Steve Wozniak afirma que pode ter sido "paciente zero" do COVID-19 nos EUA

Por Rafael Rodrigues da Silva | 03 de Março de 2020 às 10h59
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Conhecido como um dos fundadores da Apple, Steve Wozniak pregou um enorme susto em seus seguidores no Twitter nesta segunda-feira (2), quando ele afirmou que acreditava que ele e sua esposa supostamente seriam os “pacientes zero” (ou seja, as primeiras pessoas do país) do novo coronavírus nos EUA.

Essa suposição foi revelada em um tweet em que Wozniak faz o check-in no West Coast Sports Institute (hospital especializado em medicina esportiva), onde ele afirma estar preocupado com uma tosse persistente de sua esposa, que apresenta os sintomas desde que retornaram da China no dia 4 de janeiro. Isso faz com que Wozniak acredite que eles tenham sido o “paciente zero” da doença nos Estados Unidos, já que o primeiro caso de COVID-19 no país só foi confirmado no dia 10 daquele mês.

Felizmente, tudo não passou de uma preocupação desnecessária, já que horas depois da publicação a esposa de Wozniak, Janet, confirmou à revista USA Today que o que ela tinha não era COVID-19, mas apenas uma sinusite. Ao mesmo tempo, essa história mostra como uma das mentes mais brilhantes da tecnologia também pode ser uma pessoa desinformada e irresponsável.

Desinformada porque, ao vasculhar alguns tweets antigos de Wozniak, podemos ver o tipo de confusão que a gente espera naquele tio de meia-idade que acredita em correntes de WhatsApp. Prova disso é que, no dia 23 de janeiro, o cofundador da Apple publicou um tweet falando que ele e a esposa estavam se recuperando de um vírus que pegaram havia duas semanas, mas que ele duvidava ser o novo coronavírus porque ele havia contraído a doença na Ásia, e não havia passado nem perto da cidade de Corona, no México.

Nesse tweet, fica claro que, por toda sua inteligência, Wozniak não se preocupou minimamente em pesquisar sobre a nova doença que está assustando o mundo, não sabendo que “coronavírus” é o tipo do vírus que a causa (algo que é explicado em praticamente toda matéria sobre o assunto, e é justamente para evitar essa confusão que a OMS decidiu que o nome oficial da doença é COVID-19) e não possui nenhuma relação com a cidade de Corona, no México. Assim, podemos suspeitar que Wozniak também é daquelas pessoas que, desde que a doença surgiu, evitam tomar a cerveja Corona, mesmo que ela não tenha nenhuma relação com a epidemia.

Já a irresponsabilidade aqui também é bem clara: primeiro, se você é um milionário, não parece nada saudável esperar quase dois meses para levar a esposa no hospital por causa de uma tosse. É compreensível isso quando estamos falando de pessoas comuns, já que a falta de um sistema de saúde público nos Estados Unidos faz com que as pessoas evitem ao máximo ir a hospitais, pois a conta pode sair muito mais caro do que elas conseguem pagar, mas dinheiro definitivamente não é problema para um dos fundadores de uma das três empresas mais valiosas do mundo, então não faz sentido esperar tanto tempo para consultar um médico.

Outro problema é que, se o que os Wozniaks tivessem pego na China fosse mesmo o COVID-19, a atividade online deles os definiriam como um gigantesco foco de transmissão, pois desde que voltaram doentes da Ásia eles têm feito “check-ins” em diversos lugares de aglomeração de pessoas (como clubes, restaurantes e aeroportos), que são justamente o tipo de lugar que as pessoas infectadas com o SARS-CoV-2 devem evitar.

Fonte: The Next Web, Gizmodo

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