Para analistas, Xiaomi pode perder liderança no mercado indiano em 2020

Por Felipe Demartini | 17 de Dezembro de 2019 às 16h00
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As coisas podem estar prestes a mudar no mercado indiano de smartphones. Apesar das previsões da Xiaomi, que já afirmou estar disposta a manter seu posto de liderança no país, especialistas apontam para uma mudança no primeiro lugar, com a BBK Group assumindo essa posição. A empresa é a responsável por marcas como OnePlus, Oppo, Vivo e Realme no território.

O motivo é exatamente o que você está pensando: a preferência dos indianos, como um dos mercados emergentes mais importantes do mundo, por aparelhos que unem poder de processamento, design e, principalmente, preços baixos. É justamente isso que faz, hoje, a Xiaomi ser a líder por lá, no lugar de nomes costumeiros como Samsung ou Apple, e também o motivo para que esse combate entre marcas asiáticas, principalmente, seja tão ferrenho.

Prabhu Ram, da consultoria Head-Industry Intelligence Group, aponta a tendência de queda da Xiaomi no terceiro trimestre de 2019 como permanente. A empresa perdeu 3% de seu market share entre julho e setembro deste ano, passando a dominar 27,1% do mercado indiano. Enquanto isso, na combinação de todas as suas marcas, a BBK Group já conta com a maior parte do mercado do país, com 41,3% do segmento no país.

De todas, a Realme parece a principal competidora ao topo do pódio, uma vez que essa conta é feita por marca, e não por conglomerado (a linha Poco, da Xiaomi, por exemplo, também não é considerada na soma). Caso o nome mantenha seu crescimento acelerado, vendo seu market share saltar de 6% no primeiro trimestre de 2019 para 14,3% no terceiro, a batalha pelo primeiro lugar deve começar a acontecer já no primeiro semestre do ano que vem, com a tomada da posição finalmente rolando no segundo trimestre de 2020.

Isso também se deve a fatores econômicos, com Ram apontando uma tendência de retração que fará com que 49% das vendas de smartphones na Índia, em 2020, corresponda a aparelhos de baixo custo e desempenho básico, com valores de até US$ 140. É um segmento no qual a Xiaomi é forte, mas a Realme também. Por outro lado, a marca é ainda mais presente no segmento médio, que deve contar com 44% das vendas do ano que vem. E é aqui que a empresa chinesa acaba ficando para trás.

Faisal Kawoosa, fundador da consultoria techARC, aponta ainda um outro movimento que pode trazer barulho para o mercado indiano, com um retorno da Samsung ao topo. Hoje, ela é a segunda maior marca na Índia, com 22,3% de market share e atuação predominante no setor de alto padrão. E enquanto as marcas chinesas brigam nos setores básico e intermediário, a sul-coreana apresenta vendas muito consistentes no topo do ranking de preços — e, justamente por isso, pode acabar dando uma rasteira em todas as outras.

Tudo isso acompanha um crescimento generalizado no mercado da região, que, por mais que esteja mais consciente com relação a preços, continua comprando muitos smartphones. No terceiro trimestre de 2019, 46,6 milhões de aparelhos foram enviados às lojas de todo o país, um crescimento de 9,3% em relação ao mesmo período do ano passado e de impressionantes 26,5% em relação ao segundo trimestre deste ano. A tendência é que essa aceleração também permaneça até, pelo menos, o final de 2020, no que deve acirrar ainda mais a briga entre as fabricantes.

Fonte: Mumbai Mirror

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