No Brasil, carros elétricos e híbridos serão mais da metade da frota em 2035

No Brasil, carros elétricos e híbridos serão mais da metade da frota em 2035

Por Felipe Ribeiro | Editado por Jones Oliveira | 12 de Agosto de 2021 às 12h53
Felipe Ribeiro/ Canaltech

A ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) divulgou um estudo com números importantes sobre o mercado automotivo brasileiro e revelou que o Brasil caminha a passos largos rumo à eletrificação. Segundo os dados levantados pela entidade, até 2035, 62% dos carros vendidos por aqui serão elétricos, híbridos leves ou híbridos plug-in.

O estudo, chamado de "ANFAVEA: O Caminho da Descarbonização do Setor Automotivo", foi feito em conjunto com o BCG (Boston Consulting Group) e também revela que os investimentos nesse setor da indústria precisarão ser bilionários para que o Brasil possa ter um crescimento significativo. O material mostra que, nos próximos 15 anos, será necessária a captação de R$ 150 bilhões em infraestrutura, tecnologia e produção de modelos eletrificados.

Cenários possíveis

Considerando que a estimativa de que 62% dos carros brasileiros serão eletrificados, a ANFAVEA tratou de deixar vários cenários à mostra para que as conclusões fossem tomadas. Segundo a entidade, existem três caminhos que o nosso mercado pode tomar para que haja uma diminuição significativa da emissão de gases poluentes, mas que, ao mesmo tempo, modernize a indústria automotiva.

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O Toyota Corolla é o carro híbrido mais vendido do Brasil (Imagem: Matheus Argentoni/Canaltech)

O primeiro é o "Inercial", que é basicamente o que temos hoje em vigência, com ritmo pautado pelas oportunidades pontuais e sem organização específica do setor e do Estado. Já o segundo cenário, batizado de "Convergência Global", é o que vemos em regiões mais desenvolvidas do mundo, como a Europa, que quer abolir os carros a combustão até 2035. Por fim, o "Protagonismo de Biocombustíveis" é o que parece mais adequado para a realidade brasileira e que é defendido por montadoras como a Volkswagen, mirando a descarbonização por meio do etanol.

Na casa do milhão

Atualmente, dados levantados pela ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) revelam que os carros eletrificados correspondem a 2% das vendas em 2021, isso apenas considerando veículos leves. A estimativa da ANFAVEA, por sua vez, fala que, nesse ritmo, atingiremos a marca de 432 mil unidades vendidas por ano em 2030 e 1,3 milhão em 2035, saltando para mais de 2 milhões se o cenário de "Convergência Global" for adotado por aqui.

Além disso, a entidade avalia que, para atender a demanda nacional de carregadores de carros elétricos e híbridos plug-in, serão necessários 150 postos de recarga, que custariam cerca de R$ 14 bilhões. Em termos energéticos, isso geraria um acréscimo de 7.252 Gwh (1,5% de tudo o que é gerado atualmente). Para o estudo, com uma forte participação governamental (em parceria com o setor privado), esse cenário pode ser alcançado com relativa tranquilidade, sobretudo se considerarmos que a matriz energética do Brasil é, em sua maioria, limpa.

Fonte: Anfavea

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