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Por que há tantas montadoras de carro em greve? Entenda o que há por trás disso

Por| Editado por Jones Oliveira | 16 de Maio de 2024 às 15h20

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Divulgação/Renault
Divulgação/Renault

As montadoras de carros voltaram a investir forte no Brasil em 2024, mas os últimos dias não têm sido fáceis para as principais fabricantes em atividade no país. Além dos efeitos causados pelas enchentes no Rio Grande do Sul, há um outro empecilho no caminho da normalidade: a greve dos trabalhadores.

Pelo menos três montadoras estão enfrentando problemas com paralisações desde o ano passado: Toyota, General Motors e Renault. E o que há por trás disso? É o que o Canaltech foi atrás para descobrir.

A reportagem falou com os sindicatos que representam os trabalhadores das montadoras para saber o que os colaboradores das três empresas estão reivindicando para retomar seus postos nas linhas de produção.

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As respostas, embora um pouco distintas, têm características em comum: são uma verdadeira “sopa de letrinhas” e dizem respeito aos direitos trabalhistas que, na visão dos colaboradores, não estão sendo honrados.

Greve na Toyota

A paralisação na Toyota teve início em 10 de abril e foi causada por dois motivos principais: a recusa dos colaboradores ao Plano de Demissão Voluntária (PDV) apresentado pela montadora japonesa é o primeiro deles, já que as condições oferecidas não foram consideradas satisfatórias.

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Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, o segundo motivo está ligado ao fechamento da fábrica de Indaiatuba e à consequente transferência de maquinários e funcionários para a planta localizada em Sorocaba. Uma decisão judicial datada de 24 de abril, porém, ordenou que a Toyota interrompa a mudança até que um acordo seja sacramentado.

Em nota, a Toyota disse estar "comprometida com a manutenção dos empregos e condições salariais" e que o realocamento dos trabalhadores é parte de um "novo momento de expansão". Além disso, a montadora reafirmou que a planta de Indaiatuba segue com seu fechamento marcado para 2026.

Greve na Renault

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A greve na Renault começou no dia 7 de maio em São José dos Pinhais, planta paranaense de onde saem Kwid, Duster, Oroch e Kardian. As principais reivindicações incluem aumento real de salário na data-base de 2024 e um acerto no valor total da PLR, a Participação nos Lucros e Resultados.

O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba não respondeu aos questionamentos feitos pelo Canaltech, mas, em seu site oficial, informou que as negociações seguem sem acordo e que os trabalhadores se mostram unidos na luta pela melhoria das condições de trabalho na montadora.

Em comunicado oficial, a Renault disse ter sido surpreendida com o início da greve, principalmente porque os trabalhadores não respeitaram o prazo legal para iniciar as paralisações. Apesar disso, a montadora afirmou que segue aberta ao diálogo e que as negociações a respeito das renovações do PPR e do Acordo Coletivo “estão em andamento”.

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Greve na GM

Os funcionários da GM entraram em greve no fim de novembro de 2023 também por conta de desacertos no PDV, mas retornaram aos trabalhos após a Justiça decretar que os trabalhadores deveriam ser reintegrados aos seus postos.

Neste início de maio, porém, a montadora retomou as demissões e fez isso por telegrama. Em contato com a reportagem do Canaltech, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos informou que 54 colaboradores foram dispensados um dia antes do fim do período de estabilidade no emprego, previsto no acordo assinado pela GM.

“O Sindicato é contra qualquer demissão. Como a maioria aderiu ao PDV aberto em dezembro, a GM já aplicou a reestruturação pretendida. Esses postos de trabalho que ela está fechando agora poderiam, sim, ser mantidos. As demissões vão na contramão do anúncio de novos investimentos feito recentemente pela montadora”, afirma o presidente do Sindicato, Weller Gonçalves.
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De acordo com o órgão, o PDV teve 696 adesões em São José dos Campos. Além disso, 140 funcionários da cidade foram colocados em licença remunerada, com estabilidade no emprego até 3 de maio de 2024. Os cortes anunciados pela GM abrangem parte desses trabalhadores.

A General Motors não confirmou o número de demitidos e defendeu os cortes. Em comunicado, a fabricante afirmou que "[os desligamentos] fazem parte do processo de adequação do quadro de empregados anunciado em outubro de 2023, firmado em acordo coletivo. O tema foi amplamente discutido, inclusive com a oferta de um PDV".