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O que é deep web? | Guia para iniciantes

Por  • Editado por  Patricia Gnipper  |  • 

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Envato/stokkete
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Entre discussões sobre a prática de crimes, conteúdo ilegal e a privacidade necessária para ativistas está um dos termos mais misteriosos da internet. O que é a deep web, afinal de contas, tão citada no noticiário pelos materiais bizarros ou perturbadores que podem ser encontrados, pela venda de drogas, golpes financeiros e tantos outros elementos negativos?

O conceito fica mais claro quando pensamos nas camadas da internet. O Canaltech e outros sites acessados diretamente, bem como redes sociais, páginas de empresas e demais serviços, estão na superfície da web. Enquanto isso, qualquer conteúdo que não esteja facilmente disponível aos usuários ou indexados por motores de busca pode ser considerado deep web. Fóruns ou sites fechados com senha, redes privadas e páginas restritas a convidados podem se encaixar nesse quesito.

A internet é plural e as regras do comportamento humano que ditam o que acontece na superfície também valem para a deep web. Como em todo espaço obscuro e restrito, a prática de crimes acaba sendo uma das características, que também acontecesse na rede comum, diga-se de passagem, ainda que de forma muito mais rastreável, o que traz uma necessidade maior de furtividade para os criminosos.

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Deep web e dark web são a mesma coisa?

Foi justamente por essa possibilidade de realização de delitos, principalmente na forma de mercados ilegais de venda de produtos, fóruns de vazamento de dados ou sites de conteúdo ilegal, que se convencionou uma separação. A diferença entre deep web e dark web se resume basicamente à ilegalidade e, também, ao fato de esta ser uma das camadas mais difíceis de serem acessadas, estando ainda mais abaixo da surface web.

Enquanto fóruns e espaços conhecidos podem ser visualizados diretamente, apenas digitando o endereço, por exemplo, a dark web é usada através do navegador Tor. Em alguns casos, configurações e autorizações especiais também são necessárias para visualização dos conteúdos, que nestes casos altamente restritos, normalmente escondem os crimes, bizarrices e materiais perturbadores tão falados por aí.

Não coincidentemente, o símbolo do Tor é uma cebola e faz referência ao nome original do projeto, The Onion Router, ou “roteador cebola” em inglês. Voltamos então à ideia das camadas da internet; se a superfície é a primeira, maior e mais externa, a deep web está logo abaixo, com as restrições de acesso ainda maiores colocando a dark web ainda mais profunda.

É esse caráter que possibilitou, por exemplo, a criação do Silk Road, até hoje considerado um dos maiores mercados virtuais de drogas e outras atividades ilegais da internet. O marketplace foi lançado em 2011 e saiu do ar quatro anos depois, em uma operação da Europol e do FBI que também envolveu a prisão de seu criador e operador, Ross Ulbricht, também conhecido como Dread Pirate Roberts. A história até virou filme, batizado no Brasil como Silk Road: Mercado Clandestino.

Prós e contras da deep web

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Como dito, nem tudo é crime na deep web. Enquanto a falta de regulação, controle e até mais olhos atentos pode facilitar atividades criminosas, esse mesmo aspecto também faz com que o anonimato e a privacidade sejam características positivas dessa camada da internet.

Com isso, ela pode ser um espaço para que ativistas políticos, jornalistas e qualquer pessoa que precise se proteger dos olhos do governo, por exemplo, possa se organizar. Da mesma forma, o compartilhamento de informações protegidas, como denúncias, pode se beneficiar desse caráter adicional de proteção que envolve a deep web.

Pela deep web, os usuários também podem ter acesso a conteúdos censurados por governos locais ou fazer contato com usuários de outros países, de uma forma que pode não ser permitida na superfície da web por questões locais. A camada mais profunda, então, pode acabar sendo uma mão na roda para a liberdade de expressão e informação.

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Como você já deve ter percebido, tudo na dark web é uma faca de dois gumes, com estes mesmos aspectos também podendo ser usados para o mal. As informações restritas compartilhadas nestes espaços também podem envolver dados pessoais roubados ou vazados, bem como ferramentas cibercriminosas, com bandidos trocando informações, soluções e conhecimento.

O anonimato também leva à incidência de crimes como a venda de drogas, armas e outros serviços ilegais já citados. Da mesma maneira, propicia o compartilhamento de material envolvendo pornografia infantil, abuso e violência, além de poderem abrigar espaços onde o papo gira em torno de discurso de ódio, preconceito e bullying, entre outros exemplos.

Os riscos de entrar na dark web

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Ao adentrar a camada mais profunda da internet, o usuário também pode estar sujeito a cair em golpes ou baixar soluções maliciosas para seus dispositivos. Além disso, caso não configure corretamente o meio de acesso, também pode expor a própria localização, dados de acesso e informações pessoais a terceiros que possam estar rastreando acesso, o que pode incluir desde agências governamentais e autoridades até cibercriminosos.

Além disso, há também o risco de exposição a conteúdo perturbador ou criminoso, pelo próprio caráter da dark web. Como já dito neste guia, é sempre importante lembrar que estamos falando de um local não regulamentado, onde as regras da superfície não valem. Por isso, como em quase tudo o que envolve tecnologia, o ideal é se informar e entender o que está fazendo antes de mergulhar nas camadas mais profundas.