Vacinação geral no Brasil: estados e municípios já arriscam calendário para 2021

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 04 de Junho de 2021 às 14h10
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Iniciada em janeiro deste ano, a vacinação contra o coronavírus SARS-CoV-2 avança no Brasil. No momento, 10,7% dos brasileiros já receberam a imunização completa (2 doses) contra a COVID-19, segundo o consórcio de veículos de imprensa. Agora, alguns estados e municípios do país já começam a planejar a imunização de toda a população, ou seja, incluir também todos os adultos, ou seja, pessoas com idades entre 59 e 18 anos, sem comorbidades.

Segundo o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, o governo tem como meta imunizar toda a população contra o coronavírus até o final deste ano, o que colabora com os planos dos estados e municípios em ampliar o acesso das vacinas para grupos que não foram prioritários.  “Estamos muito entusiasmados com a perspectiva de vacinar toda a nossa população até o final do ano. Isso é plausível”, afirmou o ministro, durante evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no dia 5 de maio.

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Estados e municípios já começam vacinação de população geral contra a COVID-19 (Imagem: Reprodução/Halfpoint/Envato Elements)

Saúde orienta início da vacinação geral contra a COVID-19

Para auxiliar a vacinação de pessoas sem comorbidades, o Ministério da Saúde publicou a nota técnica 717/2021-CGPNI/DEIDT/SVS/MS, na qual são flexibilizadas as regras para autorizar que estados e municípios vacinem a população em geral entre 18 e 59 anos. No entanto, é obrigatório que a imunização dos grupos de maior vulnerabilidade já esteja avançada. Nesses casos, é permitida a vacinação simultânea entre a população geral e os grupos prioritários.

Segundo a Saúde, a medida foi tomada "considerando o avanço já alcançado na vacinação dos grupos de maior risco para formas graves da COVID-19 (idosos e pessoas com comorbidades) com a expectava de finalização da vacinação desses grupos nas próximas semanas (mês de junho)". Outra questão foi "a necessidade de se conferir maior agilidade ao processo de vacinação". 

Dessa forma, "estados e Municípios que não apresentam demanda ou tenham demanda diminuída para vacinação dos grupos com maior vulnerabilidade e trabalhadores de educação, poderão pactuar em Comissão Intergestores Biparte a adoção imediata da estratégia de vacinação segundo a faixa etária em ordem decrescente de idade garantindo o percentual para continuidade da vacinação dos demais grupos prioritários".

Ministério d Saúde já autorizou imunização de grupos que não são prioritários (Imagem: Reprodução/Erika8213/Envato)

A decisão da Saúde deve trazer bastante esperança para os brasileiros que esperam o momento de receber a vacina, no entanto, não existe um calendário nacional para cada grupo etário sem comorbidades. Isso porque a imunização segue a lógica do Sistema Único de Saúde (SUS), onde "estados e municípios têm autonomia para montar seu próprio esquema de vacinação e dar vazão à fila de acordo com as características de sua população, demandas específicas de cada região e doses disponibilizadas", segundo o PNI.

Dessa forma, é preciso ficar atento ao calendário de cada cidade. Segundo apuração do Canaltech, todas as regiões brasileiras já iniciaram, em algum grau, a imunização contra o coronavírus da população geral, sem comorbidades. Nesse processo, o estado de São Paulo trabalha com o calendário mais preciso, já que espera aplicar a primeira dose em toda a população com mais de 18 anos até o final do mês de outubro.

Vacinação em SP para quem tem mais de 18 anos e não possui comorbidades

No dia 26 de maio, o governador do estado de São Paulo, João Doria, anunciou: "Vamos vacinar toda a população adulta do estado de São Paulo até 31 de outubro deste ano". Pelos planos do estado, a imunização da população geral, sem comorbidades, deve começar na primeira semana de julho, com pessoas entre 55 a 59 anos. O último grupo será o de jovens entre 18 e 24 anos, programado para as últimas semanas de outubro. 

O calendário da vacinação geral contra o coronavírus foi planejada a partir da projeção de entregas disponíveis no site do Ministério da Saúde, explicou Regiane de Paula, coordenadora do Programa Estadual de Imunização, para o G1. Dessa forma, a coordenadora explica que o planejamento será respeitado, mas dependerá "se a entrega [de doses pelo governo federal] for feita de acordo com aquilo que está projetado pelo ministério, e até uma possível redução de doses".

Todas regiões brasileiras já planejam da vacinação geral

Norte e a imunização contra o coronavírus em Macapá

No Norte, por exemplo, a capital do Amapá, Macapá, incia a vacinação de grupos não prioritários nesta sexta-feira (4). Inicialmente, a aplicação do imunizante contra a COVID-19 começa a ser feita em homens de 59 anos com doses da vacina Covishield (Oxford/AstraZeneca). Em seguida, serão liberadas doses para mulheres também com 59 anos, sem comorbidades.

Nordeste e vacinação contra a COVID-19 em Salvador

No Nordeste, por exemplo, a capital da Bahia, Salvador, já anunciou que pessoas com 56 anos ou mais, sem comorbidades, podem procurar os postos de imunização contra o coronavírus da cidade. Além disso, idosos ou outros grupos prioritários também podem procurar os postos de vacinação normalmente para receber a primeira dose.

Sudeste e a imunização na cidade do Rio

No Sudeste, São Paulo tem planos de iniciar a imunização da população geral em julho, mas a cidade do Rio de Janeiro já disponibiliza doses para do imunizante contra a COVID-19 para mulheres e homens com 59 anos, sem comorbidades. Além disso, a cidade planeja vacinar quem tem mais de 18 anos até outubro.   

"A gente precisa de uma meta para perseguir e ela é factível pelas previsões do Ministério da Saúde e considerando a produção da Fiocruz. A opção foi seguir o calendário por idade, sem diferenciar nenhum tipo de grupo e sim o principal fator de risco para morrer da COVID-19 após o fator comorbidade e deficiência, que é o fator idade. Consideramos que todos os serviços e trabalhadores são essenciais. E o principal fator de risco epidemiológico para morrer de COVID é A idade, que vai superar qualquer outro fator nessa linha", explicou o secretário Municipal de Saúde, Daniel Soranz, para a Veja Rio.

Centro-Oeste e a vacinação em Goiânia

No Centro-Oeste, a capital de Goiás, Goiânia, começou a vacinar a população geral, acima de 59 anos, na quarta-feira (4), durante o feriado. Uma curiosidade do processo local de imunização é que as pessoas precisam agendar a vacinação pelo aplicativo Prefeitura 24 horas, disponível tanto para Android quanto para iOS. Nesse caso, o morador da cidade pode escolher o horário e o ponto de vacinação mais próximo de sua residência.

Sul e a imunização em Curitiba

Já no Sul, a capital do Paraná, Curitiba, já começou a vacinação contra o coronavírus para todas as pessoas na quarta-feira (4). Na próxima segunda-feira (7), doses estarão liberadas para aquelas pessoas que têm 58 anos ou mais. Conforme novas doses de vacinas contra a COVID-19 chegarem, a cidade deve avançar na proteção da população geral.

Por que algumas cidades compartilham o calendário de vacinação e outras não?

Como o processo de vacinação contra a COVID-19 não é centralizado, é esperado que diferentes cidades passem por etapas diferentes de imunização e também é possível que algumas localidades compartilhem todo o calendário geral das vacinações, enquanto outros não.

Uma questão para os governos que compartilharam todo o cronograma detalhado será conseguir cumprir o anunciado. Isso porque o planejamento é completamente dependente do recebimento de novas remessas de imunizantes pelo Ministério da Saúde. A Saúde, por sua vez, ainda depende do envio de insumos para a produção de vacinas no Brasil. Por exemplo, a autonomia da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na produção 10% nacional de imunizantes só deve acontecer em outubro.

Segundo apurou o Estado de Minas na capital Belo Horizonte, os anúncios de expansão da imunização para a população em geral só devem ser feitos quando novos lotes chegarem. Em nota, a prefeitura informou que “só expande os grupos ou dá seguimento à aplicação da segunda dose, com vacinas suficientes para todas as pessoas pertencentes a esse grupo''. Outras localidades também adotam o mesmo procedimento.

Para acessar a nota técnica 717/2021-CGPNI/DEIDT/SVS/MS, clique aqui.

Fonte: Com informações: Agência Brasil, G1 (1) e (2), Tribuna, Estado de MinasCNN       

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