Veja como fica o pulmão de um paciente com sintomas graves de COVID-19

Por Fidel Forato | 31 de Março de 2020 às 18h38
Shutterstock

Se você estiver acompanhando o noticiário do novo coronavírus (SARS-CoV-2), já sabe que um dos principais sintomas graves da COViD-19 é a falta de ar. Mas, afinal o que acontece dentro do pulmão de quem contrai a doença, que leva alguns dos pacientes ao óbito? Para ajudar médicos (e curiosos) a compreenderem como a patologia se desenvolve, o George Washington University Hospital gravou essa evolução em vídeo.

A partir de imagens em 3D feitas por tomografia computadorizada com Realidade Virtual (VR), os médicos norte-americanos do hospital gravaram o vídeo do pulmão com auxílio de uma tecnologia normalmente usada em exames de câncer e para o planejamento de cirurgias. Esse foi o seu primeiro uso no combate ao novo coronavírus.

Médicos capturam imagem de paciente internado com COVID-19 (Foto: Reprodução/ George Washington University)

Nas imagens, podem ser vistos os danos aos pulmões de um homem de 59 anos até então saudável e que, somente, apresentava pressão alta. No vídeo, é provado que as palavras para descrever os sintomas comuns, como tosse e falta de ar, não conseguem captar o impacto real dessa doença no corpo.

No momento da obtenção dessas imagens, o paciente estava internado na UTI do hospital, em estado crítico. Responsável pelo caso, Keith Mortman, chefe de cirurgia do hospital, informou em entrevista à CNN que os pulmões do paciente já não funcionam adequadamente.

Desde que ficou gravemente doente, o paciente precisou de um ventilador respiratório que o ajudava a manter sua respiração em funcionamento. No entanto, o homem também precisa de outra máquina responsável por circular e oxigenar seu sangue.

"Este não é um paciente diabético, imunossuprimido, com 70, 80 anos de idade", explica o médico Mortman. "Além da pressão alta, ele não tem outros problemas médicos significativos... Se repetirmos as imagens em VR agora, ou seja, uma semana depois, há uma chance que a infecção e o processo inflamatório sejam piores", escalare o médico sobre a piora do caso.

O que a imagem nos revela?

As áreas em amarelo, no vídeo, representam as partes do pulmão infectadas e inflamadas, mais nas extremidades, explica Mortman. Isso porque quando os pulmões enfrentam uma infecção viral, o órgão começa a "selar" o vírus.

A partir da varredura do órgão, é fácil perceber que o dano não está localizado em uma única área, mas abrange faixas de ambos os pulmões, mostrando a rapidez e a agressividade da infecção, mesmo em pacientes mais jovens, já que um paciente com pulmões saudáveis e sem a COVID-19 ​​não teria nenhum ponto amarelo.

"Para esses pacientes que apresentam essencialmente insuficiência respiratória progressiva, o dano aos pulmões é rápido e generalizado", comenta Mortman. "Infelizmente, uma vez danificados nesse grau, os pulmões podem demorar muito para cicatrizar. Em cerca de 2% a 4% de pacientes com COVID-19, o dano é irreversível e eles sucumbem à doença", conclui o médico.

No caso dos pacientes que sobrevivem, eles precisam ainda lidar com as sequelas dessa infecção que pode ser a fibrose pulmonar. Ela ocorre quando o tecido pulmonar é danificado, como no caso de uma infecção, e em sua recuperação se formam cicatrizes, as fibroses, que endurecem os tecidos do órgão, prejudicando a elasticidade e dificultando a respiração. 

COVID-19 e as sequelas

O coronavírus entra, principalmente, pela muscosa nasal do paciente, até chegare ao pulmão. Para tentar controlar a infecção, o corpo provoca uma reação inflamatória, que nada mais é do que a resposta imunológica, tentando proteger suas estruturas. "Você tem esse processo inflamatório [representado pelas manchas amareladas] bastante forte nos pulmões na tentativa do corpo de controlar a infecção", comenta Mortman.

Nesse caso, a inflamação impede que os pulmões sejam capazes de oxigenar o sangue e remover o dióxido de carbono, o que faz com que um paciente ofegue e inale muito mais ar para equilibrar os níveis de oxigênio e dióxido de carbono no corpo.

"Queremos entendê-lo da melhor maneira possível. Este foi nosso primeiro paciente, mas tenho certeza de que ele é o primeiro do que provavelmente se tornará muitos [casos] nas próximas semanas", completa o médico sobre as perspectivas de piora no cenário dos Estados Unidos nos próximos dias.

Fonte: CNN

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