Precursor da computação pessoal, IBM Model 5150 completa 37 anos no domingo (12)

Por Ares Saturno | 10 de Agosto de 2018 às 23h35
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IBM

Há 37 anos, em 12 de agosto de 1981, um novo capítulo na evolução dos computadores foi iniciado com o lançamento do IBM 5150, ou apenas IBM PC, como ficou popularmente conhecido. Desenvolvido em menos de um ano, ele iniciou a arquitetura aberta para computadores — modelo de produção de eletrônicos com componentes fabricados por outras empresas, muito utilizado até mesmo nos dias de hoje. Naquele tempo, a arquitetura aberta era um método ousado e perigoso, escolhido pela IBM para agilizar a produção e tornar o IBM PC mais interessante para seus usuários, apesar da apreensão de depender excessivamente de empresas terceiras.

Ao adotar a arquitetura aberta, a IBM se colocou em risco, mas a necessidade de adentrar rapidamente no mercado e a pressão para desenvolver o IBM PC eram tão grandes que eles toparam a aventura. Num misto de sorte e competência, a IBM conseguiu que a aposta desse certo, deixando os usuários otimistas com a facilidade em conseguir peças de upgrade, reposição e softwares diversos para uma experiência personalizada.

O IBM 5150, ou IBM PC marcou o início da era da informática doméstica na década de 1980 (Imagem: Reprodução / Ranger Digital)

Havia fortes rumores de que o ingresso da IBM no mercado de microcomputadores seria tardio, pois outras empresas já haviam lançado seus computadores pessoais e o Apple II parecia imbatível. Tal palpite se mostrou falso com o sucesso da linha da IBM até o ano de 1987, quando foi descontinuada. Com o IBM PC, a empresa se consolidou no mercado de microcomputadores, e iniciou inequivocamente a era de computadores para residências.

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Computadores domésticos

O IBM PC, mesmo sendo desenvolvido como um computador que serviria tanto para escritórios como para uso doméstico, acabou se tornando o primeiro computador popular nos lares estadunidenses, devido ao seu baixo custo em comparação com os outros produtos da empresa, além de uma utilização mais simples e versátil do que os dispositivos da concorrência. O objetivo inicial da IBM era vender 240 mil unidades em cinco anos, mas essa meta foi batida em apenas um ano. O Apple II já não era mais um problema.

O termo Personal Computer (PC) já era utilizado desde a década de 1970, mas com o lançamento do modelo 5150 e a sua marca Personal Computer, indicando produtos e softwares compatíveis com o novo computador portátil, foi criada a cultura de chamar qualquer computador pessoal de PC. As únicas exceções foram os dispositivos criados pela Apple, que foi a única marca a não oferecer compatibilidade com as criações da IBM, trilhando um caminho próprio.

Abaixo, é possível ver um vídeo mostrando um IBM 5150 em pleno funcionamento:

Projeto Chess

Frank Cary, CEO da IBM na época, afirmou que seriam necessários “quatro anos de trabalho e 300 funcionários” para o desenvolvimento do Model 5150. Era mais tempo e pessoal do que a empresa dispunha, dada a pressão para adentrar ao nicho mercadológico o quanto antes. Em julho de 1980, Bill Lowe, executivo na empresa, sugeriu a compra da Atari como empresa para produzir os componentes do 5150 ao alto escalão, que, na época, contava com John Opel como presidente. A proposta foi recusada.

Foi então quando Lowe alegou que conseguiria lançar o novo computador pessoal no prazo de um ano, desde que o modelo de produção até então utilizado pela IBM fosse drasticamente alterado, de forma a suportar a arquitetura aberta. Lowe, então, iniciou os trabalhos de desenvolvimento do IBM PC com ajuda de sua equipe, conhecida como "The Dirty Dozen", equipe que deu início ao Projeto Chess, ou xadrez, na tradução literal.

William Lowe posa ao lado de um IBM PC (Foto: The New York Times)

Inicialmente, muitos funcionários estavam insatisfeitos com os rumos que a empresa estava tomando, assim como acionistas e investidores, temendo que a IBM perdesse o foco. Entretanto, quando o Projeto Chess desenvolveu um protótipo que, embora não tenha se mostrado funcional, foi construído em apenas 30 dias (resultando na autorização para aumentar o número de funcionários para 150 pessoas trabalhando no projeto de desenvolvimento do Acorn, codinome inicial do 5150), cerca de 500 ligações de funcionários da IBM interessados em se juntar ao projeto foram recebidas no período de um único dia.

Lowe foi promovido após a entrega do protótipo e, para liderar o Projeto Chess em seu lugar, escolheu o engenheiro Don Estridge, que já havia trabalhado na NASA. Estridge utilizou seus conhecimentos como usuário de um Apple II para que o novo microcomputador superasse seu maior rival.

Eram outros tempos...

A maioria dos componentes do 5150 foi produzida por empresas parceiras, seguindo os controles de qualidade elevadíssimos da IBM, modelo que ainda é seguido por inúmeras fabricantes modernas de dispositivos eletrônicos, incluindo desktops, notebooks e até mesmo smartphones e tablets. Esse formato possibilita que cada empresa se especialize na fabricação de cada componente, fornecendo espaço para serviços mais especializados e, portanto, melhores.

Entretanto, é interessante analisar as gritantes diferenças entre o computador líder de mercado em 1981 e as máquinas que figuram atualmente para nosso uso doméstico. Por exemplo, o processador escolhido para o IBM 5150 foi o Intel 8088, de 16 bits, versão econômica do processador 8086, que havia sido lançado pela Intel em 1978 e muito avançado para a época, que utilizava majoritariamente processadores de 8 bits. A memória RAM era de até 1 MB, embora o dispositivo só suportasse 640 KB por limitações da BIOS e das placas-mãe, que poderiam ser do Tipo A, com 16/64k, ou do Tipo B, com 64/256k. Nos modelos mais básicos do 5150, não havia sequer o drive de disquetes, sendo substituído por um soquete adaptável às fitas cassetes.

Boa parte das vendas do IBM PC foram efetuadas graças aos usuários fiéis da marca, mas essa informação não inibiu o desejo da IBM de enveredar por táticas de marketing massivas. Personagem de Charlie Chaplin, "Carlitos, o Vagabundo", se tornou a cara da IBM por algum tempo, devido aos anúncios publicitários com o personagem interpretado por Billy Scudder, como pode ser visto na reprodução abaixo:

IBM no imaginário geek

De 2014 a 2017, foi ao ar a série Halt and Catch Fire, inspirada nos embates de empresas menores que entraram no mercado após a IBM utilizar a arquitetura aberta na produção do Model 5150. A trama trata de um pequeno grupo composto por 3 integrantes, sendo um deles um ex-executivo da IBM que está decidido a competir com a sua antiga empresa, criando novos microcomputadores por meio de engenharia reversa de hardware e software.

Veja, abaixo, o trailer de Halt and Catch Fire, dublado em português:

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