App Store sofre com reviews falsos e manipulação na classificação de apps

App Store sofre com reviews falsos e manipulação na classificação de apps

Por Alveni Lisboa | Editado por Douglas Ciriaco | 12 de Abril de 2021 às 13h30
James Yarema/Unsplash

Um dos trunfos da Apple sempre foi a segurança da sua loja de aplicativos. Com uma política rigorosa para inclusão de novos apps, a empresa sempre fez da sua plataforma um lugar bastante seguro para seus usuários, mas essa premissa tem se mostrado duvidosa nos últimos meses.

A App Store tem sofrido com uma avalanche de críticas falsas e manipulação de classificações por golpistas, que se valem dessa prática para dar confiabilidade aos seus aplicativos suspeitos.

(Imagem: Reprodução/Kosta Eleftheriou)

Essa tática também envolve o fortalecimento de palavras-chave a um determinado app, o que ajuda na consolidação dos golpes. Se a pessoa deseja baixar o app do Magalu, por exemplo, mas algum golpista lança um programa falso com termos que remetam ao aplicativo oficial, o usuário pode ser enganado, principalmente se verificar uma boa reputação na loja.

Quer ficar por dentro das melhores notícias de tecnologia do dia? Acesse e se inscreva no nosso novo canal no youtube, o Canaltech News. Todos os dias um resumo das principais notícias do mundo tech para você!

Recentemente, o desenvolvedor Kosta Eleftheriou processou a gigante de Cupertino por se omitir diante desta prática, mesmo após diversas denúncias. O app criado por Kost foi uma das vítimas do uso das avaliações fake, o que fez com que muita gente baixasse programas falsos, que se passavam pelo dele, mas cujo propósito era roubar dinheiro do usuário.

Avaliações fake para inflar a pontuação

Hoje, ele chamou a atenção para um aplicativo chamado My Pulse-Heart Rate Monitor (My Pulse - Ritmo Cardíaco, no Brasil). Nesse caso, o app realmente cumpre o que promete: mensura a frequência cardíaca do usuário ao colocar o dedo no flash da câmera. O objetivo dele, contudo, é forçar a contratatação de planos de assinatura, que custam US$ 6,99 por semana, US$ 16,99 por mês ou US$ 69,99 por ano. O truque é o teste de três dias grátis para experimentar, mas depois desse período o usuário será cobrado — é nesse “esquecimento” que os criadores apostam.

A medição é muito mais imprecisa do que a função gratuita do Apple Watch, mas acaba sendo uma alternativa para quem não tem um relógio inteligente. Há também várias opções gratuitas e mais funcionais do que esse aplicativo, mas ele tem se destacado na loja da Apple.

Por que isso acontece? Pela manipulação das avaliações e críticas, o que faz com que o algoritmo da loja privilegie-o em detrimento dos outros. A essência é adquirir rapidamente muitos downloads por meio da manipulação das estrelas e da pesquisa na App Store para, em seguida, enganar as pessoas para se inscreverem em um plano de assinatura recorrente.

Na App Store dos EUA, o aplicativo tem mais de 1.000 análises com uma avaliação média de 4,1. Eleftheriou ressalta que a grande maioria dessas análises são ilegítimas: as verdadeiras tem uma ou duas estrelas de usuários reclamando que o app não funciona bem ou que adquiriram a assinatura sem querer. É fácil constatar que as avaliações foram pagas e geolocalizadas para determinadas regiões da App Store, já que em outros países não há o mesmo tipo de avaliação.

Aqui no Brasil, o desenvolvedor também parece ter adotado a mesma prática: o app tem 4,2 estrelas de avaliação e 317 classificações. Quando se observa mais de perto, é possível notar o mesmo problema: críticas de brasileiros quanto ao app e elogios feitos por pessoas com nomes estrangeiros. Parece que o "serviço" só se deu ao trabalho de usar o Google Tradutor, mas esqueceu que você dificilmente achará alguém por aqui chamado Taujaa Greevesqg. Compare e tire suas próprias conclusões:

Os comentários negativos parecem ser verdadeiros (Imagem: Alveni Lisboa/Canaltech)
Já os comentários comprados são escritos claramente com ajuda do Google Tradutor (Imagem: Alveni Lisboa/Canaltech)

Como impedir isso?

A prática em si é bem feita, com textos escritos corretamente e frases bem formuladas, com palavras-chave específicas, o que pode contornar facilmente um filtro de spam automático. Por outro lado, a leitura das avaliações mostra comentários bastante genéricos, sem mencionar funções específicas e com expressões formais ou pouco usuais. Então como detectar isso?

A melhor forma seria a Apple ter uma equipe de checagem dedicada a analisar apps com crescimento repentino. Nas últimas horas, houve um crescimento de 1.000% nos downloads e avaliações, possível indicativo de que existe algo errado. Um filtro de IP também pode ajudar identificar avaliações provenientes de um mesmo local, outro indício de fraude.

(Imagem: Alveni Lisboa/Canaltech)

O app de monitoramento cardíaco já ocupa o 335º lugar na loja americana da Maçã (a posição 85 no segmento de saúde aqui no Brasil), o que pode ter gerado mais de um milhão de dólares em receitas para os criadores. Será que isso não seria uma métrica suficiente para a empresa ver se algum artifício ilegal está sendo usado?

Outra métrica interessante seria checar o índice de cancelamentos de assinatura, já que isto revelaria uma taxa de arrependimento muito elevada dos serviços. Ou até, quem sabe, enviar uma notificação para usuário momentos antes de efetuar a cobrança recorrente, como forma de alertá-lo e dar uma “segunda chance” para o arrependimento.

Comprar avaliações e curtidas é fácil

Em português, é mais difícil achar empresas que ofereçam este tipo de serviço, mas em inglês elas aparecem ainda na primeira página do Google. Há também o comércio livre destes “serviços” em sites especializados em SEO e fóruns dedicados a marketing online.

Como já mencionado, é muito fácil detectar a veracidade deste tipo de prática, por isso é altamente recomendado não usar esses métodos se você for um desenvolvedor honesto. O uso de avaliações falsas é considerada uma grave violação da política da Apple, o que pode levar ao banimento do usuário e exclusão do desenvolvedor do aplicativo da loja virtual.

Será que a Apple Store está se tornando um local inseguro? Você ainda baixa aplicativos de forma tranquila ou tem tomado algum tipo de precaução extra? Compartilhe sua opinião.

Fonte: Kosta Eleftheriou

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.