Mr. Robot tem hackers de verdade trabalhando na série

Por Redação | 17 de Julho de 2016 às 12h15
photo_camera mr robot/divulgação

A segunda temporada da série Mr. Robot estreou esta semana e ainda há muito o que ser dito sobre ela. Além de ter "vazado" seu primeiro episódio nas redes como se fosse um ataque hacker, os produtores desejam que ela seja o mais fiel possível à realidade. Mas não fiel em pequenas cenas ou ações filosóficas e ideológicas, mas em até mesmo nos códigos que aparecem nos episódios.

Na série, o grupo de hackers fsociety (que também é chamado de hacktivista), tem como objetivo principal destruir a Evil Corp – empresa que possui muitas ilegalidades e muita, muita história mal contada, entre esquemas complexos de corrupção até péssimo tratamento dos funcionários. O grupo tenta por muitas vezes infectar os bancos de dados da corporação utilizando ransomware – que é uma espécie de malware, software malicioso, construído para bloquear o sistema do computador até que uma quantia seja paga. Em primeiro lugar, eles fazem isso porque consideram que a empresa tem muito dinheiro sujo em suas mãos, e não porque querem ser ricos.

Hack the Gibson… and remember… hugs are worth more than handshakes.” ("Hackeie a Gibson... e lembre-se ... abraços valem mais do que apertos de mão.", em tradução livre). Esta é uma linha de código utilizada por Darlene – hacker integrante da fsociety – em um dos ataques cibernéticos. E por que ela é importante? Porque é um comentário regularmente encontrado em um código-fonte verdadeiro conhecido como "Ferramenta de Engenharia Social" (Social Engeneering Tool, em inglês), muito usado pelos hackers. E ele ter aparecido foi como um recado dos produtores para eles (se estivessem assistindo). Este tipo de código é muito usado para ataques online. Esta linha também é uma piada interna do mundo hacker, tanto em homenagem ao filme "Hackers", quanto ao engenheiro social Jason E. Street, conhecido nas conferências hackers por seus "abraços estranhos".

Elliot

Pois é exatamente este o comprometimento do criador – Sam Esmail –, e do roteirista e produtor Kor Adana quando estão escrevendo um novo roteiro ou pensando nas cenas para a série. Eles levam tão a sério essa fidelidade que enquanto os episódios estão indo ao ar, eles ficam monitorando as redes sociais (Twitter e Reddit) para saber o que as pessoas estão achando. "Eu lembro que tivemos um telefone em modo avião quando ele não deveria estar. E tinha uma data errada em uma tela", lembra Adana em entrevista ao site Wired. O nível de escrutínio deles em relação à série é enorme.

Adana foi um analista de segurança de rede forense na Toyota antes de partir para Hollywood. Hoje ele cuida de toda a parte técnica da série para garantir que os hacks sejam realísticos – incluindo os códigos. (Em sua equipe está Marc Rogers, que hackeou um Tesla Model S ano passado, além de dois ex agentes do FBI)

Construindo os episódios

Marc Rogers disse ao site Wired que eles constroem os hacks antes mesmo de terem um script pronto em um brainstorm de possibilidades onde um ataque pode acontecer. Uma vez que Sam Esmail aceita o "ataque", Adana tem que escrever uma versão mais detalhada dele – e quando ele tem dificuldades para isso, pede auxílio a Marc Rogers, que não só escreve as partes mais técnicas como também constrói uma versão de demonstração.

Tudo isso é feito por pessoas que conhecem de programação, o que não necessariamente é o caso dos atores da série. Mas para que os códigos continuem sendo reais, os produtores enviam a versão final do hack para um animador que faz animações interativas em que não importa quais teclas os atores digitem; a tela mostra o código verdadeiro.

"A animação é tão estressante quanto o processo de escrita" disse Adana. O roteirista disse que às vezes precisam fazer modificações até pouco antes das gravações para que o tempo de digitação do ator seja exatamente igual ao tempo em que os caracteres aparecem na tela.

Nesta nova temporada, eles inclusive colocaram endereços de IP reais ou algumas URLs, pois se alguém quiser realmente visitar um link visto em um episódio, pode fazê-lo literalmente no "mundo real".

Fonte: Wired

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