10 filmes para assistir no Amazon Prime Video durante o isolamento

Por Sihan Felix | 24 de Março de 2020 às 12h45
Summit Entertainment

Em um período que estamos todos necessitando de cuidados especiais contra uma pandemia, é provável que assistir a bons filmes durante o tempo a mais em casa seja uma das melhores saídas. Pensando nisso e partindo, desta vez, do Amazon Prime Video, o Canaltech preparou uma lista com filmes de gêneros variados, mas sem pensar exatamente em uma espécie de melhores filmes do catálogo. A ideia é indicar filmes bacanas para muitos gostos diferentes, tanto para assistir quanto para reassistir.

Sem mais demora e, como sempre, dentro de uma abordagem sem verdades absolutas, vamos à lista de 10 filmes para assistir no Amazon Prime Video durante a quarentena – a disposição só não é aleatória porque está em ordem alfabética (desconsiderando os artigos).

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10. As Aventuras de Paddington

Se a procura for por um filme-família, desses que hoje são mais difíceis de serem lançados (talvez por uma gana cada vez maior em se fazer filmes que vendam mais do que filmes que agradem – o que consequentemente os fariam ser rentáveis), As Aventuras de Paddington é, para mim, o que de melhor o cinema fez nos últimos muitos anos. Seja pela leveza com que trata as situações, seja pela naturalidade em apresentar um urso falante como um fato – sem que isso jamais seja contestado –, ou seja pelo enorme coração, o filme dirigido por Paul King (da pouco conhecida, mas bem interessante comédia dramática Bunny e o Touro, de 2009) merece ser um dos filmes mais vistos para quem precisa aquecer o peito nesses dias complicados.

Aonde Paddington vai, o caos mais hilário reina – algo que vai de um desastre em um banheiro a uma situação em escadas rolantes. Além de todo humor (muito inglês, mas nada contido), a aventura conta com uma antagonização de Nicole Kidman à la Cruella Cruel. Em cima de saltos e sem medo de se jogar em uma personagem que seria extremamente caricata se não fosse a abordagem de King, Kidman dá força e credibilidade ao todo do filme.

No mais, as referências a Wes Anderson são claras e nunca gratuitas. As Aventuras de Paddington é, no final as contas, o filme para toda família que Anderson faria; é um trabalho transparentemente realizado com muito carinho. Excluí-lo em um momento de isolamento pode não ser exatamente recomendado. E existe o a continuação que, apesar de ausente no catálogo do Amazon Prime Video, consegue ser ainda melhor.

9. O Bom Dinossauro

O Bom Dinossauro me fez marcas muito profundas que deverão cicatrizar e permanecer comigo como cicatrizes das boas; algumas pequenas, como as de Arlo (o protagonista); outras profundas, como a do grande Butch e sua história heroica. Seja semeando, plantando e colhendo como a família herbívora, seja controlando um rebanho como a carnívora, os animais que são vistos parecem viver em uma sociedade mais harmoniosa do que a nossa. E em um mundo no qual o ambiente está acima de qualquer espécie animal, o que é ressaltado pela lindíssima direção de arte, por meio da qual os personagens são elaborados como caricaturas em uma natureza realista (seria uma indireta para o papel que estamos desempenhando junto à natureza?).

Filmes como este me lembram o quanto estamos errados e o quanto precisamos melhorar se quisermos (excetuando qualquer catástrofe natural vinda do espaço ou alguma epidemia mortal inexplicável) viver, como espécie, um por cento do tempo que os dinossauros viveram.

8. A Bruxa de Blair

Em A Bruxa de Blair, gradativamente, enquanto o medo e o desespero crescem nos personagens, as personalidades deles surgem. Numa época em que as técnicas digitais podem nos mostrar quase tudo, o filme é um lembrete de que o que realmente nos assusta são as coisas que não podemos ver: qualquer barulho que escutamos com as luzes apagadas pode ser mais assustador do que aquilo que está fazendo o ruído.

E o visual de falso documentário por meio da realização de Daniel Myrick e Eduardo Sánchez (ambos estreando como roteiristas e diretores de cinema) não é apenas técnica. Há um jogo de causa e efeito que diz muito sobre sensações. Esfriando a paleta de cores em meio à floresta, a idealização de Myrick e Sánchez ganha vida própria, fazendo a floresta parecer hostil e desolada: a natureza como esconderijo para os segredos mais assustadores.

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7. Expresso do Amanhã

Se a luta de classes não é tão clara para você na filmografia de Bong Joon Ho, nem mesmo em Parasita, Expresso do Amanhã só não deixa isso mais claro porque não tem como. Nesse sentido, esse filme de 2013, que é dirigido pelo sul-coreano vencedor do Oscar 2020, é assustador por ser uma espécie de metáfora do que, na prática, acontece em um nível bem complicado no mundo real. Além disso, Joon Ho parece ligeiramente consternado com toda a situação, transformando Snowpiercer (no original e como está exposto no Amazon Prime Video) em seu filme mais graficamente pesado.

O filme ainda conta com Chris Evans em uma de suas melhores atuações, o lendário John Hurt, Jamie Bell e Octavia Spencer – fora a participação assustadoramente tosca de Tilda Swinton, a seriedade de Kang-ho Song (sempre presente nas obras de Joon Ho) e outro ator de peso que, caso você não tenha assistido, citá-lo pode funcionar como spoiler.

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6. Extraordinário

É verdade que se trata de um filme extremamente sentimental. A direção de Stephen Chbosky acelera o bem-estar do espectador com um clímax cheio de aplausos e no lugar mais clichê possível: uma assembleia escolar. Mas a conclusão de Extraordinário é válida por causa do caminho que ele percorre.

O filme se sai tão bem por tanto tempo que seu encerramento é totalmente perdoável. Lembro de ter conversado sobre o filme com uma turma de cinema formada por crianças de sete e oito anos de idade. Uma delas deu um depoimento que me fez colocar o filme entre um dos mais importantes para o público infantil dos últimos 10 anos. Ela disse que havia achado Auggie (Jacob Tremblay), o protagonista, estranho, mas aos poucos foi percebendo que ele era igual a todo mundo e, no fim, queria ser amiga dele.

Às vezes, essa força transformadora é muito necessária a um filme – ainda mais um que tem esse público e que, de repente, sobrevive como cinema justamente por sua penetração social. Um filme lindo que vale ser assistido com o olhar puro, com a ingenuidade de uma criança.

5. Guardiões da Galáxia

Um dos filmes mais queridos do Universo Cinematográfico Marvel é também um dos melhores. Guardiões da Galáxia não é um filme interessado em profundas questões filosóficas e dramas maiores do que um guaxinim. A direção e a coautoria do roteiro são de um sujeito estranhamente muito inteligente, que esteve à frente dos toscamente fenomenais Seres Rastejantes (de 2006) e Super (de 2010) – o que já deveria indicar a intenção da produção. James Gunn realizou um filme que está para o cinema quase como um irmão impulsivo da literatura de Douglas Adams (que de engraçada tem somente a camada superficial). O filme, se pudéssemos transformá-lo em um personagem da história do cinema ou da literatura, seria Sonny, entre os filhos de Vito Corleone.

4. John Wick: De Volta ao Jogo

É um filme que construiu não somente a imagem do seu protagonista em pouco tempo – ergueu toda uma lenda e um respeito: bastam 10 minutos e você já tem certeza que não se pode brincar com John Wick. Talvez escrever sobre as qualidades de John Wick: De Volta ao Jogo dentro do seu gênero acabe por me fazer alongar demais a indicação. A verdade é que se você gosta de um filme de ação, de um personagem bem construído pelas imagens e por poucos – mas pontuais – diálogos, não deve ter um filme nos últimos anos que seja mais imprescindível.

Aliás, na história do cinema de ação, a direção de Chad Stahelski e David Leitch é tão sobressalente aqui que me faz pensar que talvez seja muito difícil o filme não entrar em uma lista final de 10 maiores da história do seu gênero que eu venha a fazer. E isso se dá muito por essa direção que, consciente do roteiro até simplório que tem, constrói tudo com uma seriedade quase antológica. Um filmaço que tem duas continuações excelentes (especialmente o John Wick 3: Parabellum – também disponível no catálogo do Amazon Prime Video).

3. Lady Bird: A Hora de Voar

Greta Gerwig é uma roteirista e diretora fascinante: ela sabe utilizar as histórias mais clássicas e recontadas (como a de Adoráveis Mulheres) ou uma trama especialmente comum como a de Lady Bird: A Hora de Voar para ressaltar estigmas sociais e problemas estruturais do nosso meio.

Por essa perspectiva, é possível dizer que o trabalho de Gerwig contém referências significativas a Woody Allen e a, especialmente, Albert Brooks. Mas ela (Gerwig) é ainda mais empática e muito mais abrangente – sem comparações qualitativas. Lady Bird (sem subtítulo no original) traduz muito bem esse olhar empático e ágil ao seguir uma adolescente em sua transição para a maioridade.

2. Pi

Muito antes de polemizar com filmes como Noé e Mãe!, Darren Aronosky estreava na direção de um longa-metragem com Pi, há 22 anos. Não se trata de um filme exatamente convencional, mas é uma história honesta dirigida por um diretor então com apenas 29 anos de idade que segue um matemático paranoico.

Enquanto Maximillian Cohen (o matemático) procura um número-chave que desbloqueie padrões universais encontrados na natureza, Aronofsky constrói uma unidade muito sólida ao redor do personagem. O filme, pouco a pouco, vai se mostrando como em uma jaula, uma estrutura fechada, prestes a romper. Talvez essa paranoia – muito presente nos filmes de Aronofsky – tenha encontrado uma estrutura final em Cisne Negro (de 2010), mas Pi é a origem de tudo e já contém o que faria seu diretor ser reconhecido.

1. Projeto Flórida

Romântico, divertido, de partir o coração e humano acima de tudo. A história é construída como se o espectador estivesse ali do lado, acompanhando aquelas crianças e torcendo por elas. Ao mesmo tempo, traz duras críticas a uma realidade ocultada nos arredores de um dos maiores e mais ricos parques de diversões do mundo.

Bônus romântico: Ela

Não contente em expor uma discussão extremamente sadia em sua trama principal, Spike Jonze nos exibe relações de luto (entre Theodore e sua ex-esposa) e de amizade (junto à personagem de Amy Adams). Essa última é de uma beleza encantadora e quase tão íntima quanto a que norteia o filme. Ver os olhos de Adams brilhando enquanto escuta o desabafo do amigo ou observar o seu sorriso sincero ao ser abraçada por ele é lindíssimo.

Sobretudo, Jonze teve tanto cuidado ao criar a personagem para, nas entrelinhas, mostrá-la adiante de qualquer realidade virtual que seu nome é o mesmo da atriz que a interpreta, transformando-a em uma amiga acima da ficção, uma amiga que pode ser (por que não?) um amigo e que, especialmente nesse caso, pode ter outro nome.

Ao final, o que sobra é uma ironia: somente uma máquina ou quem nunca sofreu por amor (Seria, essa, uma sentença redundante?) sairá ileso de uma sessão de (ou com?) Ela.

Bônus Adam Sandler: Pixels

É um filme acima de qualquer suspeita? Não. É um dos melhores filmes protagonizados por Sandler? Também não. É clichê? Sim! Mas, como as boas comédias do tipo, é cheio de uma ingenuidade quase palpável. Junta-se a presença sempre marcante e competente de Peter Dinklage – que claramente está se divertindo com sua personagem – e voilà: temos um filme que pode, afinal, divertir um tanto.

Bônus para maratonar: The Office

A versão americana dessa série, que é protagonizada por Steve Carell, é das maiores maravilhas seriadas que assisti nos últimos tempos. Mas, como sou réu confesso na questão das séries em dia, criei esse bônus somente para deixar essa dica. É uma comédia ácida, de um humor fora da caixa e crítico... e Carell (que interpreta o gerente Michael Scott) é um gênio. Além de Rainn Wilson (que faz o impagável Dwight Schrute) e de tantos personagens hipnotizantes. Vale a pena.

Agora, ficam aí os comentários para que, em um momento tão delicado, possamos trocar indicações e ir criando uma corrente de filmes cada vez maior. Tenho certeza que vocês podem complementar e enriquecer tudo. Vamos conversando, debatendo...

É isso. Fiquem em casa, lavem as mãos, limpem os celulares, evitem levar as mãos ao rosto, cuidem-se e... bons e ruins filmes para nós!

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