O que é mais provável, desenvolver trombose por vacina ou pela própria COVID-19?

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 19 de Abril de 2021 às 14h10
Photocreo/Envato Elements

Pesquisas apontam que o novo coronavírus (SARS-CoV-2) pode ser responsável pela formação de coágulos. Em paralelo, algumas vacinas podem apresentar trombose (formação de trombos nos vasos sanguíneos) como efeito adverso raro casos de trombose. No entanto, um estudo preliminar da Universidade de Oxford aponta que o risco de desenvolver um coágulo cerebral grave —  condição conhecida como trombose venosa cerebral (TVC) —  é 8 a 10 vezes maior em pessoas que tiveram COVID-19 do que naquelas que receberam a vacina de mRNA nos Estados Unidos.

Segundo o professor da Universidade de Oxford, Paul Harrison, o estudo amplia o entendimento das complicações da doença causada pelo coronavírus. "Em primeiro lugar, a COVID-19 aumenta significativamente o risco de TVC, acrescentando à lista de problemas de coagulação do sangue que esta infecção causa". Além disso, o professor conclui que "o risco [da complicação em casos] de COVID-19 é maior do que o observado com as vacinas atuais, mesmo para aqueles com menos de 30 anos, o que é algo que deve ser pensado ao considerar o equilíbrio entre riscos e benefícios da vacinação".

Quer ficar por dentro das melhores notícias de tecnologia do dia? Acesse e se inscreva no nosso novo canal no youtube, o Canaltech News. Todos os dias um resumo das principais notícias do mundo tech para você!

Risco de vacinas contra a COVID-19 causarem a formação de coágulos é raro (Imagem: Reprodução/Microgen/Envato Elements)

No entanto, é importante observar que o estudo foi desenvolvido com a população imunizada contra o coronavírus nos EUA, onde a vacina Covishield (Oxford/AstraZeneca) não foi aprovada. Até momento, os poucos casos de trombose identificados após o uso de um imunizante foram relatados a partir da fórmula da Covishield, principalmente na Europa. Em outras, o estudo analisou apenas a reação dos pacientes que foram imunizados com a vacina da Pfizer/BioNTech ou da Moderna, ou seja, duas fórmulas não associadas a esta questão.

Entenda a pesquisa sobre coágulos cerebrais e a COVID-19

Publicado no formato de preprint —   artigo que aguarda revisão por pares —, o estudo analisou registros eletrônicos de saúde de 81 milhões de pessoas nos EUA e comparou o número de casos de TVC vistos nas duas semanas após o diagnóstico de coronavírus e o número de casos ocorridos nas duas semanas após as pessoas terem recebido a vacina contra a COVID-19.

As análises observaram que coágulos sanguíneos são incomuns após casos da COVID-19, já que foram notificados 39 casos para cada um milhão de pessoas infectadas após duas semanas. No entanto, os casos de TVC são ainda mais raros após uma pessoa receber a vacina da Pfizer/BioNTech ou da Moderna, braseadas no mRNA (RNA mensageiro). A estimativa foi de 4 casos para cada um milhão de imunizados.

De acordo com a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), a proporção de casos de TVC é de 5 para cada um milhão de imunizados contra a COVID-19 com a fórmula de Oxford/AstraZeneca. Só que os resultados dos EUA não devem ser comprados entre si, já que as populações vacinadas foram diferentes.

Para acessar o estudo que compra os casos de coágulos cerebrais após a COVID-19 e a imunização, clique aqui.

Fonte: BBC  

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.