Análise | Nokia 5.3, intermediário competente e com Android "puro"

Por Diego Sousa | 21 de Novembro de 2020 às 08h00
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Saiba tudo sobre Nokia 5.3

Ficha técnica

Quando ouvimos falar no retorno da Nokia ao mercado de celulares no Brasil, é até estranho perceber que um dia ela se foi. A marca, agora sob o comando da finlandesa HMD Global, desembarcou novamente em território nacional neste ano apostando nos segmentos básicos e intermediário, dois dos mais movimentados por aqui.

A mais recente investida da empresa para tentar reconquistar o coração — e o bolso — dos brasileiros é o Nokia 5.3, lançado em novembro deste ano. O celular traz como principal chamariz o sistema Android "puro", ou seja, sem nenhuma modificação ou apps pré-instalados, conjunto quádruplo de câmeras e um visual diferente do que encontramos em opções da concorrência.

Nokia 5.3 aposta no Android "puro" e na garantia de atualizações constantes para conquistar os brasileiros (Foto: Diego Sousa/Canaltech)

Tive a oportunidade de usar o Nokia 5.3 como meu smartphone principal por algumas semanas, e nos próximos parágrafos conto todos os seus pontos positivos, negativos e destaques. Será que o aparelho tem o que é necessário para brigar com as gigantes Motorola e Samsung no segmento intermediário?

Construção e design

Lançado no mercado global em março deste ano, o Nokia 5.3 segue a linha de design da geração anterior dos smartphones mais básicos da Nokia, que foram apresentados no final do ano passado e início deste ano: a tela ocupa grande parte da região frontal, mas possui um notch em formato de gota para a câmera frontal. O formato é mais antigo que o estilo com furo no display, mas a diferença é mais visual do que funcional, pois não atrapalha ao navegar ou visualizar conteúdos, por exemplo.

Suas bordas também são mais visíveis que em outro modelos da mesma faixa de preço, muito disso graças ao logo da Nokia presente na região inferior. Isso dá uma impressão inicial de que estamos diante de um celular mais básico. Essa sensação logo desaparece quando o pegamos na mão, pois sua pegada é firme e robusta, apesar da construção de plástico.

Nokia 5.3 tem bordas mais visíveis e o ultrapassado notch em formato de gota (Foto: Diego Sousa/Canaltech)

Na parte traseira, a única coisa de diferente é o módulo de câmeras em formato cirular, algo que não vemos com muita frequência atualmente. Me agrada o fato de a Nokia querer se distanciar dos concorrentes apostando em visuais menos comuns. O local agrupa quatro sensores traseiros e um flash de LED no meio deles — mas comentaremos mais sobre eles abaixo.

Conjunto fotográfico circular não é muito comum em smartphones atuais (Foto: Diego Sousa/Canaltech)

Embaixo do conjunto fotográfico há um leitor de impressões digitais, que durante os meus testes se saiu muito bem no desbloqueio, apesar do tamanho avantajado do celular. O Nokia 5.3 também conta com método de desbloqueio facial, mas utiliza a câmera de selfie para funcionar. A opção não funcionou bem em diversas situações, incluindo cenários noturnos e ensolarados, provavelmente devido ao sensor de baixa qualidade.

Tela e som

A Nokia incluiu uma tela de 6,55 polegadas no Nokia 5.3 com proporção 20:9, o que o deixou ligeiramente mais esticado. Na prática, o conjunto faz com que a navegação com uma mão se torne um desafio — durante minha utilização, quase sempre o usei com as duas mãos. Além disso, infelizmente o celular não vem com um modo de operação com uma mão, disponível em diversos outros modelos com tela grande — não que seja uma função extremamente necessária aqui, mas ter a opção de usá-la ou não seria interessante.

Tela do Nokia 5.3 é apenas HD+ (Foto: Diego Sousa/Canaltech)

A resolução é apenas HD+ (1.600 x 720 pixels), o que, aliado ao display maior, não traz uma qualidade de imagem muito acima da média. Aqui, caberia ao menos um Full HD+ para deixar a reprodução de vídeos no YouTube mais agradável. Um ponto positivo, no entanto, é o painel IPS LCD, que exibe cores bastante fiéis e um brilho intenso para a categoria. Não notei dificuldades em navegar pelo celular sob o sol.

Como esperado de um modelo mais básico, o som que sai do Nokia 5.3 é apenas mono, mas surpreendentemente traz vozes bem claras, sendo ideal para lives e podcasts. Quando o assunto é música, o alto-falante não lida muito bem com a instrumentação, distorcendo muito o som dos instrumentos.

Em faixas mais agitadas, como Uncomfortable, da banda Halestorm, o som ficou tão distorcido ao ponto de não ser possível identificar os instrumentos da melodia. Lado a lado com o Galaxy S8+ de 2017, também com alto-falante mono, o Nokia 5.3 traz resultados mais abafados e sem vida. O smartphone oferece fones de ouvido na caixa, mas eles não oferecem qualidade sonora muito superior.

Ficha técnica e desempenho

O Nokia 5.3 é movido pelo chip Snapdragon 665 da Qualcomm, com oito núcleos de processamento rodando a até 2 GHz. Ele trabalha com 4 GB de memória RAM, 128 GB de armazenamento interno (expansíveis via cartão microSD) e GPU Areno 610. Durante os testes, não houve lentidão na abertura de aplicativos, e a transição entre eles se deu de forma suave, o que mostra um bom gerenciamento de memória.

Smartphone da Nokia é um intermediário competente (Foto: Diego Sousa/Canaltech)

Facebook, Twitter, Instagram, TikTok e Twitch não apresentaram travamentos ao rolar pelo feed; já jogos mais pesados, como Asphault 9 e Dead By Daylight, por outro lado, só rodaram com qualidade satisfatória nas configurações mais baixas; Free Fire, Among Us, Subway Surfers e Yu-Gi-Oh Duel Links, que são títulos mais leves, também tiveram desempenho agradável na maior parte do tempo, mesmo com gráficos mais detalhados.

Em testes de benchmark, o Nokia 5.3 ficou próximos aos modelos Redmi Note 8, Motorola Moto G9 Play, Galaxy A51 e Multilaser H, mas acima de Galaxy A21s, A30s. Resumindo, o smartphone da Nokia é um bom intermediário, pronto para executar bem tarefas que não demandam muito poder de processamento, como jogos com gráficos no médio e redes sociais.

Câmeras

No total, são quatro câmeras na parte traseira, agrupadas em um aro circular. A principal tem 13 MP, com abertura de f/1.8 e autofoco por detecção de fase, seguida por uma ultra grande-angular de 5 MP e uma macro, esta de apenas 2 MP. A quarta câmera é, na verdade, um sensor de profundidade, que auxilia no famoso modo retrato — aquele que desfoca o fundo das imagens.

Nokia 5.3 tem 4 câmeras traseiras, com principal de 13 MP (Foto: Diego Sousa/Canaltech)

O software de câmera não é dos mais intuitivos, e encontrar outros modos de fotografia, como a ultrawide e a macro, não é uma tarefa fácil. Logo de cara, é possível observar somente os modos retrato e noite, além da gravação de vídeo e a função Google Lens. Para acessar as outras lentes, é preciso abrir o menu de opções e selecionar a opção “Quadrado”, o que não faz o menor sentido.

Software de câmera do Nokia 5.3 não é dos mais intuitivos (Foto: Diego Sousa/Canaltech)

No geral, as fotos tiradas com o Nokia 5.3 apresentam uma boa fidelidade de cores, mantendo um equilíbrio na saturação e no contraste, diferente dos smartphones mais básicos da Samsung. Em cenários externos, os resultados são, em sua maioria, agradáveis, salvo algumas exceções em que o celular simplesmente não conseguiu focar no objeto principal.

O modo retrato do Nokia 5.3 é feito com a ajuda de inteligência artificial e o sensor de profundidade de 2 MP. Os resultados são o que se espera de um modelo mais básico: o desfoque isola completamente o fundo, de fato, mas o recorte do objeto principal é impreciso, resultando em contornos borrados.

Os contornos no modo retrato são fora de foco (Foto: Diego Sousa/Canaltech)

Em ambientes pouco iluminados, o smartphone tem como opção o modo noturno. As fotos tiradas com o aparelho apresentam níveis de brilho e nitidez aceitáveis para a categoria, mas os ruídos também se sobressaem nesse modo.

Esquerda: modo normal / Direita: modo noite (Foto: Diego Sousa/Canaltech)
Esquerda: modo normal / Direita: modo noite (Foto: Diego Sousa/Canaltech)

A câmera ultra grande-angular, por sua vez, traz cores lavadas, distorções nos cantos e um péssimo controle de iluminação, típico de modelos mais baratos. Por ter apenas 5 MP, os elementos nas imagens também não têm boa definição.

Foto: Diego Sousa/Canaltech

Com 2 MP, a câmera macro do Nokia 5.3 não faz sentido de existir, produzindo fotos sem nenhuma definição. Utilizar o sensor principal de 13 MP para fotografar objetos próximos é uma escolha mais acertada.

Esquerda: macro de 2 MP / Direita: principal de 13 MP (Foto: Diego Sousa/Canaltech)

O Nokia 5.3 consegue gravar vídeos nas resoluções HD (720p), Full HD (1080p) e 4K, todas as opções a 30 quadros por segundo. A qualidade da imagem é boa, mas não traz uma estabilização decente e a captação de áudio é precária.

Para selfies, a câmera de 8 MP e abertura de f/2.0 não faz um bom trabalho tanto em ambientes internos quanto externos. O software tende a suavizar demais as imperfeições do rosto, e a abertura maior não lida bem em cenários com iluminação desafiadora.

Software e interface

Além das especificações técnicas que dão conta da maioria das tarefas atuais, o Nokia 5.3 faz parte do programa Android One, que traz um Android sem modificações na interface nem aplicativos pré-instalados de fábrica — o famoso “Android puro”. De fato, se você não curte muitas alterações no sistema e prefere uma experiência de uso mais próxima aos smartphones da linha Pixel, a aposta da Nokia pode ser uma opção ideal.

Sistema Android "puro" é um dos principais chamarizes do Nokia 5.3 (Foto: Diego Sousa/Canaltech)

Ainda, a décima geração do Android já oferece alguns dos principais recursos disponíveis em interfaces de outras fabricantes, como o sistema de navegação por gestos, que permite acessar os apps recentes, voltar para a tela inicial e voltar uma página apenas deslizando os dedos sobre as bordas do aparelho. No entanto, faz falta a ausência de um equalizador de som e o modo de operação com uma mão.

Assim como os modelos da linha K da LG, o Nokia 5.3 também conta com um botão dedicado para Google Assistente. Seu uso, no entanto, não faz muito sentido, já que é possível configurar a assistente para responder a comandos de voz mesmo com a tela desligada.

Segundo a própria HMD Global, o Nokia 5.3 já está pronto para o Android 11, embora nossa unidade de testes ainda não tenha recebido a atualização. A empresa também promete atualizações mensais de segurança por três anos, ou seja, até 2023. Isso é uma notícia e tanto para quem pretende adquirir o Nokia 5.3, já que outras fabricantes, como a Samsung, garantem suporte trimestral a alguns modelos, principalmente os básicos e intermediários.

Bateria

O Nokia 5.3 tem 4.000 mAh de bateria com tecnologia Adaptive Battery, da Qualcomm. Na prática, o recurso aprende com o tempo os aplicativos que você menos usa e limita o uso do celular para poupar energia. Na caixa, a Nokia incluiu um adaptador de energia com 10 W de potência.

Em um dia de testes reproduzindo um dia de uso normal, tirei o Nokia 5.3 da tomada com 100% às 8 horas da manhã. Ao meio-dia, com três horas de streaming de vídeos na Twitch, uma hora de navegação em redes sociais, uma hora de Spotify, 30 minutos de jogo e outros 30 minutos tirando fotos, o smartphone caiu para cerca de 65%, o que é uma marca muito boa para a categoria.

No fim do dia, por volta das 19 horas, o Nokia 5.3 chegou a cerca de 35%, fazendo em média de sete horas de tela ligada, com brilho adaptado e Wi-Fi. Em reprodução de vídeos no YouTube, o smartphone descarregou 10% em uma hora, o que daria para assistir uns dois filmes de duas horas completo numa boa.

O celular conta com recarga de 10 W de potência, mas o carregamento não é tão rápido. De 0% a 100%, leva-se pouco menos de duas horas para completar a carga.

Nokia 5.3: vale a pena?

O Nokia 5.3 tem uma tarefa difícil aqui no Brasil, que é levar a Nokia novamente à boca dos consumidores. Para isso, o celular aposta em design robusto e diferente, que proporciona uma visual único; chipset competente capaz de tirar as principais tarefas e jogos da Play Store de letra; e o sistema Android "puro", que dá uma sensação de ser o "Pixel da Nokia".

Por outro lado, o Nokia 5.3 desliza feio no conjunto de câmeras, geralmente apresentando cores lavadas e definição de imagem precária, principalmente nos sensores ultra grande-angular e macro. A tela de 6,55 polegadas também deveria ser Full HD, em vez de HD, cuja resolução daria mais qualidade para aproveitar conteúdos multimídia no display gigante.

O saldo final do Nokia 5.3 é positivo, estando um degrauzinho à frente do K62+, opção mais recente da LG no Brasil. Com exceção do conjunto fotográfico e da tela, o smartphone da Nokia oferece mais desempenho, elegância, bateria e a melhor interface de sistema. Seu principal problema, no entanto, é o preço: atualmente, com o valor do Nokia 5.3 já é possível levar para casa o Galaxy A71, M31 ou o Motorola One Fusion, exemplos melhores em todos os sentidos.

Se o Nokia 5.3 chegasse na média dos R$ 1.000 a R$ 1.200, seria muito mais fácil recomendá-lo frente às opções da LG. Caso você o veja por esse valor durante a Black Friday, não hesite.

Nokia 5.3: ficha técnica

  • Tela: 6,55 polegadas, HD+, 60 Hz, IPS LCD;
  • Chipset: Qualcomm Snapdragon 665;
  • Memória RAM: 4 GB;
  • Armazenamento interno: 128 GB;
  • Câmera traseira: 13 MP (principal) + 5 MP (ultrawide) + 2 MP (profundidade) + 2 MP (macro);
  • Câmera frontal: 8 MP;
  • Dimensões: 164.3 x 76.6 x 8.5 mm;
  • Peso: 185 gramas;
  • Bateria: 4.000 mAh;
  • Extras: leitor de digitais na traseira, botão dedicado do Google Assistente, gravação em 4K; entrada de 3,5 mm para fones, Bluetooth, NFC,
  • carregamento rápido;
  • Cores disponíveis: cinza e azul;
  • Sistema operacional: Android 10 com promessa para o Android 11.

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