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Ossos de Homo Sapiens encontrados na Alemanha revolucionam arqueologia

Por| Editado por Luciana Zaramela | 06 de Fevereiro de 2024 às 11h24

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Neanderthal-Museum, Mettmann/CC-BY-4.0
Neanderthal-Museum, Mettmann/CC-BY-4.0

Com 45.000 anos, ossos escavados em uma caverna na Alemanha mostram que o Homo sapiens chegou à Europa milhares de anos antes do que se acreditava, mudando drasticamente o entendimento da ciência sobre o espalhamento da espécie. Nessa época, os neandertais (Homo neanderthalensis) já estavam muito à vontade no continente.

O local em questão, no centro do país, é a caverna de Ilsenhöhle, que fica abaixo da colina de um castelo na cidade de Ranis. Antes do achado de 13 esqueletos de humanos antigos na localidade, os fósseis mais antigos de H. sapiens no noroeste e centro-nordeste da Europa tinham cerca de 40.000 anos de idade.

Humanos antigos na Europa

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O achado foi confirmado por DNA mitocondrial — que mostra a linhagem materna — e datação por radiocarbono. Além dessa novidade, a pesquisa também confirmou que a região era mais fria na época do que atualmente, apresentando uma mistura de tundra com estepe semelhante às atuais Sibéria e Escandinávia.

A caverna em questão teria sido usada como um ponto de parada para caçadores-coletores da espécie humana durante expedições de caça, sem moradia fixa. Quando da falta de humanos, a caverna teria sido ocupada por ursos-das-cavernas (Ursus spelaeus) e hienas-das-cavernas (Crocuta crocuta spelaea).

Outros ossos do local indicam que os H. sapiens caçavam grandes mamíferos, como renas, bisões, rinocerontes e cavalos. Isso teria gerado uma competição por recursos com os primos neandertais. Outro mérito do estudo ainda está na descoberta de quem produziu os artefatos de Lincombe-Ranis-Jerzmanowici (LRJ), uma cultura representada por lâminas de pedra em formato de folha usadas como pontas de lança.

Como não havia evidências de humanos modernos nos locais e épocas de origem de tais objetos, alguns especialistas acreditavam que os responsáveis eram os neandertais, o que foi desmentido com o estudo — como há H. sapiens na região, provavelmente foram nossos ancestrais os verdadeiros fabricantes.

A caverna em si já havia sido escavada em 1930, mas, com a falta de tecnologia para identificar os ossos e a chegada da 2ª Guerra Mundial, os esforços tiveram de parar. Entre 2016 e 2022, novas escavações encontraram mais ossos e conseguiram identificar a quem pertenciam os restos.

Fonte: Nature, Nature Ecology & Evolution