Eu preciso mesmo de um antivírus se eu navegar com cautela?

Por Patrícia Gnipper | 29 de Agosto de 2017 às 15h10

Quase sempre que o assunto é um antivírus para proteger sua máquina contra ameaças virtuais, costuma surgir alguém dizendo que não usa esse tipo de software, pois navega com cuidado, não clica em links sem saber do que se tratam e “não nasceu ontem”. Outros alegam que esses programas liberam uma versão gratuita com poucos recursos, para forçar o usuário a pagar por uma assinatura e obter o pacote completo de proteção, sendo contra esse tipo de tática. Mas será que dispensar o uso de antivírus é mesmo uma boa ideia, mesmo que você use a internet de maneira consciente?

A resposta é: acreditar que um antivírus não é necessário é um mito, especialmente se você é usuário de Windows. Vulnerabilidades nos sistemas operacionais são exploradas por cibercriminosos a todo momento, e mesmo os usuários mais cautelosos podem cair em golpes bem arquitetados.

Ser um usuário atento garante só uma parte de sua proteção

Apesar de muita gente pensar que somente os “noobs” caem nos golpes envolvendo malwares e phishing, como, por exemplo, aqueles que baixam arquivos sem saber do que se tratam, que abrem links de spam que chegam por e-mail, ou que deixam o plugin do Java habilitado no navegador, saiba que essas não são as únicas formas de propagação de arquivos maliciosos.

Falhas de segurança nos navegadores também são exploradas por criminosos virtuais, e o usuário pode ser afetado mesmo sem praticar nenhuma das ações mencionadas acima. Assim que os desenvolvedores desses programas identificam essas falhas, elas costumam ser corrigidas rapidamente, mas, até lá, um leque de usuários já chegou a ser comprometido — muitas vezes, sem saber.

Ou seja: seu computador pode estar infectado somente pelo ato de você visitar um website, mesmo aqueles legítimos e aparentemente seguros. Até porque, a maioria dos sites exibe publicidade, e esse também é um canal que pode estar vulnerável e ser aproveitado pelos malfeitores.

Antivírus: a camada final da proteção

Claro que existem antivírus e antivírus, sendo que muitos não oferecem uma proteção tão ampla assim e, mesmo instalados e ativos, podem não proteger sua máquina integralmente. Por isso, escolher um programa de uma boa desenvolvedora, e até mesmo desembolsar uma graninha comprando o pacote completo de proteção, é a melhor saída.

Isso porque, caso esteja visitando uma página que explore falhas de segurança de seu navegador, ou que tente instalar arquivos maliciosos em sua máquina sem o seu consentimento, o antivírus é capaz de detectar essa atividade anormal e interromper o seu andamento, informando o usuário sobre o ocorrido. Portanto, mesmo que você navegue com cautela, o antivírus funciona como a camada final da proteção, garantindo que falhas que você possa não ter percebido não sejam o motivo para que sua máquina seja contaminada.

Mas o antivírus deixa minha máquina mais lenta

Realmente, alguns programas mais pesados acabam interferindo na performance de seu computador, como versões mais antigas do Norton ou McAfee. E versões gratuitas de outros softwares do tipo são repletas de anúncios e notificações para que o usuário compre os pacotes adicionais do serviço, o que também atrapalha o dia-a-dia do usuário.

Mas as coisas estão melhorando. À medida em que os computadores no mercado ficam mais velozes, os antivírus acabam rodando sem “pesar” demais na máquina, e o Windows hoje em dia oferece um antivírus nativo (o Windows Defender), que é bem mais “leve” do que outros programas para esta plataforma.

Caso você use o Windows 7, que não traz essa defesa automaticamente, é só baixar o programa no site da Microsoft. E, para incrementar essa defesa que já vem incorporada ao sistema operacional, o usuário pode instalar somente um programa de defesa contra malwares, complementando a proteção.

Todo cuidado ainda é pouco

Ainda que você seja um usuário cuidadoso e atento quanto a possíveis ameaças, e conte com um antivírus para sua proteção, todo cuidado é pouco quando o assunto é segurança na internet. Isso porque nenhum software de proteção é perfeito, e há muitos malwares que passam despercebidos por esse escaneamento.

Portanto, é sempre preciso estar de orelhas em pé ao baixar e executar arquivos, atualizar softwares e navegar na web. Sabe aquele link que chegou no chat, enviado "do nada" por um amigo? Vale a pena perguntar para ele do que se trata, antes de confiar no remetente e sair clicando. Afinal, seu amigo pode estar infectado e essa mensagem pode ter sido enviada automaticamente, sem seu conhecimento.

Outros sistemas operacionais

Tudo o que falamos até então vale para computadores que usem o Windows como sistema operacional. Mas e quanto aos demais sistemas? É necessário contar com proteções adicionais?

Para quem usa Linux, a resposta é: não. Sim, existem antivírus compatíveis com esse SO, mas existem pouquíssimos vírus e malwares que realmente infectam Linux. E mesmo que você navegue nos mesmos sites que possam contaminar uma máquina com Windows, esses arquivos maliciosos simplesmente não funcionarão no Linux. Para garantir que seu Linux esteja realmente seguro, basta manter os softwares instalados sempre atualizados com as correções mais recentes, ficar atento a possíveis golpes de phishing na rede, e não executar comandos que não sejam realmente confiáveis no sistema.

Já quanto ao macOS, existe uma “treta” que separa o grupo que acredita que o sistema da Apple é tão seguro quanto o Linux, dispensando a necessidade de antivírus, e o outro grupo que não confia nesses rumores e garante sua proteção. Mas a verdade é a seguinte: ainda que a quantidade de vírus e malwares que infectam Macs seja extremamente inferior se comparada com as contaminações em Windows, o macOS pode sim ser contaminado, e um antivírus é necessário.

É verdade que a Apple inclui em seu sistema operacional para desktops e notebooks medidas de segurança nativas que fazem com que atacar o sistema seja particularmente mais difícil, mas difícil não significa impossível. E, cada vez mais, empresas de segurança têm descoberto um número crescente de malwares construídos para infectar o macOS, sendo que a disseminação desse tipo de arquivo nos sistemas da Maçã cresceu 230% somente no primeiro semestre de 2017.

Como parte de sua proteção nativa, o macOS bloqueia automaticamente softwares que tenham sido desenvolvidos por criadores não-identificados, mas o usuário administrador do sistema tem a opção de abri-lo mesmo assim caso altere as confiruações de segurança do macOS.

Já quanto a antivírus para Macs, boas opções são o BitDefender, Intego Mac Internet Security. Kaspersky e Malwarebytes (que também funciona para Windows).