Como é a gravidade em outros planetas do Sistema Solar?

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 25 de Março de 2021 às 15h30
maxxyustas/Envato

Por que os objetos caem? Ou, então, por que existe o peso? A gravidade é o fenômeno responsável por estes eventos corriqueiros do mundo físico, e está diretamente ligada à massa de um corpo. A Terra, por exemplo, tem matéria o suficiente para manter uma atmosfera e até mesmo um satélite natural tão grande quanto a Lua — mas como funciona a gravidade em outros planetas?

No universo, existem quatro forças fundamentais; entre elas: a força eletromagnética (atração ou repulsão de corpos dependendo das cargas elétricas), a força nuclear (nível atômico, dividida em "forte" e "fraca") e a força gravitacional que é, nada mais, do que a atração que qualquer matéria exerce sobre a outra. A Lei da Gravitação Universal, proposta por Isaac Newton — sim, aquele mesmo que, supostamente, teve a cabeça atingida por uma maçã —, no século XVII, diz que a gravidade é a força de atração que surge entre dois corpos por conta da presença deles em um ponto do espaço.

Se o nosso corpo pesa, é porque a massa da Terra está exercendo uma atração em sua direção. E o oposto também acontece: a massa do nosso corpo atrai a Terra, mas, claro, com uma intensidade muito menor do que a atração gravitacional imposta pela Terra em todos nós. No século XX, Albert Einstein propôs que a gravidade é, na verdade, uma curvatura no tecido espaço-tempo causada pela presença de um corpo massivo. Essa deformação explicaria a atração entre os corpos próximos.

É necessário também apontarmos a diferença entre massa e peso nos conceitos de física. O quilograma é uma unidade de medida da massa e, se um objeto tem uma quantidade "x" massa na Terra, ele também terá a mesma quantidade de massa em Marte. A massa de um objeto não será diferente se ele migrar para qualquer lugar do universo. O que varia de um mundo para outro é a aceleração gravitacional, o que impacta, diretamente, no peso. Afinal, peso é o resultado da massa combinada com a gravidade.

A aceleração gravitacional em nosso planeta é de aproximadamente 9,8 m/s². O peso pode ser calculado a partir da multiplicação entre esses dois fatores: “P (peso) = m (massa) . g (aceleração gravitacional)”, onde a unidade padrão do peso é o Newton (1 N). Aqui na Terra, um corpo com 1 kg de massa tem um peso de aproximadamente de 9,8 N. Em outros planetas, o objeto com 1 kg de massa continua com a mesma quantidade de matéria, mas seu peso muda conforme a aceleração gravitacional deste outro mundo.

Terra fotografada pelo satélite Suomi NPP. A gravidade do nosso planeta é capaz de manter o formato circular (Imagem: Reprodução/NASA)

A gravidade é responsável por determinar a pressão, a densidade e a temperatura na atmosfera de mundos, mas isso vai depender da massa dele. Estes mesmos fatores influenciam diretamente no comportamento dos elementos químicos no planeta — é uma força que atua em como pode ocorrer a vida em um mundo. Aqui na Terra, se não fosse a gravidade, ou se ela não tivesse a intensidade que tem, talvez não existisse o ciclo da água como o conhecemos. Em teoria, a gravidade funciona da maneira em todos os planetas — e no universo como um todo. O que determina a “força” de atração de um corpo é a sua quantidade de massa.

Descubra como é a gravidade em outros planetas

Mercúrio

Hemisfério sul de Mercúrio, um mosaico com fotos feitas pela sonda Mariner 10 (Imagem: Reprodução/NASA/JPL)

O planeta mais próximo ao Sol é pequeno demais para manter uma atmosfera ou para exercer grande atração sobre outros corpos. Lá, as coisas são bem mais leves do que aqui, pois a aceleração gravitacional de Mercúrio é de aproximadamente 3,7 m/s². O planeta, por ter menos massa do que a Terra, atrai outros corpos com uma força menor.

Vênus

Vênus capturado pela sonda Mariner 10, com sua espessa atmosfera. O planeta tem quase o mesmo tamanho que a Terra (Imagem: Reprodução/NASA/JPL)

O segundo planeta depois do Sol tem um tamanho semelhante ao da Terra, ou seja, sua gravidade é maior do que a de Mercúrio. Vênus tem uma atmosfera densa e rica de gases do efeito estufa, como o dióxido de carbono. Sua aceleração gravitacional é de 8,87 m/s².

Marte

O planeta Marte é menor do que a Terra e possui uma fina camada atmosférica. Registro feito pela Mars Orbiter Camera (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

O Planeta Vermelho é menor que a Terra, mas um pouco maior do que Mercúrio. As coisas lá em Marte são mais leves com sua aceleração gravitacional de 3,71 m/s².

Júpiter

O maior planeta do Sistema Solar, Júpiter, capturado pela sonda Juno (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS)

Por se tratar do maior planeta do Sistema Solar, Júpiter exerce a maior atração gravitacional entre todos os planetas da nossa vizinhança. Sua aceleração gravitacional é cerca de 24,79 m/s². Se o planeta tem centenas de vezes a massa da Terra, logo sua força de atração será bem maior do que a terrestre.

Saturno

O senhor dos anéis, Saturno, registrado pela sonda Cassini (Imagem: Reprodução/NASA, ESA, A. Simon, M.H. Wong, OPAL Team)

Saturno é um pouco menor do que Júpiter, e também menos massivo; logo, sua gravidade será menor. Sua aceleração gravitacional é de 10,44 m/s².

Urano

O planeta Urano registrado pela sonda Voyager 2 (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

Urano nem chega perto da enorme gravidade de Júpiter: sua aceleração gravitacional é de 8,69 m/s².

Netuno

Netuno capturado pela sonda Voyager 2 (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

O oitavo e último planeta do Sistema Solar possui mais massa do que seus vizinhos próximos — e mais atração gravitacional também. Sua aceleração gravitacional é de 11,15 m/s².

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