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Crítica Sr. & Sra. Smith | Muita química com pitadas de ação

Por| Editado por Durval Ramos | 05 de Fevereiro de 2024 às 20h00

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Divulgação/Amazon Prime Video
Divulgação/Amazon Prime Video

Sr. & Sra. Smith, série de comédia e espionagem baseada no filme de mesmo nome de 2005, chegou ao Amazon Prime Video na última sexta-feira (2). Criado por Francesca Sloane e Donald Glover (Atlanta) – que também protagoniza a série ao lado da atriz Maya Erskine (PEN15) –, o título estreou cheio de expectativas no streaming, não apenas pela carreira já bem estabelecida de Glover na comédia, mas também por ser o reboot de um longa-metragem muito aclamado.

Tal responsabilidade, no entanto, foi tratada com leveza pelos criadores do show, que desde o início deixaram claro que a história seria bastante diferente do material original. A ideia aqui era apostar em personagens com que o público pudesse se identificar - algo diferente do que aconteceu com Brad Pitt (Clube da Luta) e Angelina Jolie (Malévola) na primeira versão – e explorar mais desta relação de amantes e recém-espiões.

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O resultado, pode-se dizer, saiu melhor do que o esperado e a série do Prime Video nem de longe parece uma cópia mal-feita ou preguiçosa do filme de Doug Liman (No Limite do Amanhã). Nesta primeira temporada, inclusive, a série apresenta um roteiro bastante focado no diálogo, que coloca seus holofotes sobre a curiosa relação de Jane e John com pitadas bem dosadas de ação.

Uma conexão explosiva

Dividida em oito episódios, a primeira temporada de Sr. & Sra. Smith segue os passos de um homem e uma mulher, dois estranhos solitários com um passado profissional complicado, que tem muita vontade de enriquecer.

Para mudar de vida, eles aceitam abandonar suas identidades antigas e trabalhar para uma agência de espionagem no nível “alto risco”. Um “emprego” que coloca suas vidas quase que diariamente em perigo, mas que oferece uma vida de luxo, riqueza e viagens.

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Agora chamados de John e Jane, os personagens se tornam parceiros de trabalho e de casamento, sendo obrigados a trocar alianças e viver juntos, fingindo ser um típico casal norte-americano. Uma união que, claramente, se torna bastante complicada ao longo do tempo, não apenas pelas suas fortes personalidades, mas também porque, aos poucos, os protagonistas se apaixonam um pelo outro.

Com um texto inteligente e cheio de boas sacadas, que nos deixa a todo momento com um sorrisinho de canto de boca, Sr. & Sra. Smith desenvolve essa conexão entre Jane e John de uma maneira muito interessante.

Além de mostrar ao público o início de suas vidas como espiões – o que inclui muitos deslizes e falhas nas primeiras missões –, a série também acompanha a evolução de sua dinâmica como casal, retratando essa curiosa história de amor em que não existem limites entre o pessoal e o profissional.

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Com um timing de comédia muito apurado, Donald e Maya conseguem complementar com facilidade as piadas um do outro e, nos momentos mais sérios, entregam verdade nas cenas, mostrando uma relação cheia de romance, sexo, brigas e cumplicidade

Um time estrelado de participações especiais

Além da inegável química entre o casal de protagonistas, Sr. & Sra. Smith conta ainda com um tempero a mais no quesito atuações: participações especiais que aparecem casualmente ao longo da trama e são quase sempre o ponto de virada para o modo “ação” da série.

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Com exceção de Sarah Paulson (Ratched) e Paul Dano (The Batman), que fazem duas excelentes participações no seriado, artistas como Parker Posey (Beau Tem Medo), Alexander Skarsgard (O Homem do Norte), Ron Perlman (Hellboy), John Turturro (Severance) e Michaela Coel (I May Destroy You) são personagens-chave para os momentos de maior adrenalina da história, fazendo ora o papel de vítima dos agentes e ora de inimigos de quem eles precisam fugir.

O destaque, no entanto, vai mesmo para Wagner Moura, não apenas pela origem tupiniquim do ator, mas porque o baiano encara um dos personagens mais atrevidos e fanfarrões da série. Atuando em dupla com Parker Posey, ele e os protagonistas formam um quarteto insano no quarto episódio do show, trazendo uma dose de sarcasmo muito bem-vinda à trama.

Ação na medida certa

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E por falar em adrenalina, Sr. & Sra. Smith faz jus ao legado de sua história e aposta em cenas frenéticas, que prendem a atenção do público do começo ao fim. Fugas por lugares paradisíacos, troca de tiros, explosões inesperadas, soros da verdade e muita porradaria são apenas alguns dos elementos de espionagem que aparecem na série.

Essas cenas de ação, no entanto, acontecem quase sempre em momentos pontuais da história, sendo o ápice do capítulo, mas não o foco da narrativa. Na prática, isso quer dizer que embora existam e sejam muito bem feitas – com roteiros que não perdem em nada para qualquer aventura de James Bond –, elas servem como pano de fundo para a relação dos protagonistas (e não o contrário).

Inclusive, fãs mais atentos, que assistiram ao filme de 2005, devem reconhecer e se divertir com a sequência de ação maravilhosamente coreografada do último episódio, que faz uma bonita homenagem à obra original.

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Divertido, inteligente e bem desenvolvido, Sr. & Sra. Smith é uma ótima mistura entre um bom texto e um bom visual. Embora seja uma série essencialmente sobre diálogos e sobre os sentimentos conflitantes que existem em uma relação, o show também entrega momentos muito interessantes de ação, especialmente após os personagens se estabelecerem em suas "novas profissões" e colocarem em prática habilidades que só mesmo agentes secretos poderiam ter. 

Para quem gosta do estilo "matar ou morrer", há um bom material aqui, mas a profundidade da série vai muito além dos tiros e lutas corporais, entregando-se essencialmente aos bons e velhos dilemas do coração.