Mr. Robot inicia segunda temporada com tom mais sombrio

Por Gustavo Rodrigues | 14.07.2016 às 20:22

Mr. Robot recebeu a atenção da crítica e foi premiada como merecia pela sua ótima temporada de estreia, ao mesmo tempo em que o público criou interesse pela história cheia de mistério que envolve o hacker Elliot Alderson (Rami Malek). O criador Sam Esmail havia prometido que o ano dois seria bastante diferente do primeiro, e é exatamente isso que "unm4ask", episódio dividido em duas partes, apresenta.

SPOILER ALERT: O texto abaixo contém spoilers da primeira temporada de Mr. Robot e comentários sobre ponto relevantes do retorno da série.

Os 10 episódios do ano um de Mr. Robot são bastante redondos em questão de estrutura narrativa. Há tempo suficiente para introduzir vários problemas que envolvem o protagonista, tornar os coadjuvantes interessantes e contar uma história consistente. Entretanto, a trama deixa grandes possibilidades abertas, mesmo que não soem como grandes cliffhangers, devido às atitudes tomadas pela fsociety.

A emissora USA Network aproveitou ainda mais a temática tecnológica da produção para lançar a primeira metade do retorno da série pela web, uma tática eficiente de marketing para o lançamento da segunda temporada. Entretanto, ver o episódio "unm4sk" dividido em dois quebra o ritmo, principalmente por causa do momento exato de intervalo, o que talvez seja o único pecado cometido pela edição.

Mr. Robot

Os onze minutos iniciais não servem apenas como uma grande recapitulação da primeira temporada, eles também mergulham no novo Elliot Alderson. Os problemas mentais do personagem parecem ainda mais agudos, fazendo com que ele crie um novo mecanismo de repetição diária para manter-se lúcido. A atuação de Rami Malek mantém-se crível para apresentar as transições dos distúrbios que conduzem o protagonista, ainda mais quando seus confrontos com o Mr. Robot (Christian Slater) ganham intensidade.

Essa nova rotina de Elliot amplifica e impacta os personagens coadjuvantes. A mãe do personagem, interpretada por Vaishnavi Sharma, para de ser um fantasma do passado e ganha uma função bastante peculiar na vida do filho. Leon (Joey Bada$$) torna-se o rosto novo mais próximo do protagonista e rende bons monólogos, já que o hacker fala mais consigo mesmo do que com as pessoas ao seu redor.

Essa dinâmica na narrativa dos pensamentos de Elliot serve como uma estrutura ainda mais precisa do quão problemática está a mente do personagem. Ele anseia por manter-se são, mas sua memória está ainda mais quebrada, tornando um caderno de anotações o recurso de confiança dele.

Ao mesmo tempo que há enfoque nos problemas mentais de Elliot, os coadjuvantes ganham espaço em seus dilemas pessoais. Darlene (Carly Chaikin) e Angela (Portia Doubleday) continuam com seus planos ardilosos, mas ambas apresentam o mesmo sentimento de vazio, um aspecto que dá cara ao episódio. Não é por acaso que existe uma mudança nítida no uso de locais escuros no retorno da série. O quarto com apenas dois pontos claros, o encontro religioso em um local dominado pelas sombras, a praça que tem sua grande iluminação na fogueira com peso simbólico, etc.

Mr. Robot volta com a qualidade que demonstrou na sua primeira temporada ao ganhar mais densidade por causa da narrativa dramática, mas chama mais atenção por renovar tão rapidamente a sua abordagem sem criar uma história confusa. O lema "Controle é uma ilusão", dado para o ano dois, é apresentado não só na vida do protagonista e no ambiente construído pela fsociety, mas também ganha vida na analogia de um jogo de basquete de bairro, nos aparelhos domésticos que não obedecem e no falso herói sentado na mesa de bar.

Mr. Robot é transmitida no Brasil pelo Space às 23h20, toda quinta-feira.