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Review Renault Megane E-Tech | Rival de peso contra os chineses

Por| Editado por Jones Oliveira | 18 de Fevereiro de 2024 às 09h30

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Review Renault Megane E-Tech | Rival de peso contra os chineses
Review Renault Megane E-Tech | Rival de peso contra os chineses

O Renault Megane E-Tech, modelo escolhido pela montadora francesa para dar início à revolução batizada de “Renaulution” pela marca, pode fazer muito mais do que simplesmente marcar o renascimento da montadora no Brasil.

Após passar um tempo de posse do crossover 100% elétrico para fazer uma avaliação completa em nome do Canaltech, posso ousar o suficiente para cravar: o Megane E-Tech será o responsável pelo fim do preconceito contra os carros franceses no Brasil e, de quebra, um rival poderoso dos chineses, novos queridinhos do mercado.

Desde que chegaram por aqui em meados da década de 1990, Citroën, Peugeot e a própria Renault vêm lutando contra a fama de trazerem ao Brasil carros de manutenção cara e difícil revenda. Três décadas depois, eis que surge um modelo capaz de colocar um ponto final nessa história.

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O Renault Megane E-Tech, versão renascida do crossover a combustão que era fabricado na Argentina e fez sucesso no Brasil em 1998, só herdou o visual ousado e o nome do antecessor (e, mesmo assim, sem o acento agudo no primeiro “E”. 

De resto, ele se mostrou um carro elétrico capaz de frear até mesmo a “invasão chinesa” que vem tomando conta do segmento no país. A começar pelo design, que foi responsável por um grande susto no trânsito, quando fui abordado por um rapaz de moto pedindo para que abaixasse o vidro. Quando me preparava para entregar o celular, ele perguntou: “Esse carro é um Renault mesmo? Muito bonito”.

Sustos à parte, a experiência foi divertida. Confira a avaliação completa do Megane E-Tech e tire suas próprias conclusões.

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Conectividade e Segurança

O pacote de conectividade e segurança do Renault Megane E-Tech é bastante robusto. O crossover francês tem duas telas digitais, que não são tão grandes quanto as adotadas por modelos chineses e alemães, especialmente os da BMW, mas entregam o que é preciso.

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O painel de instrumentos tem 12,3 polegadas, três modos de visualização e é bastante intuitivo, assim como a central multimídia, um pouco menor (9 polegadas), compatível com Android Auto e Apple Carplay

O fato de ter projetado o equipamento com tela antirreflexo foi uma bola dentro da marca, mas a presença de controles satélites na coluna de direção do volante multifuncional, ao menos na minha experiência, não foi tão útil assim, pois dificultou o acesso às funções e, muitas vezes, me confundiu a ponto de fazer com que fosse preciso tirar os olhos da estrada para localizar o comando desejado.

No quesito segurança, o Megane E-Tech sai de fábrica com 7 airbags e uma série de recursos extremamente úteis durante a condução no dia-a-dia. Os destaques, testados e aprovados, ficaram por conta do assistente de permanência em faixa e do alerta dinâmico de proximidade para o veículo à frente, que avisa, em tempo real, a distância que você está de uma possível colisão.

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Além disso, o carro conta com o sistema de alerta sonoro externo VSP (Vehicle Sound for Pedestrians ou sons de alerta para pedestres), que avisa os pedestres sobre sua presença. Ele tem 3 versões (Neutro, Puro, Expressivo) e é ativado quando está a uma velocidade entre 0 e 30 km/h.

Conforto e Experiência de uso

Dirigir o Renault Megane E-Tech foi uma experiência divertida, que começou ao pegar o carro na agência responsável pelos empréstimos aos jornalistas. “Você vai se surpreender com ele”, disse o profissional. E ele não estava errado.

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O crossover tem na velocidade de resposta da direção elétrica e na suspensão independente nas quatro rodas (MacPherson na dianteira e multilink na traseira) os pontos de apoio para uma condução segura, suave e eficiente.

Dotado de um motor elétrico que entrega 220 cv e 30,6 kgf/m de torque imediato, o Renault Megane E-Tech é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 7,4 segundos, apesar de seus 1.680 kg de peso. A velocidade máxima declarada pela fabricante (e não testada por nós, por razões óbvias) é de 160 km/h.

Apresentado ao mercado como um SUV, o carro de 4.199 mm de comprimento, 1.860 mm  de largura e 1.505 mm de altura tem comportamento dinâmico de um autêntico hatch, com ótima distribuição de peso e mínima rolagem de carroceria.

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As rodas de 18 polegadas e a suspensão, elevada em 20 mm no comparativo com o modelo vendido na Europa, também fazem do Megane E-Tech um carro bastante agradável e, principalmente, seguro de conduzir, em qualquer situação.

O carro se mostrou ágil e preciso para as manobras necessárias no trânsito urbano, e não deixou nada a desejar aos modelos mais badalados e potentes quando precisou “cair na estrada”, apresentando a estabilidade e pouca rolagem de carroceria, seja qual for o modo de condução selecionado por meio do botão posicionado no volante multifuncional— Eco, Sport, Comfort ou Perso.  

Eficiência é ponto alto

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Além de excelente aceleração, retomada e comportamento dinâmico, o Megane E-Tech também é ótimo no que diz respeito à eficiência energética, ponto importante para quem está disposto a investir quase R$ 300 mil em um carro elétrico.

O Renault Megane E-Tech está entre os 10 carros elétricos mais econômicos do Brasil em 2024, segundo as aferições do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), reconhecidamente mais exigentes que os órgãos de fora do Brasil.

Os dados colhidos nos testes do Inmetro mostram, em MJ/km (megajoules por quilômetro) e em km/l (quilômetros por litro), quais os carros elétricos mais eficientes e econômicos à venda no Brasil.  

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De acordo com o órgão, o Renault Megane E-Tech ocupa, atualmente, a 8ª posição entre os carros elétricos mais econômicos do Brasil, com eficiência energética de 0,51 MJ/km. O número equivale a um consumo de “combustível” médio de 38,8 km/l na estrada e 41,4 km/l na cidade. O crossover tem autonomia declarada de 337 km por carga, segundo o ciclo PBEV.

Pontos negativos

O primeiro ponto negativo da experiência, como já adiantei, foi o excesso de controles satélites na coluna de direção do volante multifuncional. Não foram poucas as vezes em que me confundi na hora de tentar executar um comando e acabar apertando o botão errado. Probleminha, perto de tudo o que o carro ofereceu.

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Outros dois pontos que merecem pequenas críticas dizem respeito ao espaço interno traseiro. Embora consiga acomodar três adultos, o “sorteado” para ficar no meio certamente sofrerá com o pouco espaço para as pernas, já que o console central acaba invadindo um pouco o espaço.

Além disso, há o problema da altura. Como o design é de um coupé, se as pessoas sentadas atrás tiverem mais de 1,80 m, todo o prazer que o Megane proporciona ao motorista e ao passageiro do banco da frente se transformará imediatamente em tortura para quem estiver atrás.

O crossover francês tem 1,50 m de altura e, para quem está sentado atrás, o lindo design com a linha do teto que desce em direção ao porta-malas é um tormento. Para efeitos de comparação, o Megane E-Tech tem 1,50 m de altura, e é 4 cm mais baixo que o Stepway.  Essa queda da linha do teto também prejudica a visibilidade traseira, por conta do vidro pequeno.

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Acabamento e Design

O design, conforme o spoiler que demos acima ao mencionar o inusitado encontro com um motociclista, é o ponto alto do Renault Megane E-Tech. O crossover estreou a linguagem batizada de “Sensual Tech” pela marca.

A dianteira do crossover apresenta faróis Full-LED e o novo logo da marca, bidimensional, batizado de “Nouvel R”. O visual se completa com o capô arqueado, as saídas de ar laterais e maçanetas retráteis elétricas, além das lanternas em LED, interligadas por uma barra horizontal, também em LED, cortada pelo logo da Renault e pelo nome Megane logo abaixo, centralizado. 

Por dentro, o Megane E-Tech conta com acabamentos em alcântara, tanto nos bancos quanto nos painéis (em substituição ao chamado soft touch) e nas portas. Combinados com o black piano do quadro de instrumentos e da central multimídia, eles passam um ar premium ao SUV elétrico francês. 

O encaixe das peças também foi feito com extremo capricho pela montadora francesa, com a clara intenção de evitar que barulhos desnecessários apareçam com o passar do tempo. Faltou, porém, uma atenção maior ao isolamento acústico, já que não foram poucas as vezes em que ruídos externos incomodaram durante a condução, especialmente em rodovias.

Concorrentes

Quando chegou ao Brasil, os principais concorrentes do Renault Megane E-Tech eram o BYD Yuan Plus, que à época custava R$ 10 mil a menos, mas hoje está R$ 50 mil mais barato, e o Volvo XC40, que é bem mais caro que o modelo francês, e parte de R$ 329,9 mil.

Hoje, o Megane E-Tech tem, além dos dois antigos rivais, o mais novo membro da família elétrica da Volvo, o EX30, com versões a partir de R$ 229,9 mil, mesmo preço do Yuan Plus.

Renault Megane E-Tech: vale a pena?

Se levarmos em consideração tudo o que o Renault Megane E-Tech tem a oferecer e, principalmente, as excelentes impressões deixadas durante o tempo dos testes que realizei para o Canaltech, o investimento de R$ 279,9 mil vale a pena, sem dúvidas.

A questão que pode deixar dúvidas na cabeça do consumidor é justamente o aparecimento de novos concorrentes no mercado, em especial o Volvo EX30, que custam R$ 50 mil a menos. Por conta disso, os R$ 279,9 mil do E-Tech, antes atrativos, hoje podem acabar afastando os potenciais clientes do crossover francês.

*O Renault Megane E-Tech avaliado foi gentilmente cedido ao Canaltech pela Renault do Brasil.