Claro faz apresentação de 5G histórica em São Paulo

Por Rafael Rodrigues da Silva | 21 de Outubro de 2019 às 18h55

No último domingo (20), a Claro fez história no Brasil ao transformar o Allianz Parque — estádio conhecido por ser a “casa” do Palmeiras — no primeiro estádio brasileiro preparado para a chegada do 5G. E, para mostrar como essa nova tecnologia pode significar uma enorme mudança para o atual cenário de internet móvel, a empresa apresentou algo que pouca gente esperava: a primeira apresentação holográfica de um músico em tempo real já vista no Brasil.

Quem participou na forma de holograma foi o músico Lucas Lima, que abriu o espetáculo Led Zeppelin in Concert, que celebra os 50 anos dos dois primeiros álbuns da banda de rock britânica Led Zeppelin, chamados Led Zeppelin e Led Zeppelin II, lançados em 1969. Na ocasião, Lucas Lima não apareceu fisicamente no palco, mas foi projetado como uma holografia transmitida em tempo real — ou seja, não era uma gravação, mas ele realmente estava tocando ao vivo, apenas não estava presente fisicamente no palco. Mas, como qualquer pessoa assistindo ao vídeo consegue perceber, a apresentação não é um playback: e o músico realmente está tocando o clássico Black Dog em tempo real.

Holograma no palco

O uso de holografia para shows ao vivo não é algo novo, e é usado pela indústria fonográfica há mais de uma década. Essa tecnologia de projeção ganhou uma maior notoriedade quando o rapper Snoop Dogg, durante o festival Coachella em 2012, a utilizou para efetuar um dueto em duas músicas com o finado rapper Tupac. Ainda, a mesma técnica já havia sido usada em 2006 durante a cerimônia do Grammy para a apresentação de Madonna com i Gorillaz — uma banda totalmente virtual cujos integrantes eram personagens animados.

Mas, apesar de começar a ser usada pela indústria fonográfica durante a década de 2000, a técnica que possibilita a existência desses hologramas é muito mais antiga, e data do final do século XIX. Conhecida como “Pepper’s Ghost”, a "mágica" foi criada pelo cientista John Henry Pepper, que a estreou nos teatros em 1862, durante a peça The Haunted Man and the Ghost’s Bargain, adaptação de uma história de mesmo nome do escritor Charles Dickens. A técnica consiste basicamente do uso de espelhos para dar a impressão de que existe uma forma física no palco quando na verdade se trata apenas de uma ilusão de ótica — o que permitia, por exemplo, fazer com que o ator que interpreta o fantasma da peça pudesse realmente aparecer para os espectadores como uma forma não-corpórea, que poderia ser atravessada pelos outros atores ou atravessar objetos como se fosse realmente um fantasma.

O uso atual é um pouco mais avançado, indo além de mágica com espelhos e combinando os princípios da técnica desenvolvida por Pepper com tecnologias mais recentes de projeção e CGI para se atingir os resultados esperados. Por exemplo, no caso do show do Coachella com o Tupac, foi utilizado um ator com roupa de captura para efetuar os movimentos do rapper, cuja fisionomia física foi adicionada posteriormente por computador. Isso é um processo bem parecido com o usado em filmes como Os Vingadores, onde Robert Downey Jr. utiliza uma roupa especial que captura seus movimentos, mas que só depois são inseridos digitalmente na armadura do Homem de Ferro.

Tecnologia atual — como a usada pela Claro para mostrar o violinista Lucas Lima — é muito mais avançada do que a de Pepper, mas segue o mesmo princípio (Imagem: Claro) 

Mas, mesmo que a tecnologia dessas projeções já esteja muito mais avançada do que a técnica original de Pepper, ela ainda tem suas limitações: por exemplo, ainda não é possível efetuar projeções em três dimensões, e todas as imagens são projetadas em uma tela plana muito fina para dar a ilusão de profundidade (o que impede, por exemplo, que um show de holograma lote um estádio, pois depende da posição entre a pessoa e a tela. Se o espectador estiver do lado da tela, enxergará sua borda, e não a imagem formada). Outra limitação é que todas essas apresentações não são exatamente shows ao vivo, mas algo mais próximo do cinema, pois são experiências roteirizadas transmitidas para uma platéia.

E é por isso que a apresentação mostrada pela Claro no último domingo (20) é tão importante, pois ela mostrou que, com o uso da tecnologia 5G, é possível levar esses shows holográficos para outro nível, permitindo a existência de uma verdadeira apresentação ao vivo mesmo que o músico não esteja fisicamente presente.

O futuro é 5G

Para tornar o show virtual de Lucas Lima possível, a Claro utilizou a tecnologia AIR 6488 da Ericsson, que incorpora em um mesmo equipamento de rádio e antena. Esse sistema ainda utiliza a tecnologia Massive MIMO, que é uma função que permite a conexão de várias conexões simultâneas no mesmo dispositivo. O 5G da Claro operou na largura de banda de 100 MHz (concedida pela Anatel para o evento, e uma das bandas que a agência deverá colocar em leilão no ano que vem para as empresas que quiserem concessão para montar suas estruturas 5G no país) e, graças à combinação da faixa 5G com as faixas de frequência LTE, foi possível atingir velocidades de conexão de mais de 1 Gbps (para comparação, a velocidade média do 4G gira em torno de 20 Mbps, o que faz o 5G da Claro no Allianz Parque cinquenta vezes mais rápido do que a internet do seu celular).

Durante toda a apresentação, o músico Lucas Lima estava alocado na sede da Claro, que fica bem distante do estádio onde o concerto acontecia. Apesar disso, graças à baíxissima latência da rede 5G, que praticamente elimina os atrasos na transmissão, foi possível vê-lo tocar em tempo real como se ele realmente estivesse presente no palco, sem qualquer tipo de lag na transmissão — algo que qualquer um que já assistiu ou tentou transmitir um streaming de jogo sabe que, na tecnologia atual, isso é praticamente inevitável — independente de quão boa seja sua internet.

Apresentações holográficas em tempo real e sem lags são apenas um das possibilidades permitidas pela tecnologia 5G (Imagem: Claro)

Claro, esse tipo de experiência pode demorar um tempo para realmente chegar para os usuários, pois ainda é necessário o suporte do poder público. Ainda não é possível efetuar qualquer tipo de instalação de infraestrutura em massa sem o leilão das bandas que a Anatel promete realizar em 2020. Por isso, a Claro espera que essa tecnologia chegue ao usuário final apenas em 2021, quando deverão existir as primeiras infraestruturas de rede que poderão ser acessadas pelos usuários da operadora.

Como podemos ver claramente no evento no Allianz Parque, a tecnologia 5G não é apenas propaganda, e fica claro como as altas velocidades permitirão aplicações que hoje são simplesmente impossíveis de existir por motivos técnicos. Claro, essa mudança não acontecerá do dia para a noite, pois é necessário não apenas a existência de infraestrutura, mas também que os usuários atualizem seus aparelhos, adquirindo smartphones e outros equipamentos eletrônicos que sejam compatíveis com a tecnologia. Mas as possibilidades de como o 5G irá mudar nossas vidas existem e são muitas — e o experimento da Claro mostrou bem como a tecnologia tem o potencial de mudar toda nossa noção do que é impossível ser feito através da internet.

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