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Guerra em larga escala ocorreu 1.000 anos antes do que se pensava na Europa

Por| Editado por Luciana Zaramela | 06 de Novembro de 2023 às 15h05

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Fernández-Crespo/Scientific Reports
Fernández-Crespo/Scientific Reports

Arqueólogos analisaram novamente mais de 300 restos mortais com mais de 5.000 anos de uma escavação na Espanha e descobriram sinais de que esses mortos poderiam ter sido vítimas das primeiras guerras em larga escala na Europa, cerca de 1.000 anos antes do que se estimava anteriormente. Publicada no periódico científico Scientific Reports, a pesquisa mostra um grande número de vítimas e prevalência de ossos masculinos, sinal de um longo período de conflito, possivelmente meses.

A área de pesquisa em si é um pouco obscura para a ciência. O Neolítico (ou Idade da Pedra Polida) Europeu data de 9.000 a 4.000 anos atrás, e pouco se sabe sobre as brigas internas humanas do período — estudos anteriores sugeriam que conflitos da época se limitavam a invasões curtas, durando não mais do que alguns dias e envolvendo grupos pequenos, com não mais do que 20 a 30 pessoas.

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Acreditava-se que os povos do passado não tinham a capacidade logística de sustentar conflitos maiores e mais longos, com o primeiro destes sendo posto na Era do Bronze, entre 4.000 e 2.800 anos atrás.

Sinais de guerra neolítica

Para a análise, foram reavaliados os esqueletos de 338 indivíduos do sítio arqueológico espanhol em questão, no afloramento rochoso San Juan ante Portam Latinam, em busca de traumas cicatrizados e não cicatrizados. O local era uma vala comum em uma caverna rasa na região de Rioja Alavesa, no norte da Espanha, cuja datação por radiocarbono é determinada entre 5.400 e 5.000 anos atrás.

No local também foram encontradas 52 pontas de flecha de sílex, e estudos anteriores mostraram que 36 delas trazem pequenos danos associados à colisão com alvos. Dos indivíduos da caverna, 23,1% apresentam lesões no esqueleto, e 10,1% deles com lesões que não foram curadas. Isso é bem maior do que a taxa de lesão média estimada para o período, que fica entre 7% a 17% para qualquer ferimento e 2% a 5% para ferimentos não cicatrizados.

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Outro cálculo mostra que 74,1% das lesões não curadas e 70% das curadas foram feitas em homens adolescentes ou adultos, uma taxa bem maior do que a presente nas mulheres, uma diferença também nunca vista em sítios com fatalidades em massa do Neolítico europeu. A taxa de lesões, a prevalência em indivíduos masculinos e a indicação de uso nas pontas de flecha indicam que muitos dos enterrados no sítio arqueológico foram submetidos a violência, podendo ter sido baixas em conflitos de larga escala.

O que sugere um conflito duradouro, especificamente, é a alta taxa de lesões curadas, levando os cientistas a deduzir que a luta seguiu por diversos meses, ou seja, os indivíduos tiveram tempo de se recuperar para guerrear novamente. As razões para o conflito em questão são desconhecidas, mas os pesquisadores possuem várias hipóteses, como a tensão entre os grupos culturais da região no final do período Neolítico.

Fonte: Scientific Reports