Review Fiat 500e | Pequeno em tamanho, gigante em tecnologia

Por Paulo Amaral | Editado por Jones Oliveira | 30 de Abril de 2022 às 09h00
Paulo Amaral/Canaltech

Lembra daquele velho jargão popular que diz que “os melhores perfumes estão nos menores frascos”? Transferindo as propriedades do antigo ditado para o mundo dos carros elétricos, podemos dizer que o Fiat 500e é, sem dúvida, um ótimo perfume em um frasco pequeno.

O compacto da marca italiana passou uma semana nas mãos da reportagem do Canaltech e se a ideia da pauta fosse para definir a experiência em uma única palavra, a que melhor se encaixaria seria “surpreendente”.

Fiat 500e peca no espaço, mas sobra em tecnologia (Imagem: Paulo Amaral/Canaltech)

O Fiat 500e, assim como o JAC E-JS1, compacto elétrico da marca chinesa que também já testamos por aqui, tem uma pegada mais voltada para o ciclo urbano do que para o rodoviário. Não pelo desempenho, que é excelente, mas pela autonomia, que varia entre 270 e 460 quilômetros, dependendo do modo de condução.

Prós

  • Tecnologia
  • Desempenho
  • Design
  • Segurança

Contras

  • Espaço interno
  • Acabamento dos painéis
  • Ajuste dos bancos
  • Preço

Conectividade e Segurança

A conectividade e a segurança andam de mãos dadas no Fiat 500e. O compacto da marca italiana conseguiu reunir em um só pacote praticamente tudo o que existe de mais recente e moderno nestes dois quesitos.

Em relação à conectividade e à tecnologia, o Fiat 500e é um show à parte. A compatibilidade, via Bluetooth, sem cabo, tanto com Android Auto quanto com Apple CarPlay, já coloca o compacto à frente de muitos rivais, mas esse não é, nem de longe, o maior destaque do pacote tecnológico.

Fiat 500e dá um banho em conectividade e no pacote de segurança aos ocupantes (Imagem: Paulo Amaral/Canaltech)

O carro conta com recursos de última geração, como controle de cruzeiro adaptativo (ACC), assistente de permanência em faixa e outros itens normalmente só encontrados em veículos premium, tais como:

  • Seis airbags;
  • Câmera traseira de alta resolução;
  • Comutador de luz alta;
  • Sensor de chuva;
  • Monitoramento de pressão dos pneus;
  • Assistente de frenagem autônoma com detecção de pedestre;
  • Leitor de placas de limite de velocidade;
  • Detector de fadiga;
  • Monitoramento de ponto cego;
  • Sensores de estacionamento 360°;
  • Assistente de estacionamento (Park Assist).
Cluster digital do Fiat 500e indica comportamento geral do carro (Imagem: Paulo Amaral/Canaltech)

Conforto e experiência de uso

A parte relacionada ao conforto e à experiência de uso ao volante do Fiat 500e precisa ser dividida em duas e, para isso, será necessário me imaginar com, pelo menos, 10 centímetros a menos de altura do que tenho atualmente. E por que? Simples.

Do alto dos meus 1,87 metros, confesso que a ergonomia do Fiat 500e não me deixou totalmente confortável. Apesar dos belos e aconchegantes bancos, a altura do compacto (1,52 metros) tornou difícil a missão de encontrar uma boa posição para dirigir sem comprometer o espaço traseiro.

Espaço para os passageiros do banco de trás praticamente inexiste, principalmente quem viaja atrás do motorista (Imagem: Paulo Amaral/Canaltech)

Fez-se necessário empurrar praticamente todo o banco para trás e mexer na posição do encosto. Isso fez com que o carro, projetado pela Fiat para ser do tipo “2 + 2” — ou seja, acomodar motorista + passageiro na frente e outros dois passageiros atrás, se tornasse um “1 + 2” —, perdesse essa característica.

Ergonomia à parte, no entanto, o Fiat 500e pode ser considerado um deleite. Desde o momento da entrada no carro, que é feita sem chave e, pasmem, sem fechadura física, substituída pelo botão e-latch, a missão de testar o compacto 100% elétrico da montadora italiana foi bastante divertida.

Ágil, como todo carro elétrico, ele entrega toda a potência do motor de 87 kW (118 cavalos) e o torque de 22,4 kgfm de forma imediata. Assim como ocorreu em nossos testes com o JAC E-JS1, não foram poucos os motoristas de carros maiores e mais potentes que ficaram surpresos (e para trás) a cada arrancada do Fiat 500e.

A experiência de dirigir no modo Range foi ainda mais divertida. O Fiat 500e pôde ser controlado como um “autorama da vida real”. A cada pisada no pedal do acelerador, ele desenvolvia a velocidade desejada e, para reduzir, bastava tirar o pé, sem a necessidade de acionar os freios.

Dirigir em modo Range permite ao motorista controlar o carro apenas com o pedal do acelerador (Imagem: Paulo Amaral/Canaltech)

Este tipo de condução, além de ser muito interessante, também fez a autonomia do Fiat 500e ser ainda maior. A reportagem do Canaltech rodou quase 200 quilômetros e gastou pouco mais de 40% da bateria, menos do que o previsto, já que a projeção normal é de um alcance de 320 quilômetros por carga.

"O Fiat 500e pode ser avaliado sob dois prismas. Em termos de tecnologia e desempenho, ele merece nota máxima, mas no quesito conforto e acabamento, ele deixa a desejar, e precisa de um pouco mais de atenção."

— Paulo Amaral

Design e Acabamento

O Fiat 500e tem um design diferenciado e é do tipo “ame-o ou deixe-o”. As linhas sinuosas e o inconfundível conjunto óptico, formado por faróis e milhas redondos em LED e pelas luzes diurnas (DRL) no capô, similares às sobrancelhas, dão ao compacto uma “cara” bastante particular.

Se por fora o 500e é cheio de charme, por dentro, ele é um pouco decepcionante. Apesar do bom acabamento dos bancos, personalizados com a marca Fiat escrita repetidas vezes por toda a extensão, o mesmo capricho não foi aplicado ao painel.

Visual do Fiat 500e é bastante particular, e impossível de passar despercebido (Imagem: Paulo Amaral/Canaltech)

Feitos em quase toda sua totalidade de plástico duro, o painel e o revestimento das portas passam a nítida impressão de que, em um futuro não muito distante, começarão a fazer barulhos nada agradáveis para um carro de tão alto nível.

Concorrentes

Não há um carro que possa ser considerado um concorrente direto do Fiat 500e. O JAC E-JS1, compacto da marca chinesa, por exemplo, é menor, mas poderia se encaixar no perfil de rival por ter praticamente a mesma autonomia.

“Primo” de Stellantis, o Peugeot e-208 GT tem uma pegada mais esportiva, então também foge um pouco de um comparativo direto com o carro da marca italiana.

Uma terceira opção, e que melhor se encaixaria por conta da faixa de preço e do tamanho, seria o Mini Cooper elétrico, mas o modelo da marca pertencente à BMW tem uma autonomia sensivelmente menor, de cerca de 234 quilômetros por carga.

Veredicto

Agora que já listamos nossas impressões após passar uma semana a bordo do Fiat 500e, vem a pergunta: vale a pena gastar aproximadamente R$ 260 mil para levar para casa o compacto 100% elétrico da marca italiana?

Em termos de tecnologia, segurança e desempenho, não há dúvidas. O dinheiro será bem gasto e você terá em mãos um carro atraente, com recursos topo de linha e, principalmente, amigo do meio-ambiente.

Fiat 500e é boa opção para quem quer desempenho e tecnologia... e não é muito alto ou tem família (Imagem: Paulo Amaral/Canaltech)

Por este preço, no entanto, há outros carros no mercado de elétricos que podem ser avaliados e, talvez, se encaixem melhor no seu perfil. Principalmente se você tiver mais de 1,80 metros, for casado e tiver filhos. Para alguém com família, o Fiat 500e, infelizmente, não é a melhor escolha.

*O Fiat 500e foi gentilmente emprestado à reportagem do Canaltech pela Stellantis.