aliás, Bond surfa em um maremoto! É tudo demais e, muitas vezes, é melhor respirar e baixar a bola.

22. 007 – Permissão para Matar

Ah, Timothy Dalton... Depois de Roger Moore dar irreverência (talvez em exagero) à franquia durante sete filmes, Dalton é o carrasco dessa saudável passagem de Moore. Se seu primeiro filme (007 – Marcado para a Morte) já havia derrubado um pouco a vivacidade de Bond, 007 – Permissão para Matar é a pá de cal. A história teria até fôlego, visto que envolve uma pequena entrada na escuridão de Bond, que começa a se tornar desonesto por vingança. Mas a questão é que, para uma série de filmes que definiu (ou redefiniu) a ação no cinema, o filme acaba tendo uma quantidade irrisória de cenas que permitiriam à entrada no gênero (quase todas no trailer), sendo um filme sombrio, quase um thriller, mas com gosto de água.

21. 007 Contra Spectre

Particularmente, gosto muito de Daniel Craig como James Bond. Sinto uma pegada que retoma os bons momentos de Sean Connery – mas sem todo o charme do ator escocês, claro. Além disso, Sam Mendes (de 1917) é um diretor que talvez esteja acima da média entre aqueles que dirigiram filmes da franquia. O problema de 007 Contra Spectre é parecido com o de 007 – Um Novo Dia Para Morrer: a expectativa. Mas, aqui, a expectativa é criada durante o filme mesmo, que se ocupa tanto em ressaltar o quanto é épico que acaba nunca sendo. Junta-se a isso Christoph Waltz revivendo seu Coronel Hans Landa de Bastardos Inglórios (só que sonolento) e locações ricas que pouco acrescentam (sendo a que inicia o filme, de fato, espetacular) e muita falação para um filme de Bond... e voilà.

20. 007 – O Mundo Não é o Bastante

Difícil... Pierce Brosnan sempre foi um dos Bonds mais esforçados e é um dos atores mais interessantes a assumir o papel. Mas talvez não tenha dado muita sorte, especialmente com os roteiristas. 007 – O Mundo Não é o Bastante tem dos finais mais constrangedores de toda a franquia e, de quebra, envolve os quase sempre bobos nomes dados para as Bond Girls. Caso vá se aventurar pelas mais de duas horas de filme, fica a torcida para que a experiência não seja tão desastrosa ou tediosa quanto a minha.

19. 007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro

A tentativa de dar a James Bond uma parceira alívio cômico é tão sem timing quanto a superficialidade que o roteiro dá a essa entrada da atriz Britt Eklund como Goodnight. Se Roger Moore já havia se tornado o Bond mais fanfarrão, essa pitada de comédia tornou tudo mais brega e balançou o início de Moore como Bond (é o segundo com ele a aparecer na lista). Por outro lado, 007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro tem um dos melhores vilões entre todos os filmes. Não pela construção que é dada a ele, mas pelo ator: Christopher Lee. Apesar dos diálogos insossos, Lee é um contraponto a Moore praticamente perfeito, balanceando o charme irreverente de Bond com uma seriedade quase de Saruman.

18. 007 – Os Diamantes São Eternos

O primeiro com Sean Connery na lista é um dos filmes mais entediantes de toda a franquia. Connery, que retornava à série de filmes após a passagem interessante de George Lazenby em 007 – A Serviço Secreto de Sua Majestade, é somente uma sombra pastosa daquele Bond que deu vida à Bondmania. O filme, igualmente, não passa de uma aventura que tenta reviver o passado (o retorno de Connery é interessante nesse sentido), mas acaba por criar um xarope de melancolia.

17. 007 – O Amanhã Nunca Morre

No segundo filme com Pierce Brosnan como Bond, o ator está mais seguro e confiante do que boa parte dos seus colegas conseguiram transmitir durante as produções anteriores. Mais uma vez, o maior problema é o roteiro que traz um vilão midiático, um magnata que luta pela atenção do mundo. Dito isso, é, no mínimo, uma ironia que 007 – O Amanhã Nunca Morre provoque, justamente, um nível de desatenção bem problemático ao ser inchado de elementos intensos sem que nada consiga se desenvolver por completo. Mas Roger Spottiswoode, em sua primeira e única passagem pela direção de um filme da franquia, pouco ajuda a unificar os elementos, deixando tudo solto, a esmo. Não tem ator que segure um filme dirigido sem personalidade.

16. 007 Marcado para a Morte

É interessante como para muitos fãs de Ian Fleming, Timothy Dalton é o ator que mais perto chegou da definição de James Bond. Talvez seja difícil perceber isso quando o filme traz vilões pouco ameaçadores para a grandeza do personagem no ponto que Dalton assumiu. Ainda mais depois de o ator ser o sucessor da extravagância de Roger Moore. Em 007 Marcado para a Morte, por exemplo, uma série de vilões menores preparam um esquema de tráfico de armas. Tudo é mais adversário para Dooley (de K-9: Um Policial Bom pra Cachorro) do que para James Bond.

15. 007 – Quantum of Solace

A sequência do excelente 007: Cassino Royale parece reviver o James Bond de 007 – Permissão para Matar. Mas, aqui, a direção de Marc Foster ainda consegue segurar bem as pontas e tornar o deprimido Bond de Daniel Craig atraente de alguma forma. Talvez por ter perdido seu grande amor, talvez porque Foster e Craig formam uma dupla melhor do que John Glen e Dalton... 007 – Quantum of Solace pode não ser tão cheio de ação, mas a humanidade que Bond recebe parece deixar tudo menos robótico. Além disso, o final é um dos mais intensos da franquia.

14. 007 Contra Octopussy

Enquanto outros filmes, como 007 Marcado para a Morte, trazem antagonistas quase vãos, aqui o negócio fica brabo: entre ovos Fabergé falsificados e um culto estranho, existe uma ameaça de apocalipse nuclear. Agora sim! Mas quase nada é belo para sempre... resolveram transformar James Bond em Tarzan, com referência até na trilha sonora. É muito até mesmo para a breguice charmosa de Roger Moore.

13. 007 – Na Mira dos Assassinos

007 – Na Mira dos Assassinos é um dos filmes mais negativamente criticados pelos bondmaníacos. Por outro lado, o vilão louco interpretado por Christopher Walken é das coisas mais engraçadas entre as 24 produções oficiais. Junta-se a isso o ritmo dado pelo diretor John Glen – que dirigiu Roger Moore melhor do que o fez com Timothy Dalton – e uma canção original de John Barry por Duran Duran que é a única dos filmes da franquia a ficar no topo das mais tocadas nos EUA e pronto: tem-se a bagunça maravilhosa que é esse filme.

12. 007 – Somente Para Seus Olhos

Talvez 007 – Somente Para Seus Olhos seja protagonizado por um Roger Moore que se leva a sério (assim como o terceiro colocado da lista). Aqui, James Bond volta a ser um agente secreto e não um Batman debochado ou algo do tipo. A sequência de abertura dá o tom de descarte ao já eliminar Blofeld e toda a esquisitice (no melhor sentido Moore) do filme ainda ganha cenas inesquecíveis, como a perseguição de esqui.

11. Com 007 Só Se Vive Duas Vezes

O roteiro de Roald Dahl é dos mais ambiciosos da franquia. Dahl, que é o criador de A Fantástica Fábrica de Chocolate (o livro originário e o roteiro do primeiro filme, de 1971), insere na criação de Fleming um ar quase fantasioso – sem imaginar que Bond iria ao espaço 12 anos depois (em 007 Contra o Foguete da Morte). Tudo é grande em 007 Só Se Vive Duas Vezes: Sean Connery está em sua melhor forma, Blofeld é marcado para sempre com a atuação de Donald Pleasence, há um vulcão sagrado... Antes de entrarmos na lista dos 10 melhores, esse aqui já diz muito sobre o que é 007.

10. 007 Contra a Chantagem Atômica

Deve ser o filme mais confortável entre todos. Aqui, James Bond já estava consolidado nos anos 1960. É o quarto filme, sequência de uma obra-prima, todos protagonizados por Sean Connery até então, e, ao mesmo tempo, ainda traz inovações como o pioneiro trabalho com uma câmera subaquática. O conforto é tanto que a direção de Terence Young pouco se importa em dar logo um ritmo de ação, passeando todo o primeiro ato pela recuperação de Bond em um spa. Tudo é muito estiloso em 007 Contra a Chantagem Atômica e as batalhas debaixo d’água acabaram por se tornar um dois maiores marcos da franquia.

9. 007 Contra o Foguete da Morte

007 Contra o Foguete da Morte está para 007 como Howard, o Super-Herói está para Os Vingadores: é apenas um distante possível integrante da franquia (no caso de 007) ou da equipe de Super-Heróis da Marvel (no caso d’Os Vingadores). O filme é uma reformulação amalucada de um clássico lançado dois anos antes (007: O Espião que Me Amava) e, assim, traz tudo requentado... mas no espaço. Ao mesmo tempo, o filme parece embalado no sucesso do primeiro Star Wars (também de dois anos antes), trazendo batalhas de laser e trilha sonora pomposa. É uma das melhores porcarias já feitas pelo cinema. Divertido, dinâmico e totalmente fora da caixa. Poderia estar na 24ª posição, mas, por algum motivo, é possível amar essa bizarrice.

8. 007 Contra GoldenEye

Depois do primeiro grande hiato entre um filme e outro da franquia (seis anos) – talvez causado pelo ar sombrio do Bond de Timothy Dalton –, Pierce Brosnan assumiu seu 007 como se tivesse nascido para isso. Com o charme de Roger Moore (e com a breguice deste bem dosada) e a confiança de Sean Connery, Brosnan deu vida a um agente cheio de frescor e dinamicidade após o fraco 007 – Permissão Para Matar. A direção de Martin Campbell (que voltaria à franquia com o excepcional 007: Cassino Royale) conseguiu dar toda uma roupagem nova ao personagem já lendário e a história de ação quase ininterrupta e diálogos sem muitos arrodeios reviveu o personagem de Ian Fleming.

7. 007 – A Serviço Secreto de Sua Majestade

Talvez seja o mais esquecido de toda a franquia, protagonizado por quem viria a substituir Sean Connery, George Lazenby, que acabou ficando somente este filme como James Bond. A questão é que 007 – A Serviço Secreto de Sua Majestade tem um dos melhores roteiros entre os 24 filmes, praticamente à prova de más atuações. Se Lazenby, às vezes, mais parece um boneco de madeira que fala, o texto é um motivo para que o filme seja trazido de volta à tona. Além disso, Diana Rigg (como Tracy) dá uma força enorme ao filme e muito do que havia sido convencionado durante os filmes anteriores é desafiado. O roteirista Richard Maibaum quebra seus próprios moldes e acaba por dar abertura para que a franquia ganhe dinamicidade e novos esqueletos. Uma possível prova é que o retorno de Connery para o filme seguinte (007 – Os Diamantes são Eternos) parece não ter gás... e então, dois anos depois, o papel chegaria a Roger Moore.

6. O Satânico Dr. No

O primeiro 007 no cinema, o filme que iniciaria um legado ainda imortal. O Satânico Dr. No já traz o tema musical de James Bond (de John Barry), além de embasar o que o personagem viria a se tornar. Se não é exatamente grandioso, pouco importa. É um filme de gênese, que fundamenta tudo e dá força suficiente para que James Bond comece a ser tão (ou quase isso) festejado quanto Os Beatles.

5. Moscou Contra 007

A continuação de O Satânico Dr. No dá força a tudo que o primeiro filme construiu de bom. Além disso, introduz o romance na vida de James Bond e traz um trio de vilões dos melhores da história do cinema, já com Blofeld (Anthony Dawson). Com um final de aplaudir de pé, Moscou Contra 007 é um filmaço de dar arrepios.

4. 007: Cassino Royale

007: Cassino Royale funcionaria tão perfeitamente como filme separado da franquia quanto funciona como o 21º. Daniel Craig, que estreou como James Bond sob protestos de muitos fãs, acabou revertendo a situação rapidamente. Martin Campbell, que retornou à direção depois de ter estado à frente de 007 Contra GoldenEye, dá uma carga de tensão ao filme como pouco se havia visto nos anteriores. Bond, aqui, é o mais complexo e perigoso 007, cheio de profundidade e detalhes cedidos pelo roteiro. Seu romance com Vesper Lynd (Eva Green) é tão envolvente quanto o jogo de pôquer que é o centro de tudo, mas o que envolve mesmo é o conjunto da obra. Dentro da franquia, uma das obras-prima, como os três primeiros abaixo.

3. 007: O Espião que me Amava

Impressionante até hoje, 007: O Espião que me Amava é um dos filmes de ação que definiram a década de 1970. Com Roger Moore em total domínio de sua soberba kitsch e sendo a melhor direção da carreira de Lewis Gilbert – que, aqui, consegue dar uma unidade quase sobre-humana ao filme –, 007: O Espião que me Amava é intenso, sexy e com cenários extraordinários que, a todo momento, interferem na história – ou veem a história interferir neles.

2. 007 – Operação Skyfall

O que Sam Mendes faz aqui é um trabalho minucioso de humanização do 007. Muito disso não se dá pelo trabalho com o James Bond, mas com todos aqueles que o cercam – inclusive com o vilão fantástico interpretado por Javier Bardem. A sensibilidade, traduzida tão bem pelo olhar de Daniel Craig ainda é sustentada pela direção de fotografia de Roger Deakins, que utiliza as luzes e as sombras como poucos em toda a história do cinema. O início, inclusive, com Bond saindo das sombras no último plano e se revelando no primeiríssimo é fundamental para acrescentar à experiência de assistir ao filme: Bond veio das sombras, como diz M (Judi Dench) bem mais à frente, e somente ele compreende todo esse processo de amadurecimento. 007 – Operação Skyfall é, no final das contas, um estudo de personagem, mas não de um qualquer: trata-se de um homem que já havia existido em outros 22 filmes e saído da literatura (além dos filmes não-oficiais). O que poderia ser um obstáculo para essa intromissão é um atestado da envergadura de um filme muito acima da média e que ainda é abrilhantado por uma das canções mais icônicas de toda a franquia.

1. 007 Contra Goldfinger

Foram somente três filmes para que a franquia oferecesse ao mundo o seu primeiro clássico. 007 Contra Goldfinger ligou, para sempre, Sean Connery a James Bond, trazendo o resultado mais certeiro do equilíbrio que é ser bon vivant e perigoso ao mesmo tempo. Quase tudo o que se define como um filme da franquia 007 é diretamente desse filme, inclusive os fins inesperados de alguns personagens. Para os filmes que vieram na sequência, deve ter sido terrivelmente complicado repetir o feito alcançado aqui. Uma obra-prima da ação que permanece viva depois de 56 anos (completados em 2020). Dos vilões memoráveis ao Bond definitivo (ou quase isso), 007 Contra Goldfinger é, provavelmente, o que de melhor o personagem de Ian Fleming recebeu ou, talvez, uma das melhores produções de ação de todos os tempos.

Uma lista como essa é totalmente variável, assim como os trabalhos dos atores e diretores que passaram pela franquia até agora. Ficam aí os comentários para que possamos trocar de listas ou descobrir outros favoritos.

Ah! 007 ainda tem os três filmes não-oficiais: Cassino Royale (de 1954, feito para televisão e com Barry Nelson com James Bond), Cassino Royale (de 1967, com David Niven) e 007 – Nunca Mais Outra Vez (de 1983, com um inusitado retorno de Sean Connery como o agente).

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