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Pegadas mais antigas de Homo sapiens, com 135 mil anos, são achadas na África

Por| Editado por Luciana Zaramela | 30 de Maio de 2023 às 18h59

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McNutt et al/Nature
McNutt et al/Nature

Com um método de datação inovador, arqueólogos descobriram, na África do Sul, as pegadas mais antigas de Homo sapiens do mundo, com 153 mil anos. Nas últimas décadas, sítios arqueológicos da região têm dado diversos achados incríveis à ciência, incluindo pegadas de 3,66 milhões de anos em Laetoli, na Tanzânia, encontradas há mais de 40 anos e iniciando as pesquisas.

Na ponta leste do sul do continente africano, 7 sítios arqueológicos já trouxeram traços de humanos antigos. São icnosítios, ou seja, lugares que contém pegadas fossilizadas das mais diversas espécies, e, neste caso, de hominídeos e hominínios. A apenas algumas dezenas de quilômetros continente adentro, já foram encontradas mais de 100 trilhas preservadas em rochas, feitas tanto por nossos ancestrais quanto por humanos já extintos, bem como ancestrais mais recentes, já da espécie H. sapiens.

Publicado no periódico científico Ichnos, um estudo contando detalhes sobre a mais recente descoberta no local mostra que a equipe internacional de pesquisadores utilizou luminescência oticamente estimulada (LOE) para descobrir a idade das pegadas humanas da África do Sul.

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O que querem dizer as pegadas de Homo sapiens

Os icnosítios da África do Sul já nos trouxeram 4 trilhas repletas de pegadas de hominínios, nossos ancestrais antigos, uma delas com impressões fossilizadas de um joelho e todas apresentando amoglifos, ou seja, padrões feitos por linhagens humanas e preservados pelo tempo, não apenas pegadas.

Além de indicar que humanos já passaram pela região, vestígios de pegadas também trazem evidências de suas atividades. Na região, já foram encontrados adornos pessoais, como joias, ferramentas complexas de pedra, símbolos abstratos, restos de frutos do mar pescados e abrigos de pedra, tanto na costa quanto continente adentro.

Datação por luminescência

O método utilizado para a datação — LOE — estima, na verdade, o tempo passado desde a última exposição ao sol dos minerais ao redor das pegadas fossilizadas, como quartzo ou feldspato. Quando o local pisado é coberto rapidamente por sedimentos, a tecnologia se torna bastante útil para descobrir a idade das evidências. As amostras do Parque Nacional Garden Route, que guardava os restos, foram datados para 153 mil anos atrás, com uma margem de erro de 10 mil anos.

Há pegadas mais antigas de outras espécies de hominínio em locais na África, Europa e Ásia, mas a identificada no estudo foi feita por espécimes de Homo sapiens, mesma espécie humana que a nossa, que evoluiu na África há cerca de 300 mil anos. A maior parte das amostras datava entre 70 mil e 130 mil anos atrás, o que justifica a surpresa ao encontrar evidências mais antigas. Segundo os pesquisadores, é um ótimo incentivo para procurar pegadas em depósitos mais antigos ainda.

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Os cientistas ainda lembram que a definição das pegadas para uma espécie de humano ou outra depende mais de artefatos arqueológicos circundantes e restos de ossos do que do formato das pegadas em si — nem todos os sítios arqueológicos trazem evidências conclusivas, então controvérsias e debates ainda podem circundar o tema.

Há, espera-se, mais icnosítios na costa sul do país, mas esses locais são vulneráveis à erosão, então calha explorá-los o mais rápido possível, antes que sejam consumidos pelo oceano e pelo vento.

Fonte: IchnosThe Conversation, LiveScience