Tudo sobre o caso de óbito da grávida que teve trombose após vacina de Oxford

Tudo sobre o caso de óbito da grávida que teve trombose após vacina de Oxford

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 11 de Maio de 2021 às 14h50
Hakan Nural / Unsplash

O Ministério da Saúde investiga o caso de uma gestante que morreu após receber a vacina Covishield (Universidade de Oxford/AstraZeneca) contra a COVID-19 e desenvolver um caso de trombose, no Rio de Janeiro. Agora, as autoridades de saúde verificam se é possível estabelecer uma relação direta entre o imunizante contra o coronavírus SARS-CoV-2 e a formação do coágulo, como um efeito adverso raro.

"O Ministério da Saúde informa que foi notificado pelas secretarias de Saúde Municipal e Estadual do Rio de Janeiro e investiga o caso. Cabe ressaltar que a ocorrência de eventos adversos é extremamente rara e inferior ao risco apresentado pela COVID-19", afirmou a Saúde, em nota na tarde de segunda-feira (10). "Neste momento, a pasta recomenda a manutenção da vacinação de gestantes, mas reavalia a imunização no grupo de gestantes sem comorbidades", completou.

Grávida morre após receber vacina de Oxford/AstraZeneca contra a COVID-19 (Imagem: Reprodução/Ali Raza/Pixabay)

O risco de formação de coágulos como efeito colateral da vacina Covishield contra a COVID-19 já é conhecido, só que é considerado extremamente raro. Este efeito é causado pelo adenovírus presente na composição da fórmula contra o coronavírus. Inclusive, em abril, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) solicitou alterações na bula do imunizante, quando foi concluído possíveis efeitos colaterais por ocorrências tromboembólicas com trombocitopenia.

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Após possível caso de trombose em grávida, Anvisa orienta suspensão do uso da vacina

Na noite de segunda-feira (10), a Anvisa recomendou a suspensão imediata do uso da vacina Covishield em mulheres gestantes. "A orientação da Anvisa é que a indicação da bula da vacina AstraZeneca seja seguida pelo Programa Nacional de Imunização (PNI). A orientação é resultado do monitoramento de eventos adversos feito de forma constante sobre as vacinas Covid em uso no país", escreveu a agência em nota.

Ainda na nota, a Anvisa destacou que o uso “off label” de vacinas — em situações não previstas na bula — só deve ser feito mediante avaliação individual por um profissional de saúde que considere os riscos e benefícios da vacina para a paciente. "A bula atual da vacina contra Covid da AstraZeneca não recomenda o uso da vacina sem orientação médica", comenta a agência.

Isso porque a bula da vacina Covishield destaca que "este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica". De maneira geral, vacinas feitas de vírus vivos, como é o caso do imunizante de Oxford, não são indicadas para gestantes. No entanto, como lembra a Anvisa, o uso pode ser discutido com um profissional de saúde responsável. Afinal, no cenário da pandemia da COVID-19, é preciso ponderar os riscos. Só que, agora, essa avaliação também deveria ser suspensa.

São Paulo e Rio de Janeiro suspendem imunização de gestantes com a vacina de Oxford

Seguindo a orientação da Anvisa, a prefeitura de São Paulo suspendeu preventivamente a aplicação de doses da vacina Covishield em gestantes. Esta suspensão será mantida até que ocorra uma nova orientação por meio do PNI (Programa Nacional de Imunização), liderado pelo Ministério da Saúde.

Enquanto o caso do óbito é investigado no estado, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro suspendeu a vacinação de gestantes e puérperas. A mudança será mantida até que “a investigação do caso de evento adverso em gestante seja finalizada pelo Ministério da Saúde e o Programa Nacional de Imunizações se pronuncie”.

Para acessar a bula completa da vacina Covishield, disponibilizada pelo Ministério da Saúde, clique aqui.

Fonte: Folha de S. PauloCNN, Agência BrasilAnvisa      

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