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Maior árvore genealógica dos povos do Neolítico é feita com base em DNA

Por| Editado por Luciana Zaramela | 11 de Agosto de 2023 às 12h40

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Gary Todd/Domínio Público
Gary Todd/Domínio Público

Arqueólogos franceses conseguiram montar a maior árvore genealógica do Neolítico já feita com base em DNA encontrado na Bacia de Paris, no norte do país. Foram, na verdade, duas árvores, com famílias cruzando gerações e quase 100 indivíduos representados. O sítio funerário estudado, com 7.600 anos, é chamado de Gurgy, e foi escavado pela primeira vez em meados dos anos 2000.

O problema é que, à época, não havia tecnologia suficiente, o que deixou a análise de DNA antigo possível apenas recentemente. O genoma de 94 dos 128 indivíduos encontrados no local foi retirado para estudo, incluindo crianças e adultos.

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As primeiras comunidades do Neolítico, ou Nova Idade da Pedra, surgiram há cerca de 12.000 anos no Oriente Próximo, região que abarca o oeste asiático, o sudeste europeu e o norte africano. Foi nessa época que o sedentarismo começou, quando tribos passaram da caça e coleta à agricultura. Com isso, as comunidades fixadas poderiam se manter por gerações, o que começou a atividade de enterrar os falecidos em grandes locais próprios.

Como eram as famílias e os cemitérios do Neolítico?

Gurgy é composto de apenas um cemitério, sem quaisquer marcações, monumentos ou bens enterrados com seus falecidos, cujos ossos não estavam em bom estado de preservação. Mesmo assim, estavam preservados o suficiente para ser possível a extração de DNA.

As análises revelaram que os descendentes da grande família vinham de um único “pai fundador”, que tinha um esqueleto único — inicialmente, ele havia sido enterrado em um sítio desconhecido, movido para Gurgy em seguida, para ficar junto de sua família. Uma mulher também estava enterrada ao seu lado, mas não foi possível extrair seu DNA.

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Para montar a árvore genealógica, foram realizados estudos do DNA mitocondrial, da linhagem materna, e do cromossomo Y, da linhagem paterna, além de determinação da idade dos indivíduos quando morreram e de seu sexo genético. A primeira árvore juntou 64 pessoas ao longo de sete gerações, sendo a maior já feita, e a segunda juntou 12 pessoas de cinco gerações.

Do esquema, surgiu uma linha patrilínea, com gerações ligadas pela linhagem paterna. Um dos aspectos interessantes é que os homens parecem ter ficado em suas comunidades natais, enquanto as mulheres as deixavam para encontrar outros grupos para se assentar. As mulheres da Nova Idade da Pedra enterradas em Gurgy vinham de outros lugares, o que deve ter ajudado a evitar a endogamia, já que isso não foi identificado nas famílias locais.

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Também não havia meios-irmãos e os irmãos e irmãs compartilhavam dos mesmos pais, o que sugere que os grupos familiares eram monogâmicos. Os descendentes de cada geração aparentavam saber a que família pertenciam, já que, quanto mais próximos os corpos dos falecidos estavam dispostos, mais proximidade genética tinham.

Fonte: Nature