Nosso planeta seria muito estranho se a Terra fosse plana. Entenda o porquê!

Nosso planeta seria muito estranho se a Terra fosse plana. Entenda o porquê!

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 27 de Julho de 2021 às 14h00
Pixabay/ParallelVision

A ciência é, para nós, uma excelente ferramenta que nos permite entender mais dos mistérios do mundo natural. É graças a ela, por exemplo, que temos certeza do formato esférico da Terra. Apesar disso, algumas pessoas ainda acreditam que nosso planeta não passa de um disco plano — mas, como a ciência se baseia em evidências e comprovações, e não em crenças e opiniões, ela também explica como o mundo seria um lugar estranho se nosso planeta fosse plano.

A vida na Terra — e tudo o que nela existe — levou bilhares de anos para ser moldada. E tudo isso seguindo as leis da natureza, incluindo a ação de fatores como a gravidade, que tem uma relação direta com a matéria e, consequentemente, com o formato dos corpos celestes. Portanto, é necessário um exercício de imaginação para conceber como seria um mundo naturalmente plano.

Nesta matéria, você confere oito cenários de como a vida em uma Terra plana seria, no mínimo, muito estranha.

Quer ficar por dentro das melhores notícias de tecnologia do dia? Acesse e se inscreva no nosso novo canal no youtube, o Canaltech News. Todos os dias um resumo das principais notícias do mundo tech para você!

Adeus, gravidade

(Imagem: Reprodução/NASA)

O formato esférico da Terra se deve à gravidade, que atrai tudo para o centro do planeta. Por isso, para viabilizar a um mundo plano, precisamos cancelar os efeitos da gravidade — pelo menos, como a conhecemos. A partir daqui, tudo começa a ficar bem estranho: de acordo com os cálculos do matemático e físico James Clerk Maxwell, realizados na década de 1850, uma Terra plana talvez nem tivesse atração da gravidade, pois somente isso permitiria a um mundo com formato de disco se manter assim.

Considerando que este mundo plano tivesse a sua gravidade — isto é, fora dos padrões que a ciência nos apresenta —, ele atrairia tudo para o centro do disco — ou para o polo Norte. No entanto, o geofísico James Davis, do Lamont-Doherty Earth Observatory, da Universidade Columbia, explica que, nesse cenário, quanto mais distante do centro do disco você estivesse, mais horizontal seria um “puxão” gravitacional em direção a ele.

Atmosfera para quê?

(Imagem: Reprodução/Dimitris Vetsikas/Pixabay)

Graças à gravidade, a Terra esférica consegue manter uma tênue camada de gases, entre eles nosso precioso oxigênio, sendo essa camada conhecida como atmosfera. Entretanto, em um mundo plano, o planeta não estaria coberto por esse "cobertor" que nos protege, por exemplo, de pequenas rochas espaciais, que se queimam com o atrito nesta camada.

Ainda, sem essa camada de ar, a luz do Sol não se dispersaria ao adentrar a atmosfera terrestre; logo, não existiria um lindo céu azul. Além disso, Luis Villazon, zoólogo e educador, ressalta que também não existiria a pressão atmosférica, que tem papel fundamental no clima — tanto nas temperaturas quanto nos movimentos dos ventos, bem como na formação das chuvas.

E mais: em nosso mundo esférico, com as condições conhecidas de pressão atmosférica, a água ferve em seu ponto de ebulição, que é de 100 ºC (ao nível do mar). Mas, em um mundo plano, sem a camada atmosférica, o ponto de ebulição da água seria bem menor do que os 100 °C — ou seja, a preciosa água do planeta evaporaria para o espaço.

Nublado com chuvas laterais

(Imagem: Reprodução/Unplash/Todd Turner)

Considerando que a gravidade de um mundo plano atraia tudo para o centro do disco (polo Norte), a precipitação de eventuais chuvas ocorreria em direção a esse ponto. E apenas no centro dessa Terra plana o clima se comportaria da maneira como conhecemos, onde a chuva tende a cair em linha reta ao encontro do chão — claro, desconsiderando outras ações, como os ventos.

Outra característica desse mundo plano seria a água de seus rios e mares, que também fluiria em direção ao polo Norte. Isto significa, segundo James, que vastos oceanos se acumulariam no centro desta Terra, praticamente deixando suas bordas sem qualquer água.

Ficaríamos perdidos

(Imagem: Reprodução/cookelma/Envato)

Em uma Terra plana, provavelmente os satélites nem existiriam — afinal, como orbitar um mundo que não é esférico? Com isso, nossa localização no mundo, bem como muitos serviços essenciais que dependem destas tecnologias, não funcionariam. O geofísico James Davis, diz que "não consigo imaginar como o GPS funcionaria em uma Terra plana".

Dependemos do sistema de navegação por satélite (Global Navigation Satellite Systems – GNSS) para quase tudo, desde serviços de localização simples, como o GPS do nosso celular, até trabalhos mais complexos, como serviços de emergência. Talvez uma das poucas maneiras de se orientar nesse mundo plano seria através da chuva horizontal, que cairia em direção ao centro do disco.

Viagens durariam uma eternidade

(Imagem: Reprodução/Flickr/AJ Wilson)

Uma simples viagem se tornaria bem demorada não apenas pela ausência do GPS, mas por causa das distâncias que precisaríamos percorrer entre um ponto de partida e o de destino. Segundo a crença do terraplanismo, o Ártico se encontra no centro do mundo plano, enquanto a Antártida seria uma gigante plataforma de gelo em toda extensão da borda — aliás, essa parede seria a responsável por impedir que qualquer desatento caísse da borda.

Agora, imagine que, em um mundo plano, para viajar da Austrália (que fica de um lado do mundo plano), até a Antártida (localizada em outro lado desse disco) levaria muito mais tempo do que em um planeta esférico, além de ser obrigado a percorrer todo o Ártico no centro.

Sem auroras e sem proteção

(Imagem: Reprodução/Mia Stålnacke)

No centro do nosso mundo esférico, o metal fundido girando a uma altíssima velocidade ao redor do núcleo de ferro produz uma corrente elétrica, formando o campo magnético que se estende de um polo a outro. Esse campo nos protege dos ventos solares — e prova disso são as auroras que se formam quando as partículas altamente carregadas do Sol se chocam com as moléculas de oxigênio e nitrogênio da atmosfera.

A ausência das auroras seria o menor dos problemas, porque, em um mundo plano, nem mesmo um núcleo existiria, muito menos um campo magnético — ou seja, estaríamos desprotegidos. A Terra, e tudo em sua superfície, seria varrida pela radiação solar, restando apenas um mundo frio e deserto (como Marte é hoje).

Um único céu noturno

(Imagem: Reprodução/Alan Dyer/AmazingSky.co)

Uma Terra plana não seria dividida em hemisférios — como o Norte e Sul do nosso mundo esférico —; logo, noite e dia não funcionariam numa dinâmica invertida. Outro ponto é que o céu noturno seria o mesmo para todos, independentemente de onde fosse o ponto de observação no disco. Ou seja: quem estivesse no norte da Terra plana veria o mesmo céu noturno de quem estivesse no Sul. Já em nossa Terra esférica, vemos estrelas e constelações diferentes a depender de onde estivermos no globo.

Além disso, sem uma visão em 360º do universo observável, proporcionado por nossa Terra esférica, importantes descobertas científicas baseadas em observações do solo seriam perdidas. Apenas telescópios baseados no espaço poderiam nos oferecer uma visão “completa” do cosmos.

Sem furacões

(Imagem: Reprodução/ESA/NASA)

Furacões e ciclones são tempestades tropicais que surgem na faixa equatorial da Terra esférica, como resultado da dinâmica da atmosfera nos polos. Basicamente, enquanto o planeta gira em torno de seu eixo, os ventos do hemisfério Norte seguem no sentido horário, enquanto os do Sul, no anti-horário. Mas uma Terra plana seria estacionária, ou seja, não haveria nenhum efeito desses ventos contrários em seu equador — até porque, nem existiria um.

Fonte: Space.com

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.