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Bocejar também é "contagiante" entre os animais, mas os motivos são outros

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  | 

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Sergio Vassio Photography/CC-BY-2.0
Sergio Vassio Photography/CC-BY-2.0

Bocejar é uma atividade que os humanos compartilham, sendo comum ouvir comentários sobre seu caráter contagiante. Não somos os únicos a fazer isso, já que outros animais também bocejam, mas porque fazem isso? Antes de tudo, porque nós o fazemos?

Não há um consenso científico sobre a utilidade do bocejo, e teorias variam da oxigenação do cérebro à regulação da temperatura corporal, manutenção da atenção e muitas hipóteses mais. De qualquer forma, o que podemos dizer com certeza é que bocejar está ligado ao ritmo circadiano, acontecendo logo após acordarmos e antes de dormir, mas sua utilidade real pode estar nas interações sociais.

O bocejo no reino animal

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Em alguns animais, é confirmado que o bocejo seja uma ferramenta de interação social importante. Para os avestruzes, por exemplo, o ato é uma maneira de sincronizar o comportamento do grupo, justamente na transição entre a vigília e o sono. É um sinal de que todos estão alertas ou descansando ao mesmo tempo, ajudando a preservar a segurança e o ritmo de todos.

Mas seu aspecto contagiante parece ser predominantemente humano, salvo raras exceções, como os chimpanzés e micos-leões, também primatas. Isso reforça a teoria de que, nos humanos, o bocejo é um modo de comunicação não-verbal, indo para além das funções fisiológicas, que desconhecemos exatamente.

Pesquisas indicam que ver ou ouvir alguém bocejar estimula regiões do cérebro ligadas à imitação e empatia, por exemplo. A empatia, falando nisso, parece ter um papel importante no quão suscetível alguém é a bocejar por conta do “contágio”.

Distúrbios que afetam o social, como o transtorno do espectro autista (TEA) e a esquizofrenia parecem fazer com que indivíduos afetados fiquem menos receptivos a bocejar quando observam outras pessoas bocejando.

Outras pesquisas, no entanto, indicam que respiração e temperatura corporal podem estar ligados ao tal contágio, sugerindo que a percepção desse aspecto seja exagerada, principalmente porque estudos sobre o assunto envolvem observar indivíduos em grupos.

Essa dinâmica pode influenciar a frequência observada dos bocejos, já que, neste caso, não seria a visão de alguém bocejando que gera a atividade, mas sim a presença de um grupo e as interações com ele.

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Bocejar com um colega de trabalho no intervalo de almoço, então, seria um ato gerado pelo contexto compartilhado — ter feito uma refeição juntos — e não porque o bocejo do colega influenciou você a fazer o mesmo ou vice-versa. Isso, é claro, ainda é uma teoria, mas com mais base científica do as outras até o momento. E você, quantas vezes bocejou lendo esta matéria?

Fonte: The Conversation