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Nova técnica arqueológica revoluciona estudo de humanos do passado

Por| Editado por Luciana Zaramela | 10 de Junho de 2024 às 18h22

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 Sven Kleinhapl/Universitat de València
Sven Kleinhapl/Universitat de València

Uma nova técnica arqueológica usada para estudar um forno neandertal pode revolucionar a ciência graças à sua capacidade de revelar a idade de objetos com precisão. Pesquisadores de várias áreas de estudo se juntaram para analisar seis fornos dos neandertais (Homo neanderthalensis) em El Salt, um sítio paleontológico da Espanha, construídos dentro de um período de 200 a 240 anos.

Cada forno teria sido construído com pelo menos algumas décadas de diferença, e saber esse número com precisão era um grande desafio com métodos antigos de investigação. Estudar o Paleolítico, ou Idade da Pedra Lascada, entre 3 milhões de anos e 12 mil anos atrás, era desafiador por conta grande escala de tempo envolvida.

Técnicas de datação por radiocarbono, por exemplo, só funcionam em objetos com, no máximo, 60 mil anos, e outras têm margens de erro grandes.

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Neandertais no paleolítico

Algumas teorias arqueológicas afirmam que os caçadores-coletores do paleolítico eram bastante nômades, mas saber o tempo entre a montagem de cada acampamento e o tamanho dos grupos viajantes com precisão era difícil. Na pesquisa mais recente, foram avaliados fornos de 52 mil anos com uma técnica inovadora que pode facilitar as coisas para a arqueologia.

A tecnologia é uma mistura de arqueoestatigrafia — ou seja, o estudo das camadas geológicas modificadas por humanos — e datação arqueomagnética, que avalia a época em que objetos foram queimados através do magnetismo. Assim, foi possível descobrir a ordem em que os fornos foram criados baseado em sua posição relativa nas camadas do solo.

Materiais queimados “guardam” uma assinatura do campo magnético da Terra, já que as altas temperaturas movem alguns metais em seu interior na intensidade e direção sofridas na época da queima. Isso ajudou a determinar que os fornos foram criados com algumas décadas de diferença, ou, no máximo, um século. Isso revela aspectos importantes do comportamento dos neandertais.

Assim, é possível saber padrões de mobilidade, mudanças tecnológicas e diferenças no uso do espaço pelos humanos do passado, segundo Santiago Sossa-Ríos, um dos autores do estudo, que emitiu um comunicado sobre a obra. Ele e sua equipe confirmaram o aspecto nômade dos neandertais, mas também seu retorno a assentamentos antigos depois de longos períodos.

Aplicar um tempo de vida de uma geração humana em uma área de pesquisa que investiga comportamentos na escala de tempo de séculos e milênios dá à ciência uma ferramenta precisa e importante na determinação das atividades dos humanos de outros tempos.

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Fonte: Nature, Universitat de València