Com transferência de tecnologia, Fiocruz prevê vacina 100% nacional em outubro

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 02 de Junho de 2021 às 14h05
Maksim Goncharenok/ Pexels

Na terça-feira (1º), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) assinou o contrato de Transferência de Tecnologia da vacina Covishield (AstraZeneca/Fiocruz) contra o coronavírus SARS-CoV-2. Dessa forma, a Fiocruz, por meio do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), terá autonomia para produzir, de forma 100% nacionalizada, o imunizante contra a COVID-19, incluindo Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA). O primeiro lote dessa produção está previsto para outubro.

Para o novo momento de autonomia na produção de vacinas contra a COVID-19, a Fiocruz trabalha no treinamento da equipe técnica e elaboração da documentação relacionada aos processos produtivos do IFA nacional. A meta é que, ainda neste mês, a fábrica comece a produção dos primeiros lotes de IFA para a Covishield. No entanto, os lotes experimentais ainda devem passar por testes de comparabilidade da farmacêutica AstraZeneca e, após a validação, começará a produção em larga escala da matéria-prima.

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Em paralelo, a Fiocruz também trabalha em um pedido de mudança no registro da vacina contra a COVID-19 para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Isso porque deve ser autorizada a inclusão do novo local de fabricação do IFA, o que é considerado um item obrigatório para que as doses da vacina sejam destinadas ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde.

Fiocruz deve entregar primeiro lote nacional da vacina de Oxford/AstraZeneca em outubro deste ano (Imagem: Reprodução/ _Tempus_/Envato)

O prazo de início das entregas das doses nacionais para outubro leva em conta que todas essas etapas evoluirão como esperado. Segundo a Fiocruz, as instalações atuais têm capacidade de produção de insumos para cerca de 15 milhões de doses da vacina contra o coronavírus por mês. Isso porque foram feitas adaptações da planta fabril do Centro Henrique Penna (CHP), parte do Complexo Tecnológico de Vacinas (CTV) no campus da Fiocruz em Manguinhos, no Rio de Janeiro.

"A assinatura desse contrato concretiza a segunda fase deste grande projeto, em que estamos aptos a produzir uma vacina 100% nacional a partir de uma das plataformas tecnológicas mais avançadas no cenário mundial", afirma a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, em nota. A primeira parte do acordo foi a produção da Covishield a partir dos insumos importados.

"É uma resposta importante que trazemos para o país no combate à pandemia, aliada à incorporação de uma nova tecnologia que também poderá ser utilizada para trazer futuras soluções para a saúde da população”, completa o diretor de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Mauricio Zuma.

Butantan e CoronaVac

Além da novidade na produção nacional da Covishield, nesta quarta-feira (2), o governo de São paulo anunciou que a China liberou o envio de mais 6 mil litros de insumos para produção de 10 milhões de doses da CoronaVac. A previsão é que o IFA chegue até o dia 28 deste mês e, dessa forma, o PNI deve ganhar reforços com a previsão de novos lotes de imunizantes contra a COVID-19. No futuro, O Instituto Butantan também prevê a transferência de tecnologia para a produção independente da CoronaVac.

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