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Nariz dos gatos possui anatomia complexa responsável por olfato apurado

Por| Editado por Luciana Zaramela | 30 de Junho de 2023 às 18h53

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twenty20photos/envato
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Embora a fama de bons farejadores recaia principalmente sobre os cães, os gatos também possuem habilidades avançadas no reconhecimento de cheiros — e agora estamos descobrindo mais sobre o sistema que dá um olfato apurado aos felinos domésticos. Com tomografias e cortes no tecido de um gato falecido doado para estudo, foi criado um modelo computacional do nariz do animal, revelando canais espiralados cheios de sensores.

Os canais em formato de bobina são chamados de conchas nasais, cornetos ou turbinas, e também estão presentes em outras espécies de mamíferos. Cientistas teorizam que tais estruturas anatômicas funcionem nos gatos como um cromatógrafo gasoso, sistema complexo que separa diferentes compostos a partir de sua solubilidade — os que dissolvem com mais dificuldade no muco nasal viajam mais a fundo no nariz do que os facilmente dissolvíveis, ligando-se a receptores mais distantes.

Olfato dos gatos e de outros animais

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Gatos e outros animais usam o olfato para buscar alimento, detectar perigos e reconhecer companheiros de espécie. O sistema espiralado do nariz dos bichanos é mais de 100 vezes mais eficiente do que o caminho reto encontrado nos anfíbios e em alguns mamíferos, conseguindo reunir mais receptores de cheiro em um espaço craniano confinado. Aliás, mesmo os mamíferos que também possuem cornetos nasais podem ficar bem aquém dos gatos no quesito faro.

Nos gatos domésticos, as turbinas nasais parecem ser altamente complexas em comparação com outras espécies de mamíferos, aparecendo muito mais nesses felinos do que em ratos ou humanos, por exemplo. Não é a primeira vez que a analogia do cromatógrafo gasoso é utilizada — ela surgiu nos anos 1960, mas, à época, aparecia na descrição de anfíbios, que possuem uma estrutura nasal muito mais simples.

Estudos anteriores mostraram que outros bons farejadores, como ratos, linces e cães também possuem estruturas espiraladas no nariz. A nova pesquisa, no entanto, é a primeira que aponta a presença de tais canais nos gatos domésticos.

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A alta sensibilidade nasal dos felinos de estimação pode explicar comportamentos como a “cara de nojo” ao farejar algo desagradável — assim como nós, quando cheiramos algo azedo, os animais tentam fechar as vias nasais para não inalar o cheiro muito profundamente.

Nos passos seguintes, os cientistas devem ligar estudos computacionais como esse a investigações fisiológicas nos animais, mapeando a solubilidade de diversos compostos e seus odores em locais com receptores olfativos específicos dos bichanos. Agora sabemos o quão sofisticados são os narizes dos gatos, mas não devemos vê-los integrando esquadrões antibomba tão cedo — eles são, como sabemos, bastante difíceis de treinar.

Fonte: PLOS Computational Biology via Scientific American