Painel de privacidade do Android 12 é vitória dos usuários, mas ainda confunde

Painel de privacidade do Android 12 é vitória dos usuários, mas ainda confunde

Por Renato Santino | Editado por Douglas Ciriaco | 14 de Junho de 2021 às 09h00
Renato Santino/Canaltech

Quando o Google anunciou formalmente o Android 12, um dos focos foi na privacidade e em permitir que o usuário tenha em mãos mais controle sobre as informações que compartilha com os apps e com que frequência eles extraem esses dados pessoais.

Com o lançamento do Android 12 Beta 2 na última quarta-feira (9), foi possível conhecer melhor qual é a estratégia da empresa para viabilizar essas ideias, concentradas dentro do novo Painel de Privacidade do sistema operacional.

Ao abrir a nova área do sistema, há um gráfico que mostra quais permissões foram utilizadas com mais frequência nas últimas 24 horas, com destaque para localização, câmera e microfone, consideradas mais invasivas. Ao expandir a caixa, também é possível ver o que o Android categoriza como “outras”, como o acesso à agenda, arquivos, contatos e telefone.

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Painel de Privacidade do Android 12 permite ver com que frequência apps acessam informações sensíveis do usuário (Imagem: Renato Santino/Canaltech)

A plataforma é um acerto do Google por trazer de forma resumida e acessível um histórico de atividade dos aplicativos em relação a permissões mais sensíveis. O sistema deixa claro com que frequência um app está puxando a sua localização, ou habilitando sua câmera ou microfone.

Em nossos testes no Canaltech, foi possível identificar como principal “interessado” na localização do celular como o próprio Google, que aparece no histórico puxando dados de GPS até mesmo no meio da madrugada. O recurso também traz um botão em destaque que permite revisar as permissões, caso algo chame a atenção.

Não chega a ser uma surpresa, no entanto. Quem já abriu o Google Maps e acessou o recurso Linha do Tempo tem uma noção clara de como a empresa coleta dados de geolocalização e cria um mapa detalhado de onde o usuário passou, o que só é possível com o acesso constante a essas informações.

Linha do tempo permite ver exatamente a que horas algum aplicativo solicitou acesso a algum dos recursos do celular (Imagem: Renato Santino/Canaltech)

Claro, nem todos os usos dessas permissões são abusivos. Quando você abre o Instagram para gravar um story, por exemplo, é mais do que esperado que ele use microfone e câmera, ou o único vídeo possível seria uma imagem preta estática sem som. Da mesma forma, é fundamental para o Google Maps acessar a localização para obter direções corretamente.

Não é perfeito

É neste ponto que o serviço ainda peca um pouco. Ao apresentar uma linha do tempo sem distinção de qual uso é abusivo e qual é normal, o sistema pode gerar alguma confusão no usuário. Uma boa forma de solucionar essa questão seria, ao menos, revelar qual acesso foi realizado em segundo plano, enquanto o app não estava em uso, e qual foi feito enquanto o serviço estava aberto.

Mesmo assim, o painel é uma vitória para usuários do Android. Ainda que não traga detalhamento do que é abusivo, algumas informações permitem ao usuário algumas deduções importantes. Afinal de contas, se aquele app de gerenciamento de arquivos instalado no celular está acessando o microfone ou o GPS sem qualquer explicação, é um indício muito forte de algo suspeito. É uma nova forma de descobrir quem está abusando de permissões que podem ter sido obtidas em um momento de distração.

Mais recursos importantes de privacidade

Neste ponto, outro recurso importante do Android 12 também deu as caras no Beta 2: o alerta de uso do microfone e da câmera. Agora, quando algum app solicita acesso a esses recursos, um ícone colorido aparece no topo da tela para denunciar a prática.

Ícone verde no topo da tela permite ver quando um app está acessando o microfone (Imagem: Renato Santino/Canaltech)

É provável que, na maioria das vezes que esse ícone surgir no topo do display, será por algum motivo óbvio ao usuário, como usar o microfone para gravar um áudio no WhatsApp ou tirar uma foto ou gravar algum vídeo com a câmera do celular. No entanto, o recurso está lá pelos momentos em que esse acesso é inesperado; nestes momentos, é fácil descobrir qual app está se comportando mal e tomar as providências necessárias.

Também vale a pena notar que o Android 12 trouxe mecanismos para desabilitar completamente o acesso de apps ao microfone e à câmera do celular, o que é a solução “nuclear”. Com o virar de uma chave, é possível impedir todo o acesso a esses recursos sensíveis, algo capaz de tranquilizar os mais preocupados com privacidade. Infelizmente, a opção não é apresentada nas configurações rápidas do sistema, na cortina de notificações, o que facilitaria muito mais a descoberta e o uso.

Ferramentas de privacidade permitem bloquear completamente acesso a câmera e microfone de todos os apps de uma só vez (Imagem: Renato Santino/Canaltech)

Essa é outra queixa que pode ser feita aos novos recursos. Infelizmente, eles ainda estão enterrados na tela de configurações do Android, que raramente é acessada pelo usuário comum.

No fim, são todas mudanças bem-vindas para o ecossistema, mas que não passam perto do que a Apple fez pela privacidade do usuário a partir do iOS 14.5, que provocou manifestações preocupadas de empresas como o Facebook por restringir significativamente o rastreamento e coleta de dados.

O Google faz o suficiente para informar melhor sobre práticas potencialmente suspeitas, mas ainda não age de forma agressiva para impedir a coleta de informações. E fica a dúvida se algum dia a companhia teria como tomar ações mais drásticas contra isso, visto que publicidade direcionada ainda é sua principal fonte de receitas.

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