Estimulação elétrica no cérebro pode ajudar a tratar depressão, segundo estudo

Estimulação elétrica no cérebro pode ajudar a tratar depressão, segundo estudo

Por Nathan Vieira | 30 de Janeiro de 2021 às 10h00
Pete Linforth / Pixabay

O cérebro ainda é um engima sendo decifrado pela ciência e pela medicina. Na última segunda-feira (18), um estudo da Universidade da Califórnia publicado na revista Nature Medicine apontou que a estimulação elétrica no cérebro pode ter um efeito antidepressivo profundo, desde que os choques sejam cuidadosamente adaptados ao humor e sintomas específicos de cada paciente.

Por anos, os médicos têm investigado o uso de choques elétricos direcionados para tratar a depressão clínica e, embora muitos especialistas concordem que é um caminho promissor para o tratamento, a pesquisa produziu resultados complexos.

“Nos primeiros dias, fiquei um pouco preocupada que isso não funcionasse. Mas então, quando eles encontraram o lugar certo, teve aquela risada involuntária. Eu não ri de nada por uns cinco anos, mas de repente eu senti uma sensação genuína de alegria e felicidade", relembrou a voluntária do estudo, uma mulher de 36 anos com depressão severa.

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No estudo, os médicos identificaram três regiões cerebrais que poderiam estimular para aliviar a depressão, mas descobriram que só funcionava quando o paciente estava em um determinado estado mental. Caso contrário, a neuroestimulação teria o efeito oposto. Depois de resolver todos os problemas, o paciente saiu do estudo de dez dias e permaneceu sem depressão por seis semanas.

Estimulação elétrica no cérebro pode ajudar depressão, segundo estudo da Universidade da Califórnia (Imagem:  Robina Weermeijer / Unsplash)

Atualmente, a paciente continua a receber estímulos com choques imperceptíveis conforme a necessidade. “Esperamos que o fornecimento de neuromodulação suave ao longo de cada dia seja capaz de evitar que os pacientes caiam em episódios depressivos de longa duração”, afirmou a co-autora do estudo e psiquiatra da Universidade da Califórnia, Katherine Scangos.

Vale ressaltar que a pesquisa envolveu apenas um participante, mas os cientistas da universidade em questão estão usando-o como um piloto para um próximo ensaio clínico com mais voluntários, com neuroestimulação personalizada para cada caso. “Nosso ensaio será inovador, pois cada pessoa no estudo terá potencialmente um tratamento diferente e personalizado”, disse o autor sênior do estudo,  Andrew Krystal.

Fonte: Nature Medicine via Futurism

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