HP Elitepad 900: um tablet corporativo com design cuidadoso

Por Pedro Cipoli

Tablets corporativos estão em alta, seguindo a tendência de declínio do PC. Com a diminuição dos custos de fabricação desses dispositivos e aproveitando o suporte do Windows 8 para telas sensíveis ao toque, vários fabricantes começaram a lançar os seus modelos na tentativa de abocanhar a lucrativa fatia de mercado de usuários corporativos, como é o caso da HP com o Elitepad 900.

Para começo de conversa, vamos estabelecer que, no caso de tablets com Windows 8, não há grandes diferenças entre um modelo e outro, algo que já acontece em um grau maior com os Ultrabooks da Intel, fazendo com que a escolha se deva mais aos extras oferecidos do que ao equipamento em si.

Como exemplo temos o hardware, um processador Atom Z2760 dual-core de 1,8 GHz e 2 GB de memória RAM, uma configuração bastante comum em qualquer tablet com o sistema operacional da Microsoft. O Dell Latitude 10 (que também analisamos aqui) traz exatamente as mesmas especificações, de forma que a experiência de uso acaba sendo basicamente a mesma. Ambos apresentam um bom desempenho para tarefas leves, como editar textos e planilhas ou visualizar vídeos no YouTube. Porém, se para as ações do dia-a-dia não há grandes problemas, esse tipo de equipamento está longe de agradar um usuário mais avançado e exigente.

O Elitepad é destinado ao uso corporativo e apresenta uma série de recursos interessantes para esse público: gerenciador de credenciais (HP), proteção de BIOS (HP), criptografia de drives (HP), recuperador de senhas esquecidas (SpareKey) e o Client Security (HP). Do lado do hardware temos o TPM da Intel que bloqueia operações não autorizadas e o acelerômetro para proteção do disco. Em conjunto, todas essas características oferecem um nível de controle bastante refinado, embora tais especificidades sejam destinadas muito mais à equipe de TI da empresa do que ao usuário final. Mais uma vez, os recursos também estão presentes no concorrente Dell Latitude 10.

A resolução da tela não é nada impressionante: 1280x800, mas por trazer tecnologia IPS o resultado é bastante satisfatório. Porém, vale ressaltar que não é nada que chegue perto da qualidade de tablets Android e iPads, já que esses são voltados para usuários comuns. Também temos que levar em consideração que o processador Atom é sim bastante econômico, mas perde para os chips ARM, e que resoluções mais altas sacrificariam a autonomia de bateria por um incremento questionável de experiência.

Se analisarmos a bateria, o Elitepad ficou ligeiramente abaixo da média em relação aos modelos que testamos aqui. Utilizando-o para navegar na web, responder e-mails e outras tarefas comuns ele aguentou cerca de 8 horas fora da tomada antes de o Windows começar a cobrar um carregador, e cerca de 6 horas reproduzindo um vídeo em HD com brilho em 50%. Comparando com o Latitude 10 esses não são resultados bons, pois o rival conseguiu aguentar mais de 7 horas reproduzindo um filme em HD. Embora a diferença possa parecer somente de pouco mais de 1 hora, na prática é uma diferença de quase 20% de autonomia entre os dois.

Esse resultado já era esperado. O Elitepad 900 é mais fino do que a média, com 9,2 milimetros, sendo um dos modelos com Windows 8 mais finos do mercado, ainda mais considerando que estamos falando da versão de 32 bits Pro que exige um hardware mais potente e não a RT. O design é algo que merece um destaque especial, ainda mais se levarmos em conta que esse não é um ponto de destaque entre os modelos corporativos. O tablet conta com construção em alumínio impecável com uma pequena área emborrachada onde ficam localizadas a antena WiFi e o chip NFC, bordas chanfradas com boa ergonomia e uma boa localização dos botões de volume na parte traseira. Tudo isso resulta em um conjunto bonito e prático.

Toda a construção possui também uma resistência acima da média, com resistência à poeira, temperaturas altas ou baixas, altitude, umidade, contato com a água e vibração, algo que irá garantir que o Elitepad continuará funcionando mesmo com alguns maus tratos. A tela possui a conhecida proteção contra riscos Corning Gorilla Glass 2, a mesma encontrada no Nokia Lumia 920 e que passou em nosso "teste da chave", no qual pegamos uma chave comum e tentamos riscá-la. Sim, um crime, mas é o nosso trabalho.

Tanto a câmera frontal quanto a traseira filmam em Full HD com uma qualidade bastante respeitável, ideal para quem costuma utilizar o tablet para conversas via VoIP. A HP colocou muitos dos recursos de suas webcams TrueVision HD, presentes nos notebooks mais avançados, e incorporou no Elitepad 900 com bons resultados. Na parte externa temos adicionalmente somente o botão Power, um conector para fones de ouvido (não inclusos) e um botão de bloqueio de rotação de tela. Temos aqui uma questão de interpretação - ou faltam conexões essenciais, como é o caso de uma porta USB, ou o design é minimalista, e essa conclusão depende do usuário e dos seus fins. Para mim, a HP poderia ter se dado ao trabalho de adicionar ao menos uma porta USB, para que fosse possível espertar um pendrive.

Para os interessados no Elitepad 900, vale notar que há uma boa quantidade de acessórios compatíveis na loja oficial da HP, como canetas touchscreen, docks e assim por diante. Na caixa original, o tablet inclui somente um carregador.

Conclusão

O Elitepad 900 pode ser encontrado à venda na loja oficial da HP pelo preço sugerido de R$ 3000. Sim, é uma valor bastante alto independentemente de qualquer comparação que realizemos e com um péssimo custo-benefício. Estamos falando de cerca de R$ 1100 a mais que o Latitude 10 - que já não é barato. Ainda por cima, o aparelho conta praticamente com os mesmos recursos da concorrência. E o preço fica ainda mais salgado se você pensar em adicionar extras - a caneta que mencionamos, por exemplo, sai pela bagatela de R$ 200.

Com esse preço é possível levar um iPad de quarta geração, um notebook (da própria HP, talvez) e ainda sobra um troco. O ElitePad 900 tem o mesmo problema que encontramos no Ultrabook Envy 4: um produto bom, mas caro demais pelos recursos que oferece. Para quem estiver disposto a pagar esse valor, o Elitepad não é nada mal e possui o diferencial importante de ser resistente e de contar com design superior ao da maioria dos rivais.

Vantagens

  • Recursos interessantes para usuários corporativos
  • Design acima da média e com resistência superior
  • Câmera de excelente qualidade

Desvantagns

  • Preço alto demais e pouco competitivo
  • Bateria com autonomia inferior à media
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