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Povos das montanhas na Idade da Pedra já eram agricultores avançados

Por| Editado por Luciana Zaramela | 27 de Dezembro de 2023 às 16h06

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SciTechDaily/Universidad de Córdoba
SciTechDaily/Universidad de Córdoba

Cientistas estudaram as sociedades das montanhas da Idade da Pedra na Espanha e descobriram que suas técnicas de criação animal e plantio eram muito mais avançadas do que se pensava. Publicada no periódico científico Frontiers in Environmental Archaeology, a pesquisa é a primeira a juntar análises de isótopos de carbono e nitrogênio com investigações arqueozoológicas, ou seja, de restos preservados de animais.

A região em questão é a dos Pirineus Oscanos (ou Huescanos), no nordeste espanhol — mais especificamente, o sítio arqueológico de Coro Trasito, na região de Sobrarbe, província de Aragão —, onde se pensava que os homens da pré-história se limitavam à transumância dos animais, ou seja, a movimentação dos rebanhos de acordo com a estação para garantir melhor alimentação. Os responsáveis pela pesquisa são da Universidade de Évora, Universidade Autônoma de Barcelona e Governo de Aragão.

Criação de animais na Idade da Pedra

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As populações estudadas habitaram as regiões montanhosas altas — mais de 1.500 metros acima do nível do mar — dos Pirineus Oscanos durante o início do Neolítico, também conhecido como Idade da Pedra Polida, aproximadamente entre 6.500 e 7.500 anos atrás. O foco da pesquisa esteve na ecologia animal, gerenciamento de criações animais e alimentação dos rebanhos.

Para tal, foram realizadas análises de isótopos de nitrogênio e carbono estável no colágeno dos ossos preservados na região, dados que informam a dieta e posição dos animais na cadeia alimentar. Juntando essas informações com análises archeozoológicas, foi possível documentar como cada criação era alimentada e gerenciada — na época e região estudadas, os primeiros habitantes mantinham rebanhos pequenos com números reduzidos de cada espécie.

Os animais criados eram vacas (Bos taurus), cabras (Capra hircus), ovelhas (Ovis aries) e porcos (Sus domesticus), usados principalmente para produção de leite e obtenção de carne. Um dos aspectos interessantes levantados pela pesquisa foi o crescimento da importância dos porcos durante o Neolítico, que, nos próximos milhares de anos, continuaram a figurar como aspecto econômico importante da região.

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Em alguns casos, o gerenciamento dos rebanhos eram bem diferentes, incluindo a busca por pastagens melhores e provisão de alimentos forrageados, principalmente vindos de excedentes agrícolas. Isso mostra que as práticas agrícolas de Coro Trasito foram consolidadas ainda no início do Neolítico, muito antes do que se pensava, além da demonstração científica de como os rebanhos se adaptaram às condições ambientais da caverna onde fica o sítio arqueológico.

Os habitantes locais usavam, principalmente, recursos domésticos, criando até mesmo estruturas de armazenamento, mostrando como o processo de neolitização dos Pirineus foi complexo e como a região foi rapidamente integrada ao sistema econômico da época.

Fonte: Frontiers in Environmental Archaeology