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Caiu em golpe com criptomoedas? Cuidado para não ser vítima duas vezes

Por| Editado por Wallace Moté | 14 de Agosto de 2023 às 16h48

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Pior do que ser vítima de um golpe envolvendo criptomoedas é cair de novo enquanto tenta se recuperar do primeiro prejuízo. Esse é o tom de um alerta emitido pelo FBI sobre o aumento de fraudes envolvendo a promessa de recuperação de ativos digitais, com os golpistas do setor visando, justamente, no crescimento vertiginoso de uma categoria de cibercrime que eles próprios ajudaram a alavancar.

O aumento nesse tipo de golpe acompanha um total de US$ 2,5 bilhões, ou aproximadamente R$ 12,3 bilhões, em fundos perdidos em golpes com criptomoedas ao longo de 2022. E essa é só a ponta do iceberg, com o FBI apontando que o total indica apenas as fraudes que foram denunciadas às autoridades; montantes perdidos por vírus, por exemplo, não foram contabilizados no levantamento.

De olho nessa fatia de pessoas provavelmente desesperadas, os golpistas se passam por serviços de recuperação de crédito e rastreamento de criptomoedas. As vítimas são contatadas, principalmente, pelas redes sociais, com buscas automatizadas de termos comuns entre aqueles que acabaram de cair em esquemas fraudulentos; anúncios e comentários em sites de notícias falando sobre grandes vazamentos ou roubos também podem servir como espaço para a ação dos bandidos.

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"'Preciso de suporte com Trust Waller Metamask Phantom ou Yoroi! Perdi todas as minhas criptomoedas e frase de recuperação' 'Ele também me pagou, mas graças a um desenvolvedor de blockchain, pude recuperar minhas criptomoedas. Sugiro que entre em contato com [ele] para assistência e recuperação das suas'"

Segundo o relatório do FBI, a ideia é obter o pagamento indevido de taxas ou adiantamento para a realização de serviços de rastreamento ou recuperação de criptomoedas. Em muitos casos, o contato simplesmente some após receber o dinheiro, enquanto outros podem tentar extorquir a vítima por valores maiores ao apresentarem relatórios incompletos de busca ou informações falsas; aqui, as autoridades também alertam para a participação de funcionários de empresas do setor ou até policiais, como forma de aumentar a aparência de legitimidade da proposta.

Em todos os casos, porém, o resultado é uma perda de ainda mais dinheiro, com a vítima ficando sem o valor perdido inicialmente e não obtendo os supostos serviços de recuperação. Tais esquemas, lembra o FBI, nem mesmo existem, já que empresas privadas ou indivíduos não têm a capacidade de remover fundos de uma determinada conta de criptomoedas ou solicitar que uma transferência seja desfeita para recuperação de valores.

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Brasil lidera ataques em navegadores para roubo de criptomoedas

Enquanto o alerta do FBI é voltado para os investidores e entusiastas americanos, o Brasil também é alvo contumaz de golpes com criptomoedas. Em junho, uma campanha de disseminação de vírus teve os usuários de nosso país como as principais vítimas, com quase quatro mil detecções da fraude, de acordo com dados da empresa de segurança digital Kaspersky.

Na ocasião, os especialistas apontaram para os riscos por trás do Satacom, um malware que funciona a partir de extensões para navegadores como Chrome, Opera e Brave. Depois de instalada, a praga disseminada por anúncios falsos e serviços de compartilhamento de arquivos permanece dormente, aguardando o acesso a serviços como Coinbase ou Binance. Páginas falsas são inseridas no lugar das legítimas para roubar credenciais de acesso e desviar pagamentos para as contas dos criminosos.

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O total registrado no Brasil representa mais de 10% do total de detecções globais da campanha, com mais de 3,9 mil possíveis vítimas apenas entre os usuários de soluções de segurança da Kaspersky. O foco em países da América Latina e Oriente Médio também aparece no levantamento da empresa de segurança, colocando os usuários destes países, também, como eventuais alvos para um golpe adicional, envolvendo oferta de recuperação.

Às vítimas, a recomendação do FBI é registrar crimes desse tipo junto às autoridades ou iniciar processo legal onde houver espaço para isso, como no caso em que a perda é decorrente de ações suspeitas de uma empresa do setor. Medidas de proteção adicionais também envolvem evitar clicar em links ou acessar sites suspeitos, além de manter sistemas operacionais e aplicativos atualizados, juntamente com antivírus e outras soluções de segurança ativas no PC ou smartphone.

Fonte: FBI