Os 5 melhores animes originais da Netflix

Por Laísa Trojaike | 15 de Julho de 2019 às 17h20
Netflix

O catálogo de animes da Netflix começou bastante tímido e aos poucos passou a ganhar produções próprias. A grande primeira estreia de uma animação japonesa na plataforma de streaming foi Knights of Sidonia (de Yuichi Matsushita e Tatsuya Shishikura, 2014-atual), que já não está mais disponível no site, mas teve um importante papel na divulgação da existência de um catálogo do gênero dentro da Netflix.

Até a data desta publicação, a Netflix conta com a presença de títulos de peso em sua grade, clássicos imprescindíveis para fãs e não fãs de anime, como Akira (de Katsuhiro Ôtomo, 1988), Neon Genesis Evangelion (de Hideaki Anno, 1995-1996) e O Fantasma do Futuro (de Mamoru Oshii, 1995), além do sucesso instantâneo One Punch Man (de Shingo Natsume, 2015-atual).

Atualmente, a Netflix já conta com mais de trinta títulos originais. Embora ainda não seja possível dizer que existam animes para todos os gostos, começam a surgir os primeiros títulos com críticas excelentes, como Rilakkuma e Kaoru (de Aki Kondo, 2019-atual), assim como há uma atenção especial para demandas de público, como aconteceu com a série Castlevania (de Warren Ellis, 2017-atual), aguardada com grande ansiedade antes da sua estreia. Estes dois e outros três títulos compõem esta lista que se propõe a indicar séries que, a meu ver, merecem uma atenção justamente por se destacarem na grande massa que é a produção constante e notavelmente numerosa de animes.

Os títulos abaixo não estão listados por ordem qualitativa.

Hi Score Girl

A indústria de animes e mangas, de modo geral, é muito prolífica e, como ocorre em qualquer arte que passa a ser produzida numerosamente, sofre pela existência de inúmeros títulos que se assemelham e que dificilmente ganham grande destaque, uma espécie de pasteurização do fazer artístico. Por outro lado, isso também facilita o destaque de qualquer obra que destoe do genérico.

De todas as produções originais Netflix, Hi Score Girl é uma das que se destacam pelo traço diferenciado, herdado diretamente do manga homônimo de Rensuke Oshikiri. Embora animes costumem ser divididos pelo público alvo (masculino ou feminino), a recepção dessa comédia romântica no Brasil tem muito mais a ver com um sentimento de nostalgia do que com gênero dos espectadores.

A série nos apresenta situações cômicas que se desenvolvem sobretudo em fliperamas ou em torno de jogos de vídeo game, atingindo muito mais pelo resgate de jogos como Street Fighter do que pelo romance em si, que geralmente é o ponto central de um anime do gênero. Essa recomendação é especialmente direcionada para aqueles que gostam de animes que exploram ao máximo o exagero das emoções com o intuito de atingir a comicidade de uma forma divertida e fácil.

Aggretsuko

Não é novidade alguma que os japoneses muitas vezes vivem em condições estressantes de trabalho, que são cada vez mais agravadas pelos problemas das relações humanas e pelas consequências de uma sociedade hipertecnológica. Também não é novidade que os animes há muito abordam esse tema, a princípio como um sinal de alerta e, posteriormente, como uma contestação crítica da realidade corrente.

Aggretsuko traz um traço mais estilizado e engana quem pensa que se trata de mais uma animação kawaii (fofa) para crianças, embora seja da Sanrio, mesma criadora da Hello Kitty. Cômica, mas nada ofensiva, a série aborda os problemas de uma rotina adulta nociva, mas da qual não podemos abrir mão, explorando pequenos escapismos que nos ajudam a não sucumbir.

Ainda que profundamente enraizada na cultura japonesa, Aggretsuko dialoga com qualquer espectador que viva ou conheça uma realidade pelo menos próxima a essa, permitindo que o humor incisivo e crítico também possa ser uma forma de catarse que auxilia a viver uma realidade indesejada.

Castlevania

Criação norte-americana, Castlevania figura entre os demais animes quase como impuro, mas compõe essa lista pelo traço claramente japonês e porque a equipe é formada por uma tremenda parceria entre Netflix e Konami, a criadora dos jogos.

Adaptação de uma das séries de jogos mais cultuadas dos anos 1980 e 1990, Castlevania é nostálgica e chega a priorizar a estética em detrimento do roteiro em diversos momentos, o que não chega a ser o suficiente para interferir na apreciação da obra como um todo. A recriação de Vlad Tepes é espetacular e o amor entre um suposto monstro e uma humana é trabalhada de forma a evitar pieguices e trabalhar a força de Drácula.

A dublagem em inglês é estranha para os que estão acostumados a animes legendados e soa erroneamente mais natural quando nos atentamos às inúmeras referências ocidentais. De qualquer modo, a história é ambientada na Valáquia (Romênia) e nenhuma das línguas soa devidamente adequada. Ainda que gere um desconforto inicial, o trabalho de animação e edição da série é o que há de mais elogiável, sendo, provavelmente, a principal isca da série.

Ajin

Assim como o sucesso Tokyo Ghoul (de Shuhei Morita, 2014), Ajin é um anime que questiona social e politicamente a condição humana através de personagens não-humanos, o que significa criar fortes metáforas sobre o diferente, ou seja, sobre as minorias. Nesse sentido, o anime desenvolve muito bem as duas correntes que podem decorrer disso, como nos mostram os X-Men: o terrorismo contra aqueles que não compreendem e a empatia por um grupo que é simplesmente ignorante demais para aceitar algo que é diferente de si.

O próprio traço do anime indica a sua trama séria, não abrindo espaço para piadas constantes, expressões exageradas ou sequer algum alívio cômico contante, o que indica que a série tem como alvo um público um pouco mais maduro, mas sem chegar a ser excluente.

Rilakkuma e Kaoru

Anime é, por definição, animação japonesa. Ainda que seja muito característico, não é necessário que os personagens tenham olhos grandes, cabelos coloridos e uma expressão exagerada (no bom sentido) dos sentimentos. Rilakkuma e Kaoru foge de todos os padrões óbvios, mas é um anime: é um stop motion, portanto animação, e é japonês.

Da mesma forma que o acima citado Aggretsuko, Rilakkuma e Kaoru é um reflexo do foco exagerado no emprego e na dissipação das relações pessoais, que culmina na solidão e em condições psicológicas que são cada vez mais comuns, como depressão e ansiedade.

Rilakkuma (o ursinho marrom), Korilakkuma (o ursinho branco) e Kiiroitori (o pintinho amarelo) são personificações do desejo de Aki Kondo, criadora dos personagens e da série. Da concepção dos pets ao roteiro, passando pelas belíssimas direção de arte e fotografia, a série trabalha os mesmos problemas de Aggretsuko, mas substitui o humor pelo afeto, duas formas completamente distintas de lidar com uma mesma realidade e igualmente válidas.

Essas são apenas algumas sugestões. Caso tenha faltado alguma série original Netflix que você goste muito, deixe sua sugestão nos comentários!

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