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Tudo o que sabemos sobre a variante JN.1 da covid-19

Por| Editado por Luciana Zaramela | 05 de Janeiro de 2024 às 10h07

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Sabrina Belle/Pixabay
Sabrina Belle/Pixabay

A covid-19 é uma doença que veio para ficar, mesmo que o período de maior emergência provocado pelo coronavírus SARS-CoV-2  já tenha terminado. Neste cenário, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras autoridades de saúde alertam para o crescimento da variante JN.1, detectada em mais de 40 países, o que inclui o Brasil. 

A presença da variante JN.1 é associada com altas de casos da covid-19 por onde chega. No caso brasileiro, a disseminação cepa foi associada com um surto no estado do Ceará, no final de novembro do ano passado. Situação semelhante também é observada nos Estados Unidos, após as festas de fim de ano.

O que é JN.1?

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Para entender, a variante JN.1 foi identificada pela primeira vez em agosto de 2023 e, desde então, tem se disseminado por inúmeros países, elevando o número de casos da covid-19. Atualmente, é classificada como uma Variante de Interesse (VOI).

“Prevê-se que esta variante possa causar um aumento nos casos de SARS-CoV-2 em meio ao aumento de outras infecções virais e bacterianas, especialmente em países que entram na época de Inverno”, afirma a OMS, em relatório sobre os riscos da nova cepa da covid-19.

Para os especialistas, a variante é a descendente direta da BA.2.86, também conhecida como Pirola. Ambas descendem da Ômicron. Aqui, é preciso mencionar que a Pirola tem mais de 35 mutações novas, quando comparadas com as cepas anteriores. Na época de sua descoberta, isso causou alarme, mas, com a disseminação da variante, descobriu-se que não provocava casos mais graves que as outras.

“Em comparação com a linhagem parental BA.2.86, a JN.1 possui apenas a mutação L455S adicional na proteína spike [localizada na membrana do vírus]”, pontua a OMS. Neste cenário, ela também não deve ser responsável por quadros mais letais da doença.

Aumento de casos da covid

Apesar disso, a variante JN.1 tem ganhado cada vez mais espaço no mundo. Em novembro do ano passado, tinha sido identificada em mais de 10 países. No mês de dezembro, tinha chegado a 41, incluindo regiões nas Américas, Europa e Ásia, segundo relatório da OMS. 

Agora, ela já se tornou dominante em algumas nações. Nos Estados Unidos, a variante foi responsável por mais de 44% dos novos casos da doença nas últimas semanas, segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

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Por lá, especialistas reforçam a alta transmissibilidade da variante e a capacidade de fugir das defesas do sistema imunológico, especialmente naqueles indivíduos que não receberam as doses de reforço e que estão com baixos números de anticorpos. Por causa disso, o CDC a classifica como uma "uma ameaça séria à saúde pública".

Casos da variante no Brasil

Na última quarta-feira (3), a Frente de Vigilância Genômica de SARS-CoV-2 do Instituto Aggeu Magalhães (IAM/Fiocruz Pernambuco) identificou, pela primeira vez, a variante JN.1 em circulação no estado de Pernambuco. 

"Essa variante está associada ao aumento do número de casos que está sendo observado não só aqui, mas em outros estados”, reforça Marcelo Paiva, pesquisador e um dos responsáveis pela descoberta, em nota. Anteriormente, a cepa que descende da Ômicron foi observada no Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e Ceará, por exemplo.

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Segundo dados da Rede Genômica Fiocruz, a dupla de variantes JN.1 e BA.2.86 é predominante no país — afinal, representa mais de 67% dos novos casos, referentes ao mês de dezembro. Por enquanto, as duas cepas são somadas juntas dentro do levantamento, mas, em breve, a JN.1 poderá se sobressair, como já acontece nos EUA. Além delas, ainda estão em circulação as variantes JD.1 e XBB.1.5.70, mas em proporção bem menor.

Sintomas da JN.1

Para o jornal The New York Times, William Schaffner, médico e especialista em doenças infecciosas do Centro Médico da Universidade Vanderbilt, reforça que a nova variante JN.1 não causa formas mais letais da covid-19 na maioria das pessoas.

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No entanto, o médico Schaffner explica que, mesmo em pacientes que desenvolvem casos leves, o indivíduo pode ficar "bem mal durante três ou quatro dias". Fora isso, os outros sintomas são semelhantes aos observados em outras cepas, como tosse, febre, dores no corpo e cansaço.

Doses de reforço da vacina

A melhor forma de se proteger contra a covid-19, independente da cepa em circulação, são as vacinas atualizadas — isto também reduz o risco do paciente desenvolver covid longa —, como orienta a OMS. 

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"Para aqueles que foram infectados recentemente [por outras cepas da covid] ou que receberam a dose de reforço, a proteção cruzada contra a JN.1 deve ser razoável, mostraram nossos estudos laboratoriais", afirma David Ho, virologista da Universidade de Columbia. Recentemente, a sua equipe conduziu testes para avaliar este nível de proteção.

Além disso, o uso de máscaras de proteção em ambientes de risco, como hospitais, transporte público e supermercados, pode ser uma alternativa, ainda mais para pessoas imunossuprimidas. Também vale manter os ambientes sempre ventilados, com janelas abertas, reduzindo as chances de transmissão.

Fonte: Agência Fiocruz, OMSNYT e Rede Genômica