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Desafio do Vesúvio premia jovem que decodificou 1ª palavra de papiro carbonizado

Por| Editado por Luciana Zaramela | 13 de Outubro de 2023 às 18h03

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Tony Wills/CC-BY-3.0
Tony Wills/CC-BY-3.0

Foram anunciados os primeiros ganhadores do Desafio do Vesúvio, prêmio dado a todos que ajudarem a desvendar um mistério antigo envolvendo pergaminhos carbonizados de 2.000 anos considerados “ilegíveis” — até agora, ao menos. Três pessoas diferentes participaram da revelação da primeira palavra, “porphyras”, grego para “roxo” ou “violeta”.

O desafio foi lançado oficialmente em março deste ano, com o objetivo, segundo seus criadores, de “fazer história” através do encorajamento para a criação de tecnologias e métodos inovadores de leitura de pergaminhos antigos. No caso, o documento carbonizado faz parte de uma coleção encontrada em Herculano, na Itália, em uma propriedade abastada chamada Vila dos Papiros, pertencente a um estadista romano e vítima da erupção do monte Vesúvio, em 79 d.C., que também acometeu Pompeia.

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Os pergaminhos e a própria biblioteca foram cobertos por cinzas vulcânicas e rochas incandescentes, ficando sob uma camada de lama após o resfriamento por séculos, sendo redescobertos apenas nos anos 1700. Por um lado, os artefatos ficaram preservados, mas a carbonização impediu sua leitura a olho nu.

Lendo pergaminhos milenares carbonizados

O surgimento do Desafio do Vesúvio, criado pelo ex-CEO da Github Nat Friedman, veio da crença de que técnicas e tecnologias inovadoras conseguiriam revelar o conteúdo dos pergaminhos. Esse incentivo vem na forma de um prêmio de US$ 700.000 (cerca de R$ 3.500.000) e mais algumas bonificações menores para quem ajudar a resolver o mistério.

O prêmio “Primeiras Letras” é a estrela da vez, já que foi dado ao estudante de ciências da computação Luke Farritor, de apenas 21 anos, que decifrou a primeira palavra de um dos pergaminhos.

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O jovem universitário distinguiu, com a ajuda de softwares e de outros competidores, a palavra grega πορφυρας (porphyras), que se refere a vestimentas púrpuras (roxas) ou a tinta roxa. No anúncio do prêmio em sua conta da rede social X (antigo Twitter), Friedman escreveu:

Hoje anunciamos um grande avanço no Desafio do Vesúvio: lemos a primeira palavra de um pergaminho ainda fechado de Herculano. Parabéns ao estudante de ciência da computação com 21 anos, @LukeFarritor, que foi a primeira pessoa a ver essa escrita manual em quase 2.000 anos. Ele ganhou o prêmio de US$ 40.000 [cerca de (R$ 202.000)] por essa conquista histórica mundial.

Outro competidor também conseguiu levar a bolada de US$ 10.000 (cerca de R$ 50.000) como segundo prêmio logo em seguida — é Youssef Nader, que identificou a mesma palavra, mas com mais clareza através de seus métodos computacionais.

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O prêmio de “Primeira Tinta”, também no valor de US$ 10.000, foi dado a Casey Handmer, que conseguiu descobrir evidências de tinta no documento petrificado ainda fechado, cujo trabalho foi essencial para que Farritor e Nader conseguissem identificar a primeira palavra.

Friedman completa a mensagem citando que o sonho de decifrar o pergaminho vem desde a sua descoberta, em 1750, e que os avanços só ocorreram graças ao trabalho de 20 anos de Brent Seales e sua equipe científica em EduceLab, estudando e preservando os itens petrificados. Ele também cita que o grande prêmio final ainda está disponível, e será dado apenas quando todo o conteúdo (ou, pelo menos, texto o suficiente) dos documentos for revelado.

Fonte: Scrollprize.org, Casey Handmer's Blog