Cientistas fazem reconstrução incrível de mulher rica da Idade do Bronze

Cientistas fazem reconstrução incrível de mulher rica da Idade do Bronze

Por Augusto Dala Costa | Editado por Luciana Zaramela | 13 de Junho de 2022 às 14h22
Romankosolapov/Envato Elements

Cientistas reconstruíram a aparência de uma mulher da Idade do Bronze — ela viveu na região da Boemia há quase 4.000 anos, e era particularmente rica, de acordo com os achados em seu túmulo. Não se sabe quem ela era em sua sociedade com exatidão, mas é sabido que fazia parte do povo Únětice, grupo de pessoas do início da Idade do Bronze na Europa Central.

No túmulo da abastada mulher em questão, estavam cinco braceletes de bronze, dois brincos de ouro e um colar com 400 miçangas de âmbar de três voltas, além de três agulhas de costura de bronze. Através de análises de DNA, descobriu-se que ela tinha cabelos pretos e pele clara, além de baixa estatura. O trabalho foi feito, principalmente, pelo Laboratório de Reconstrução Antropológica do Museu da Morávia, na Tchéquia.

Arqueologia e outras ciências

Para reconstruir a Únětice, foi necessário o trabalho conjunto de diferentes ciências. A datação por radiocarbono, feita no cemitério onde ela foi enterrada, estimou que a mulher viveu entre 1880 e 1750 a.C. O túmulo fica próximo à cidade checa de Mikulovice, perto da fronteira com a Polônia.

O cemitério em si tem 27 túmulos e âmbar em 40% das covas com restos femininos — há mais do material nesse cemitério do que em todos os túmulos Únětice de toda a Alemanha. O âmbar provavelmente veio do Báltico, onde é abundante, indicando uma rede de comércio de grande extensão na Europa da época. Os objetos de bronze que a tribo utilizava também vinham apenas de uma região no continente, mas podiam ser encontrados por toda a sua extensão.

De todos os esqueletos do cemitério de Mikulovice, a mulher rica era a mais bem preservada: o fato de ser a cova mais abastada foi uma feliz coincidência para os pesquisadores. A preservação dos ossos era tão boa que foi possível coletar o seu DNA, o que permitiu saber a cor dos olhos, pele e cabelo através de sequenciamento genético.

Antropólogos e escultores reconstruíram o torso da mulher, e arqueólogos refizeram suas roupas e acessórios com base em descobertas científicas referentes à época e região que a Únětice habitava. Segundo os cientistas, nas regiões fronteiriças à Boemia, os túmulos mais ricos são os dos homens — não se sabe se em Mikulovice as mulheres tinham status diferentes ou se as riquezas eram enterradas com elas para mostrar a riqueza de seus parentes ou cônjuges masculinos.

Agora, o DNA de outros ossos do cemitério checo estão sendo estudados para descobrir se os indivíduos enterrados no local tinham algum parentesco. Isso, acreditam os cientistas, pode ajudar a descobrir mais pistas sobre as diferenças regionais do início da Idade do Bronze na Europa Central.

Fonte: LiveScience, Phys.org

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