O que é e como funciona um IPO?

Por Victoria Thibes
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O Initial Public Offering (Oferta Pública Inicial, em inglês), ou IPO de uma empresa é sempre um passo importante. Nos últimos anos, vimos várias empresas de tecnologia (Facebook, Twitter, King, Google, Zynga, Groupon, etc.) arrecadarem milhões e até bilhões de dólares em apenas um dia utilizando o tal do IPO. Mas afinal, o que é isso?

Abertura de capital: agora, a empresa tem acionistas

O IPO é, basicamente, a abertura de capital da empresa. Isso significa que, pela primeira vez, ela estará distribuindo ações em uma bolsa de valores, permitindo a acionistas adquirir partes consideráveis da companhia.

Assim, ela deixa de pertencer a um único dono (ou grupo) e começa a ter acionistas, ou seja, pessoas anônimas que possuem uma pequeníssima parte da empresa. No Brasil, ela se torna uma S.A., ou Sociedade Anônima, dessa forma. Grandes investidores podem comprar uma grande quantidade de ações e efetivamente tomar decisões dentro da companhia, mas em geral elas são comercializadas aos milhares na bolsa de valores e são distribuídas entre pequenos investidores por preços que variam de centavos a milhares de dólares (ou reais, no caso da Bolsa de São Paulo, a Bovespa).

Grandes empresas de capital aberto costumam ter conselhos de acionistas, ou sócios, que consistem dos maiores investidores da companhia, e podem ter papel importante na tomada de decisões como indicação de executivos e outras políticas empresariais. Se a empresa está indo mal, é aos acionistas que o CEO precisa responder. No entanto, muitas companhias menores preferem manter sua estrutura da mesma forma de sempre, e muitas vezes o fato de ter acionistas não influencia tanto assim nas tomadas de decisões, apesar de aumentar a pressão sobre o conselho administrativo.

No final do ano, o lucro da empresa é distribuído entre os acionistas, de acordo com a sua participação no capital (ela pode reter uma parte desse valor para reinvestir em si mesma, repassando o resto). Se a companhia tem mil ações no mercado e você é dono de uma, por exemplo, você receberá 1/1000 do lucro líquido da empresa para aquele ano. Em geral, isso não vale a pena para pequenos investidores, que acabam recebendo centavos por ano, e as ações servem apenas em caráter especulativo (comprar hoje por R$ 10 e vender amanhã por R$ 12). Para grandes investidores, no entanto, isso significa negócios milionários. Foi assim que Warren Buffett, terceiro homem mais rico do mundo de acordo com a Forbes, fez sua fortuna.

Em geral, quando uma empresa faz um IPO, o seu antigo dono costuma ficar com uma grande parte das ações, permitindo que ele ainda seja o sócio majoritário. Mark Zuckerberg, por exemplo, é dono de cerca de 30% do Facebook.

Se isso significa mais responsabilidades, por que fazer um IPO?

Há muitas razões para uma empresa abrir seu capital, mas no fim as duas mais importantes são o dinheiro e o reconhecimento. Fazer um IPO significa efetivamente vender uma parte da companhia para pessoas que irão influenciar muito pouco na tomada de decisões, mas pode arrecadar quantidades significativas de dinheiro. Os maiores IPOs da história arrecadaram bilhões de dólares em apenas um dia. Esse dinheiro pode ser utilizado em investimentos e aquisições importantes.

Além do dinheiro, ser uma empresa de capital aberto significa também ter um referencial no mercado. Se as ações da sua companhia estão crescendo todo ano, isso mostra que os seus negócios estão indo bem, ou pelo menos passa essa imagem aos seus consumidores e investidores. Se elas caem, no entanto, dá a impressão de que algo está dando errado, e medidas precisarão ser tomadas para melhorar a imagem da empresa.

Em geral, grandes investimentos que aparecem na mídia fazem ações ficarem mais caras (como o lançamento de um produto novo ou a aquisição de uma pequena empresa), e maus negócios fazem elas caírem. Isso não é necessariamente verdade para todos os casos, é claro. No fim, o preço das ações da empresa acaba sendo parte importante do seu marketing.

No mundo da tecnologia

Nos últimos anos, empresas de tecnologia têm sido as grandes estrelas em processos de abertura de capital. Iniciando como pequenas startups, esses negócios surgem do nada e disparam no mercado, gerando receitas milionárias em apenas alguns anos. Assim, quando elas negociam ações na bolsa pela primeira vez, surge um grande hype em volta do IPO e as especulações vão até o limite.

Afinal, todo mundo quer um pedaço do Facebook.

Foto da vitrine: OtnaYdur/Shutterstock

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