Fósseis mais antigos de misteriosa linhagem humana são descobertos na Sibéria

Fósseis mais antigos de misteriosa linhagem humana são descobertos na Sibéria

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 03 de Dezembro de 2021 às 13h40
Twenty20photos/Envato Elements

Na Sibéria, pesquisadores encontraram os fósseis mais antigos — até hoje descobertos — de uma antiga linhagem humana, os denisovanos. Com as escavações, foi possível identificar três fragmentos de ossos dessa espécie com mais de 200 mil anos. Artefatos de pedra e pistas sobre a alimentação do grupo também foram achados.

Os detalhes dessa descoberta histórica foram publicados na revista científica Nature Ecology & Evolution. Até então, os primeiros espécimes denisovanos conhecidos tinham cerca de 122 a 194 mil anos e foram identificados também na Sibéria ou na China.

"Identificamos cinco novos ossos de hominídeo, quatro dos quais continham DNA suficiente para análise mitocondrial. Três carregam DNA mitocondrial do tipo denisovano e um foi encontrado para carregar o mtDNA do tipo neandertal", detalham os pesquisadores sobre as descobertas da expedição.

Fósseis mais antigos dos denisovanos são encontrados (Imagem: Reprodução/Brown et al., 2021/Nature Ecology & Evolution)

Quem são os denisovanos?

Vale explicar que os denisovanos são um ramo extinto da árvore genealógica humana. Também é consenso no mundo científico que estes são os parentes mais próximos conhecidos dos humanos modernos, junto com os neandertais. Inclusive, na recente descoberta, fósseis das duas espécies foram encontrados no mesmo local.

Através de análises do DNA extraído de fósseis denisovanos, os cientistas entendem que a espécie viveu na Ásia continental e nas ilhas do sudeste da Ásia e Oceania. Inclusive, as análises genéticas apontam que pelo menos dois grupos distintos de denisovanos cruzaram com ancestrais dos humanos modernos.

Estudos na caverna de Denisova, Sibéria

Neste novo estudo, os pesquisadores examinaram cerca de 3,7 mil vestígios de ossos encontrados na caverna de Denisova. De acordo com o relato do grupo, o objetivo da pesquisa era identificar proteínas específicas dos denisovanos. Estes indicadores foram previamente definidos a partir de pesquisas anteriores com o DNA dessa linhagem.

No total, os cientistas identificaram cinco ossos de hominídeos, sendo que quatro deles continham DNA suficiente para revelar a sua verdadeira identidade. Dos quatro, três eram dos denisovanos. Com base nas semelhanças genéticas identificadas, dois desses fósseis podem ser de um único indivíduo ou de indivíduos aparentados.

Artefatos e detalhes da alimentação

Na mesma camada de terra em que estavam os ossos, a equipe identificou uma série de artefatos em pedra e de restos de animais, que devem servir como fonte de novos insights, descobertas e estudos sobre o comportamento e hábitos desta espécie.

"Esta é a primeira vez que podemos ter certeza de que os denisovanos foram os criadores dos vestígios arqueológicos que encontramos associados a seus fragmentos ósseos", conta Katerina Douka, autora sênior do estudo e pesquisadora da Universidade de Viena, na Áustria, para a Live Sicence.

Quanto aos restos de animais presentes na caverna, os vestígios sugerem que os denisovanos, provavelmente, se alimentavam de veados, gazelas, cavalos, bisões e rinocerontes. "Podemos inferir que os denisovanos se adaptaram bem a seus ambientes, utilizando todos os recursos disponíveis", completou Douka.

Fonte: Nature LiveScience    

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