Review Moto G9 Play | Motorola acertou em cheio com este baratinho

Por Felipe Junqueira | Editado por Léo Müller | 16 de Julho de 2021 às 17h00
Ivo/Canaltech

A nona geração da linha Moto G foi oficializada em setembro de 2020, quando a Motorola apresentou os Moto G9 Plus e G9 Play. Ambos trouxeram um grande salto em especificações para seus antecessores, e o baratinho da linha chegou a um nível equiparável com os três modelos mais potentes da oitava geração.

Depois de um Moto G8 Play que deixou um pouco a desejar, o sucessor possui uma ficha técnica de respeito, com processador quase tão bom quanto o de um Moto G8 Plus, câmera com alta resolução e bateria de muita capacidade. O conjunto é bastante interessante, e o design reformulado garantiu uma aparência quase única ao celular — posteriormente, a própria Motorola adotou visual semelhante na linha Moto E7.

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Eu testei o Moto G9 Play cerca de nove meses depois de seu lançamento, já atualizado para o Android 11, para ver se o aparelho ainda entrega uma boa experiência ao usuário. E eu conto como foi nos próximos parágrafos, que, espero, devem lhe ajudar a tomar uma decisão de comprar ou não este dispositivo.

Prós

  • Bom desempenho;
  • Bateria de boa duração;

Contras

Design e Construção

Não há nada especial em design e construção do Moto G9 Play. O dispositivo tem traseira em plástico com peça única que pega também as laterais. Botões de volume, energia e um exclusivo para o Assistente do Google ficam no lado direito. À esquerda, temos apenas a gaveta para dois chips de operadora ou um chip e um cartão memória. O conector USB-C fica na parte de baixo.

Na traseira, o logo da Motorola traz o leitor de impressão digital, centralizado na porção superior. Logo acima, um módulo de câmeras quadrado, com quatro furos — três câmeras e um flash LED circular — e na mesma cor do aparelho, que pode ser adquirido em azul, verde ou rosa. A parte frontal tem poucas bordas, sendo a inferior um pouco maior, e um notch em gota centralizado completa o visual do Moto G9 Play.

  • Dimensões (A x L x P): 165,2 x 75,7 x 9,2 mm
  • Peso: 200 g

O celular é um pouco grande, inclusive com dimensões maiores que um iPhone 12 Pro Max, mas é a tendência entre as fabricantes de aparelhos Android. Se você está atrás de um modelo mais compacto, vai ter um pouco de dificuldade para encontrar um celular com o sistema operacional do Google, especialmente entre opções baratas.

Tela

Display HD+ de 6,5 polegadas do Moto G9 Play (Imagem: Ivo/Canaltech)

O Moto G9 Play é grande porque tem tela que seria considerada gigante alguns anos atrás. São 6,5 polegadas, que se tornou padrão entre os celulares da Motorola. A resolução é HD+, ou seja, o dispositivo tem densidade de pixels menor que boa parte dos modelos mais caros, mas próxima à dos modelos de sua faixa de preço. E ainda possui display “esticado”, na proporção 20:9, mais próxima à de cinema.

O painel usa tecnologia IPS LCD, então podemos esperar cores naturais, e preto em um tom de cinza bem escuro. O nível do brilho não é muito alto, e você pode sentir um pouco de dificuldade para usar o aparelho na rua, mas no geral ele tem boa visibilidade.

Em resumo, a tela do Moto G9 Play não é nada de mais, mas também não deixa a desejar. Afinal de contas, estamos falando de um celular quase de entrada, um intermediário barato que vai entregar experiência satisfatória por um preço não muito elevado.

Configuração e Desempenho

Com o Snapdragon 662, o Moto G9 Play se igualou aos três modelos mais potentes da oitava geração da linha. A plataforma da Qualcomm nada mais é do que o Snapdragon 665 com alguns pequenos cortes de custo, mantendo o mesmo processador e GPU. Ou seja, o baratinho da nona geração tem oito núcleos de processamento que chegam a até 2,0 GHz. E também repete a memória, com 4 GB de RAM e 64 GB de armazenamento.

Na prática, isso significa que o uso no dia a dia do Moto G9 Play é tão bom quanto o no Moto G8, G8 Power ou G8 Plus. Eu iniciei os testes pouco antes da atualização para o Android 11 chegar, e notei uma pequena melhoria na velocidade do aparelho após o update. Nada muito perceptível, no entanto.

No geral, o Moto G9 Play se comportou muito bem para um celular intermediário. Considerando seu preço mais baixo que muitos outros modelos da categoria, o celular pode ser uma ótima opção para quem não exige muito do aparelho, quer jogar de maneira casual — ele roda até mesmo alguns títulos mais pesados com gráficos reduzidos — e não pretende trocar de aparelho nos próximos dois ou três anos.

Os testes de benchmark do Moto G9 Play no 3D Mark deram um resultado pouca coisa melhor com o Android 11 do que havia sido visto no Android 10. Antes da atualização, o teste Wild Life (Unlimited) deu 368 pontos, com 2,2 fps. Após o update, saltou para 380 pontos, com 2,3 fps. Mudança não tão grande, mas que pode indicar uma melhoria na fluidez do sistema. A versão extrema do teste deu alteração menor, de 102 pontos para 107 pontos, e manteve 2,2 fps.

No dia a dia você dificilmente vai sentir alguma mudança, já que os testes que realizei foram pensados para forçar o hardware ao máximo. O mais importante é saber que dá para atualizar o celular tranquilamente sem medo de perder desempenho — e ainda tem a questão da bateria, sobre a qual falo logo mais.

“Se você tem um Moto G8 Play ou outro modelo mais antigo da linha, o G9 Play é um bom salto em potência. A troca pode compensar, se você achar que está na hora de largar o celular antigo.”

Caso você tenha interesse em saber mais detalhes sobre o Snapdragon 662, as especificações são as seguintes: litografia de 11 nanômetros, processador de oito núcleos, com quatro mais potentes a 2,0 GHz e arquitetura Kryo 460 Gold, e quatro mais eficientes de 1,8 GHz e arquitetura Kryo 460 Silver. A GPU Adreno 610 opera com frequência de até 2.016 MHz.

Interface e conectividade

Com relação à conectividade, o Moto G9 Play oferece 4G e Bluetooth 5.0, além do Wi-Fi dual-band (WiFi 2,4 GHz e 5 GHz), ainda pouco comum em dispositivos mais baratos. A Motorola inclui alguns recursos de personalização (dá para mudar ícones e cores do tema), gestos, tela e jogos. O software, no entanto, é bastante limpo e próximo do “Android puro”.

O maior problema está nas promessas de atualização. O aparelho saiu com o Android 10 e a atualização para o Android 11 é a única que a fabricante se comprometeu a disponibilizar. A partir de agora, só estão garantidas atualizações de segurança até setembro de 2022. Ou seja, só opte pelo Moto G9 Play se atualizações não forem uma prioridade para você.

Câmera

Todos os celulares modernos trazem conjuntos de câmeras cheios de opções e recursos, e com o Moto G9 Play não é diferente. São três sensores na parte traseira, sendo um principal de 48 MP, um macro de 2 MP e um de profundidade de 2 MP. Na frente, a câmera de selfies tem 8 MP.

Sensor principal | 48 MP

Câmera de 48 MP tem qualidade satisfatória (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

Eu sempre digo que resolução — ou número de pixels, se você preferir — não é tudo em fotografia. Aliás, para uma câmera ter boa qualidade, é necessário que um conjunto de fatores funcione corretamente. No caso do G9 Play, o sensor principal é bom, mas tem um defeito que pode atrapalhar suas fotos: estabilização bem ruim.

Em resumo, a câmera é boa, mas qualquer tremida deixa a imagem tremida, mesmo em ambientes bem iluminados. É preciso parar e se concentrar bastante, ou até usar um tripé, para tirar fotos realmente incríveis com o aparelho.

Mesmo com a tecnologia Quad Pixel — que junta quatro pixels em um e, teoricamente, ajuda a dar mais nitidez e sensibilidade à luz —, o celular ainda sofre para fazer boas fotos. Isso é mais uma evidência de que é preferível ter pixels individuais maiores do que uma gigantesca contagem de MP na lista de especificações.

É possível usar o Night Vision (modo noturno da Motorola) em ambientes com luminosidade bem fraca para ajudar a reduzir esses tremidos. Infelizmente, este recurso não faz diferença em locais bem iluminados.

Vale notar que a série Play não é focada em câmera, mas sim em uma boa experiência a preço baixo. Com isso em mente, dá para relevar as falhas da câmera, que ainda é capaz de quebrar um galho, no final das contas.

Macro | 2 MP

Macro tem pouca resolução e distância focal dificil de acertar (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

A câmera macro de 2 MP é mais um sensor para fazer volume do que de fato uma opção a mais para o usuário. É muito difícil conseguir bons cliques com ela, que além de ter pouca definição e abertura pequena, ainda tem distância focal bastante complexa. Pode ser mais interessante tentar fazer esse tipo de captura com os 48 MP do sensor principal.

Modo retrato e outros recursos

A terceira câmera na parte de trás serve para ajudar o sistema no modo retrato e outros recursos, como o recorte do fundo e cor em destaque. Não é nada de outro mundo, e com um bom algoritmo de IA daria para fazer o mesmo processo sem a necessidade desta segunda câmera — ou até aproveitar a macro para isso. Mas colocar mais sensores atrai atenção de muitos consumidores, então as fabricantes colocam mais e mais câmeras.

Outros recursos fotográficos do Moto G9 Play são o já mencionado Night Vision, Cinemagraph — que cria GIFs movimentados apenas em áreas selecionadas pelo usuário —, panorama e filtro interativo.

Selfies | 8 MP

Câmera frontal tem qualidade próxima à do sensor principal, apesar de resolução bem menor (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

Uma quarta câmera se encontra na parte frontal do dispositivo, para tirar selfies. É um sensor um pouco mais modesto que o principal, com apenas 8 megapixels de resolução e abertura da lente menor, ou seja, menos sensível à luz. Dá para tirar algumas selfies legais com bastante iluminação, mas aqui há o mesmo problema da falta de estabilização e imagens tremidas demais.

Vale o reforço que câmera não é o foco deste aparelho, e portanto os sensores são mais quebra galho do que qualquer outra coisa. Poderiam ser melhores, claro, mas não acho tão ruins a ponto de deixar de recomendar o Moto G9 Play por causa disso. Bons fotógrafos conseguem tirar boas fotos independente da qualidade do dispositivo que têm à mão.

Vídeos

Os vídeos estão limitados à resolução Full HD, também chamada de 1080p. Com a principal, é possível gravar com 60 quadros por segundo inclusive na resolução Full HD+, aproveitando a mesma proporção da tela próxima à de cinema. Com a frontal, você só pode usar o 16:9, mais comum em conteúdos da internet e da televisão.

Se você quer um celular desta faixa de preço para gravar vídeos, especialmente para Instagram ou TikTok, talvez compense mais pensar em um modelo da Samsung. O Galaxy A21s e o Galaxy A12 têm preço próximo e são tão bons quanto o G9 Play em todos os aspectos.

Sistema de Som

Moto G Play já foi um modelo voltado ao consumo de mídia, e de certa forma o G9 Play não deixa de ser uma boa alternativa para isso. No entanto, você vai precisar de um bom aliado em áudio se quiser aproveitar o melhor de filmes e séries, pois o alto-falante é mono e bem razoável, com foco nos médios e bastante distorção em volumes altos.

Há um conector para fones de ouvido na parte superior, e o aparelho também possui Bluetooth 5.0, ou seja, dá para aproveitar headsets e alto-falantes sem fio com boa qualidade de conexão.

Bateria e Carregamento

A bateria do Moto G9 Play tem 5.000 mAh de capacidade de carga, tamanho que tem se tornado comum em celulares intermediários. A Motorola fala em até dois dias de uso normal, e meus testes mostraram que realmente dá para extrair tudo isso deste aparelho, mas com algumas ressalvas.

Um dos testes que eu fiz foi de reprodução de vídeo online na Netflix. Deixei o aparelho rodar uma série por 3 horas com brilho a 50%, e vi uma mudança significativa no percentual final da carga após atualizar o celular para o Android 11, e para melhor. O dispositivo terminou com 81% no Android 10, e com 85% na segunda vez, já atualizado.

Isso significa que, com o Android 10, a autonomia estimada para um streaming de vídeo é de quase 16 horas, valor que salta para 20 horas no Android 11. É um aumento suficiente para dizer que o tempo de uso melhorou após o update. Ambos os testes foram feitos antes da otimização do sistema — aquela espécie de calibragem que o Android faz para garantir o melhor consumo dentro do seu tipo de uso.

“O Moto G9 Play tem na duração da bateria um de seus pontos mais fortes. Dependendo do seu uso, dá para ficar até dois dias sem nem pensar em procurar uma tomada.”

Mesmo o ponto negativo em relação à recarga não é nada demais. O carregador que vem na caixa do Moto G9 Play tem 18 W de potência, que não seria ruim para uma bateria um pouco menor. Mas, para recarregar 5.000 mAh, pode demorar cerca de 2,5 horas, bem mais que a média de 1,5 hora dos concorrentes.

Concorrentes Diretos

Falando neles, há uma quantidade bem grande de modelos que você deve considerar antes de levar o Moto G9 Play para casa. Para listar os concorrentes diretos, vou levar em conta apenas aqueles com proposta semelhante, ou seja, tela grande, muita bateria e desempenho bom para 2021.

Se você quer um pouco mais de desempenho e câmeras melhores, o Galaxy A21s ou até o A12 podem ser opções mais interessantes. O Redmi 9 tem preço melhor, mas vai entregar desempenho e bateria um pouco abaixo do Moto G9 Play, além de não ter garantia de 12 meses nos melhores preços. Uma opção que poderia ser interessante é o Realme C25, recém-chegado, mas que vai ter preço consideravelmente maior que qualquer outra opção.

Conclusão

O Moto G9 Play deu um belo salto em especificações quando comparado com seu antecessor direto, o Moto G8 Play. Para quem tem um modelo mais barato de geração anterior da linha Moto G, a troca é bastante justificada por conta disso. Se você acha que está na hora de trocar seu celular ou quer ter em mãos um modelo mais potente, pode fazer o upgrade.

No geral, o novo baratinho é um aparelho interessante para quem busca um celular mais simples e que dê conta do recado no dia a dia. Se quiser, você pode até forçar o Moto G9 Play um pouco além do que poderia esperar de um celular na faixa de preço dele, que atualmente gira em torno de R$ 1.000 até R$ 1.300.

Não é um celular com pontos fortes muito evidentes, mas o mesmo vale para os pontos fracos. É um smartphone equilibrado, que entrega uma experiência bem satisfatória pelo preço cobrado. Poderia ser melhor? Sempre pode, mas não tem nada que você olhe e pense: “puxa vida, isso estragou o celular”.

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