Publicidade

Os Anéis de Poder | Por que todo mundo odeia os elfos?

Por  • Editado por Jones Oliveira | 

Compartilhe:
Amazon Prime Video
Amazon Prime Video
Tudo sobre Amazon

O racismo em O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder não é um assunto presente apenas nas discussões e críticas sobre a série. Na verdade, o tema está presente dentro da própria trama e personificado na figura dos próprios elfos. Como os primeiros episódios já deixaram bem claro, esse povo não é nada amado dentro da Terra-Média e, em alguns casos, ter uma orelha pontuda pode ser sinônimo de problemas.

Continua após a publicidade

Exemplos dessa discriminação não faltam. Galadriel (Morfydd Clark) tentou esconder traços de sua raça para não ser despejada da balsa naufragada quando estava à deriva no mar, Elrond (Robert Aramayo) tem recebido um tratamento bastante ríspido dos anãos de Khaza-dûm e o pessoal das Terras do Sul já deixou bem claro o quanto eles odeiam Arondir (Ismael Cruz Cordova).

Canaltech
O Canaltech está no WhatsApp!Entre no canal e acompanhe notícias e dicas de tecnologia
Continua após a publicidade

Assim, não faltam situações que mostram como o pessoal da Terra-Média realmente detesta os elfos. A grande questão é o porquê disso. Sendo eles os protagonistas de toda a narrativa tolkieniana, é até estranho ver um grupo de heróis ser tão rechaçado por todo mundo aonde quer que vá. O ponto é que, no fim das contas, há algumas boas razões que explicam isso tudo.

Por que a Terra-Média odeia os elfos?

Antes de qualquer coisa, é importante destacar que os elfos não são originários da Terra-Média. Dentro da mitologia de Tolkien, a raça foi criada diretamente pelos deuses na terra sagrada de Valinor — o equivalente ao Éden desse mundo. É aquela historinha que Galadriel conta no início do primeiro episódio, com todo mundo vivendo feliz e contente no extremo oeste do mundo.

Eles só vão para a Terra-Média em meados da Primeira Era após o vilão Melkor Morgoth destruir as Árvores Sagradas e roubar as silmarils, joias criadas pelos elfos com a essência dessas luzes divinas. Assim, eles nada mais são do que esses forasteiros que chegaram em um novo mundo, travaram uma guerra e decidiram ficar por lá.

Essa explicação é fundamental, pois já estabelece alguns pontos que vão refletir no modo com que os elfos veem as demais raças — e como o inverso também é verdadeiro. A começar pelo fato de que eles são realmente bem babacas.

Você já deve ter reparado o quanto os elfos, em geral, são orgulhosos de sua história e no quanto isso se converte em soberba e até arrogância. Essa é uma característica que aparecia timidamente nos filmes, mas que fica bem evidente na série: eles se acham muito melhores do que qualquer outra raça e fazem questão de esfregar isso na cara de todo mundo.

Por serem naturais de Valinor e criados pelos deuses para dividirem o paraíso com essas divindades, eles se sentem superiores a toda essa ralé que vive na Terra-Média. Não por acaso, eles tratam toda a cultura élfica como superior e tratam com desdém aquilo que os outros povos fazem. Basta lembrar que Celebrimbor (Charles Edwards) precisou ser convencido de chamar os anãos na hora de criar sua forja.

Continua após a publicidade

Esse orgulho dos elfos, inclusive, é uma das razões que os fizeram ficar nesse mundo depois da guerra com Morgoth. Isso não é detalhado na série, mas os livros explicam que eles ficaram tão obcecados e envaidecidos pelo status conquistado que preferiram ficar entre os mortais do que voltar para junto dos deuses.

Sempre top de linha

O principal ponto disso está na própria imortalidade. Como não morrem de causas naturais e nem sequer envelhecem, os elfos veem todas as demais raças à sua volta como inferiores e banais. Afinal, como levar a sério humanos e anãos quando eles vivem vidas tão breves? O que alguém pode fazer de relevante em míseros 80 anos?

Continua após a publicidade

Esse conflito é sugerido no reencontro de Elrond com o príncipe Durin (Owain Arthur), quando o anão se mostra incomodado com o elfo ter ignorado aquela amizade por duas décadas para, depois de tanto tempo, chegar como se não fosse nada.

Porém, esse aspecto é ainda mais evidente dentro do núcleo de Númenor, onde essa perseguição e incômodo com os elfos é bem mais escancarado. No quinto episódio da temporada, há todo um discurso da população humana sobre o como o fato de os elfos não envelhecerem os torna perigosos para sua própria existência. Como competir com alguém que não morre, não se cansa e não sente o peso da idade? Para eles, o distanciamento é uma questão de sobrevivência.

A arrogância e a memória élfica

Além disso, o fato de serem imortais também faz com que os elfos tenham uma bela memória — o que é terrível na relação com os outros povos. Vivendo por séculos, eles testemunharam a História, viram as burradas que os outros povos fizeram e fazem questão de não deixar as futuras gerações esquecerem disso.

Continua após a publicidade

Durante a guerra com Melkor, no fim da Primeira Era, parte dos humanos lutou contra o Senhor das Trevas. Só que isso aconteceu séculos antes de a história da série começar, ainda na aurora dos tempos e muito antes de qualquer pessoa ali pensar em nascer. E, mesmo assim, os elfos parecem gostar de lembrar que seus antepassados lutaram no lado errado do conflito.

É por isso que há uma torre de vigilância nas Terras do Sul e que elfos como Arondir ficam vigiando vilarejos e cidades nessa região. Por causa de uma escolha errada feita lá atrás, os elfos seguem tratando todos os humanos como culpados e inferiores, inclusive aqueles que nem fazem ideia de quem é Melkor Morgoth ou Sauron.